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Chapecoense é condenada a indenizar família de jornalista Giovane Klein, morto em 2016

Giovane Klein e a esposa Isabella Fernandez
Foto: Giovane Klein e a esposa Isabella Fernandez - Foto: Facebook/Reprodução

A Justiça condenou a Chapecoense a pagar R$ 450 mil à família do jornalista Giovane Klein, vítima do acidente aéreo ocorrido em Medellín, na Colômbia, em 2016. O juiz reconheceu a responsabilidade civil do clube como afretador da aeronave da empresa LaMia e apontou culpa grave por negligência na escolha da companhia aérea. A sentença divide o valor em três partes: R$ 150 mil para cada um dos autores da ação — a esposa e os pais do jornalista — referentes aos danos morais.

Giovane Klein era repórter da RBS TV Chapecó. Tinha 28 anos e atuava na cobertura esportiva do Oeste de Santa Catarina. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, trabalhou na emissora desde 2014. Ele estava entre os 71 passageiros que morreram na queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense para a disputa da final da Copa Sul-Americana.

Responsabilidade e argumentação da sentença

A decisão judicial reconheceu que o clube assumiu o risco ao escolher a companhia aérea mais barata entre as alternativas disponíveis no mercado. O magistrado enfatizou a negligência em não optar por uma empresa com histórico de segurança comprovado. O clube apresentou diversos argumentos durante a contestação para tentar afastar a responsabilidade solidária, incluindo o fato de Klein ter embarcado de forma gratuita como funcionário da imprensa.

Conforme a defesa, a ausência de contrato firmado com a vítima e a natureza do transporte gratuito afastariam a responsabilidade civil da contratante. O juiz rejeitou essa linha argumentativa e manteve a condenação por entender que o clube, como afretador da aeronave, era responsável pela segurança de todos os passageiros a bordo.

Pontos rejeitados pela justiça

Alguns pedidos formulados pelos autores da ação não foram acolhidos pelo juiz. Os pedidos de indenização por danos materiais — que incluíam despesas com tratamento psicológico — foram julgados improcedentes por falta de comprovação de desembolso. O mesmo ocorreu com o pedido de pensão mensal para a companheira da vítima, rejeitado por ausência de comprovação de dependência econômica.

A ação foi inicialmente ajuizada contra a LaMia e a seguradora Bisa Seguros, porém o processo foi extinto em relação a essas empresas após os autores desistirem da demanda durante a tramitação. Em nota, a Chapecoense informou que não comentaria a decisão em razão de o processo ainda estar em trâmite judicial, sinalizando possível recurso.

Histórico e impacto

O acidente aéreo de 2016 ficou marcado como uma das maiores tragédias do futebol brasileiro. A queda da aeronave ocorreu quando a delegação da Chapecoense se deslocava para disputar a final da Copa Sul-Americana. Entre as vítimas estavam jogadores, comissão técnica, dirigentes e profissionais da imprensa. A tragédia completa dez anos em novembro de 2026.

Giovane Klein deixou esposa e pais. Sua morte impactou significativamente os círculos profissionais de jornalismo esportivo na região. A RBS TV Chapecó perdeu um importante membro de sua equipe que contribuía com coberturas de qualidade sobre o futebol local e estadual. As condenações judiciais que vêm sendo proferidas representam o reconhecimento do Estado sobre as responsabilidades institucionais envolvidas na tragédia.

Contexto processual

Ao longo dos dez anos desde o acidente, diversas famílias das vítimas entraram com ações judiciais contra instituições envolvidas. A decisão sobre Giovane Klein segue um padrão de condenações que estabelecem a responsabilidade civil de clubes e empresas pelo transporte inadequado. O valor de R$ 450 mil é significativo, mas ainda inferior aos custos imateriais de uma perda irreversível de vida.

A sentença serve como precedente para outros processos similares em tramitação. O foco da Justiça em punir a negligência na escolha de empresas aéreas menos seguras sinaliza mudanças nas práticas do futebol brasileiro. Clubes passaram a investir em protocolos mais rigorosos de contratação de serviços de transporte.