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Príncipe William liquidará parcela do Ducado da Cornualha para investir em habitação

Príncipe William - @princeandprincessofwales
Foto: Príncipe William - @princeandprincessofwales

O Príncipe William planeja vender um quinto do Ducado da Cornualha para financiar um programa de £500 milhões destinado à construção de casas acessíveis e sustentáveis. A operação será concluída ao longo de dez anos e marca uma mudança estratégica na gestão do vasto patrimônio imobiliário que gera mais de 20 milhões de libras anuais ao herdeiro do trono.

Will Bax, diretor executivo do Ducado, revelou ao jornal The Times que o Príncipe estabeleceu uma diretriz clara: o patrimônio “não deve existir meramente para possuir terras, mas para ter impacto positivo no mundo”. A decisão integra os esforços modernizadores da monarquia liderados pelo próprio William.

Restructuração geográfica do patrimônio

O plano de vendas concentrará as propriedades remanescentes em cinco áreas principais:

  • Ilhas Scilly
  • Cornualha
  • Dartmoor
  • Região de Bath
  • Kennington, em Londres

Essa reorganização responde à chamada de William por transformação do ducado durante o que descreve como um “período de mudança”. Bax, que assumiu a liderança da instituição em 2024, recebeu mandato amplo para renovar as operações com foco em combate às mudanças climáticas, resposta à crise habitacional e estímulo ao crescimento econômico em comunidades vulneráveis.

Origem e evolução da renda ducal

O Ducado da Cornualha foi fundado em 1337 para financiar o sustento do herdeiro do trono. Atualmente, avalia-se em aproximadamente 1,1 bilhão de libras e compreende entre 2 mil e 3 mil propriedades distribuídas por 23 condados na Inglaterra e País de Gales, somando entre 130 mil e 140 mil acres.

William herdou o título e os rendimentos correspondentes em setembro de 2022, quando seu pai, Charles, ascendeu ao trono. No ano fiscal 2022-2023, o ducado registrou lucro líquido de 24 milhões de libras, dividido entre pai e filho na proporção de 14 milhões e 16 milhões, respectivamente. Para 2023-2024, a totalidade dos 23,6 milhões de libras foi destinada exclusivamente a William.

Os ativos do ducado incluem propriedades residenciais alugadas, fazendas e terras agrícolas, unidades comerciais como lojas e escritórios, além de direitos costeiros e fluviais em várias regiões. Diferentemente da Subvenção Soberana, que financia funções oficiais do monarca, o Ducado operacionaliza-se como entidade comercial separada.

Impacto fiscal e patrimônio pessoal

A renda anual do príncipe ultrapassa 20 milhões de libras, sobre a qual ele paga voluntariamente imposto de renda conforme acordo estabelecido desde 1993. Relatórios da imprensa britânica calculam que seu patrimônio líquido alcança aproximadamente 949 milhões de libras, considerando a renda do ducado, heranças familiares —incluindo 26 milhões de libras recebidos de sua mãe, Princesa Diana— e outros bens. Somada à fortuna estimada de Kate Middleton em 7,9 milhões de libras, o casal possui aproximadamente 1,15 bilhão de libras conjuntamente, sem computar joias, propriedades adicionais, terrenos e obras de arte.

Controvérsias na gestão anterior

A decisão de William coincide com críticas à administração prévia do ducado. Escândalos recentes incluem a cobrança de aluguéis de instituições públicas, entre hospitais e escolas, bem como o caso do Ministério da Justiça pagando aluguel por uma prisão em Dartmoor evacuada há mais de um ano devido a níveis perigosos de gás radônio. Críticos também apontam a persistência de privilégios feudais nas operações do patrimônio.

Bax descreveu esses problemas como legados operacionais que o novo mandato visa transformar. As prioridades agora centram-se em sustentabilidade climática, resolução da crise habitacional britânica e revitalização econômica de áreas marginalizadas.

Contexto mais amplo da família real

O Rei Charles, pai de William, possui patrimônio líquido estimado em 1,8 bilhão de libras, permanecendo o membro mais rico da família real. Charles recebe renda separada do Ducado de Lancaster, estrutura análoga que financia o monarca reinante.

A reestruturação planejada por William reflete preocupações crescentes dentro da monarquia com legitimidade social e relevância contemporânea. O investimento em habitação acessível direciona-se para área crítica: a crise habitacional do Reino Unido afeta particularmente populações de baixa renda nas regiões que William identificou para concentrar suas propriedades remanescentes.

A venda escalonada ao longo de uma década permite transição gradual mantendo fluxos de renda durante o processo. Especialistas observam que a manobra equilibra objetivos filantrópicos com sustentabilidade financeira do patrimônio, evitando impacto abrupto nos mercados imobiliários regionais.