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John Krasinski segue como Jack Ryan em filme vazio e previsível da franquia

Jack Ryan: Ghost War
Foto: Jack Ryan: Ghost War - Divulgação/PrimeVideo

John Krasinski volta ao papel de Jack Ryan em “Ghost War”, novo filme da franquia que o ator não apenas protagoniza, mas também produz e co-escreve. Sem criar qualquer senso de entusiasmo, o longa viaja para Dubai e Londres em busca de um antigo colega renegado que ameaça desencadear ataques terroristas. Ryan é convocado por seu antigo chefe Greer (Wendell Pierce) para uma missão que promete ser simples, mas revela-se muito mais complexa na execução. A estrutura segue a fórmula consagrada dos filmes de espionagem, mas sem oferecer inovação ou tensão que prenda a atenção.

O filme estabelece seu tom logo no início: Ryan abandonou a vida de espião para uma existência civil tranquila em Nova York. Greer o intercepta do lado de fora de uma livraria Marc Jacobs para recrutar o agente em mais uma operação crítica. A proposta inicial parece clara, mas rapidamente se revela como uma teia de meia-verdades e planos encobertos contra uma célula secreta de espiões maus. O drama político dos estados é deixado para trás em favor de um retorno ao esquema tradicional de espias contra espiões.

jack ryan
jack ryan – Divulgação

Direção televisiva que não consegue elevar o material

Andrew Bernstein, diretor com longa carreira em produção televisiva, assume o comando visual do filme com uma abordagem adequada mas sem distinção. A câmera não dança, não se move com urgência, e a fotografia carece de qualquer identidade visual própria. O resultado é um filme que parece ter saído diretamente de um episódio da série de TV, prolongado apenas na duração. Faltam os efeitos de câmera dinâmicos de “Missão Impossível”, o grau de perigo visceral que caracteriza a série Jason Bourne, ou qualquer elemento que diferencie o longa de uma tarde de streaming comum.

Krasinski entrega uma performance contida, praticamente monolítica. Seu Ryan é relutante em aceitar o novo trabalho, mas essa relutância parece refletir a própria atitude do ator diante do roteiro. Há momentos em que Ryan e seus colegas discutem a falta de vida social fora do negócio de espionagem, uma confissão vaga que não ressoa com força. O personagem mantém uma química fraca com Emma, agente da MI6 interpretada por Sienna Miller, cujas cenas juntos carecem de centelha romântica ou tensão palpável.

Propaganda americada enfraquecida por ajuste de tom

O filme segue a tradição da franquia de promover o excepcionalismo americano, permitindo que um analista da CIA restaure a paz em países estrangeiros. Há uma cena estendida onde Ryan e Mike November (Michael Kelly) admiram as acomodações de primeira classe em um voo Emirates, com champanhe gratuito incluído. Depois, em Dubai, um agente saudita se vangloria sobre as capacidades tecnológicas de sua cidade, afirmando que é “uma das cidades mais avançadas tecnologicamente do mundo” e que isso “evita crime antes que ocorra”. A cena funciona como um anúncio turístico, algo incomum em uma franquia conhecida por sua retórica patriótica, revelando uma mudança tácita nas prioridades comerciais.

Perto do final, Greer escreve uma carta ao presidente sugerindo que se os ideais da CIA estão “baseados em mentiras, então nossas instituições começam a se desmoronar, nos tornando susceptíveis à divisão e até infiltração”. A afirmação marca uma transição sutil no tipo de herói que Jack Ryan representa, movendo-se de um lobo solitário para um jogador de time. Ainda assim, a conclusão não consegue ser definitiva, deixando o protagonista como um enigma enquanto as operações ao seu redor desenrolam-se sem verdadeiro impacto emocional.

Franquia em busca de direção após seis filmes

Seis entradas na série transformaram Jack Ryan em um personagem cansado e previsível. O longa é direto, funcionando como um exercício de treinamento para manter Krasinski ocupado. A falta de criatividade visual ou narrativa não consegue competir com alternativas mais vigorosas do gênero. Até os momentos que pretenderiam conter patriotismo americano carecem de convicção. O filme não oferece resposta clara sobre como a franquia deve avançar, uma questão que também afeta as propriedades James Bond sob a mesma editora (Amazon MGM Studios).

Em um contexto onde guerras reais surpreendem as nações e ditadores são capturados continuamente, a mensagem de “Ghost War” permanece profundamente sem inspiração:

  • Falta de tensão na narrativa
  • Ausência de movimento dinâmico de câmera
  • Química nula entre personagens principais
  • Cenário que prioriza publicidade turística
  • Personagem protagonista sem vulnerabilidade ou crescimento aparente

O filme encerra com a impressão de que tanto Krasinski quanto a franquia estão passando pelo movimento, cumprindo obrigações contratuais em vez de criar arte ou entretenimento memorável.