A Mercedes revelou em Los Angeles o novo AMG GT Coupé de quatro portas, primeiro veículo totalmente elétrico da divisão AMG. O modelo topo de linha, designado GT 63, alcança 1.153 cavalos de potência no modo Race com controle de largada ativado acima de 80% de carga, superando o extinto AMG ONE híbrido que dispunha de 1.049 cv. O cupê acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2 segundos e atinge velocidade máxima de 300 km/h, estabelecendo novos recordes de desempenho para a marca alemã.
A potência disponível marca transformação significativa na estratégia elétrica da Mercedes, que enfrentava resistência de seus clientes conservadores contra elementos como grades de resfriamento aerodinâmico. O desafio foi conciliar a experiência emocional associada aos antigos motores V8 com o desempenho imediato da tração elétrica. Para tanto, a fabricante implementou um complexo sistema de sons simulados, transmissão virtual de nove marchas, vibrações nas banquetas e conta-giros falso que reproduzem características dos motores de combustão.
Tecnologia inovadora em motores e bateria
Os três motores de fluxo axial representam avanço notável na eletrificação automotiva. Cada unidade mede menos de 8,9 centímetros de espessura — 67% menor que os convencionais de fluxo radial — e oferece o dobro da densidade de torque e o triplo da densidade de potência. A Mercedes adquiriu a YASA em 2021, empresa desenvolvedora dessa tecnologia, que também forneceu motores para híbridos de altíssimo desempenho como Koenigsegg Regera, Ferrari SF90 e Lamborghini Revuelto.
A configuração distribui um motor no eixo dianteiro e dois no traseiro. A arquitetura elétrica total é capaz de gerar até 1.300 cv, indicando potencial para modelos futuros ainda mais potentes. O modelo GT 55 de entrada oferece 805 cavalos, acelerando de 0 a 100 km/h em 2,4 segundos com velocidade máxima de 260 km/h.
Carregamento acelerado e autonomia
O sistema de bateria nativo de 800 volts permite carregamento a até 800 amperes em carregadores de mesma voltagem, gerando potência de recarga superior a 600 quilowatts — mais rápida que praticamente qualquer alternativa disponível atualmente. A bateria de 106 quilowatt-hora carrega de 10% a 80%, adicionando cerca de 450 quilômetros de autonomia, em aproximadamente 11 minutos. Reduzindo a tensão para 400 volts, o carregamento máximo chega a 320 quilowatts, mantendo curva de carga extremamente acelerada mesmo em carregadores de 200 quilowatts. A autonomia total segundo ciclo WLTP varia entre 371 e 435 milhas, embora esses valores sejam preliminares.
A inovação também perpassa a química das células. O sistema utiliza ânodo de silício acoplado a cátodo tipo NMCA, tecnologia que melhora densidade de energia sem comprometer a capacidade de recarga rápida. Cada bateria comporta 2.660 células de 105 milímetros de altura por 26 milímetros de diâmetro, formato customizado exclusivamente para este modelo. O posicionamento na base do veículo inclui espaços recortados para os pés dos passageiros traseiros, permitindo maior conforto e possibilitando assento mais baixo.
Dinâmica de condução e modos selecionáveis
Sete modos de condução predefinidos mais um personalizável modificam aspectos diversos do desempenho, incluindo resposta da transmissão, dirigibilidade e sistemas de tração. O modo Race desativa completamente as simulações de marcha e ruído, oferecendo aceleração linear pura do motor elétrico. O modo Sport+ ativa o sistema de sons V8 simulados com transmissão automática virtual de nove velocidades operável via borboletas no volante. A suspensão a ar de série ajusta altura conforme velocidade.
Os recursos de aerodinâmica ativa modificam fluxo de ar na base da carroceria, spoiler traseiro, entradas de ar e difusor traseiro para otimizar desempenho em velocidades elevadas. Mercedes afirma que o difusor traseiro ativo constitui inovação mundial. Três botões físicos no console central controlam características de condução através do sistema “AMG Race Engineer”, permitindo ajuste rápido de resposta, agilidade e tração sem necessidade de navegar menus de tela.
Interior e usabilidade prática
O painel concentra-se em duas telas para o motorista e uma para o passageiro, eliminando controles físicos tradicionais para ar-condicionado e volume — este último controlado por botão no volante. O visor frontal (HUD) opcional oferece ferramentas de análise de corrida como cronometragem de setores pré-programados em circuitos famosos mundialmente e funciona mesmo com óculos de sol polarizados, característica rara no mercado.
Os assentos possuem apoios laterais reforçados para manobras agressivas. Um banco traseiro para três passageiros é opcional, com assento central apresentando espaço reduzido para pernas em comparação à configuração de quatro lugares. O elemento arquitetônico mais notável é o teto panorâmico de vidro eletrocrômico circundado por iluminação ambiente que alterna entre modos opacos e transparentes em vários padrões, embora as luzes funcionem apenas como efeito visual sem fornecer informações de navegação ou alertas.
Características técnicas e capacidades
- Potência máxima: 1.153 cv (GT 63) e 805 cv (GT 55)
- Aceleração 0-100 km/h: 2 segundos (GT 63) e 2,4 segundos (GT 55)
- Velocidade máxima: 300 km/h (GT 63) e 260 km/h (GT 55)
- Bateria: 106 quilowatt-hora, 800 volts nativos
- Carregamento 10-80%: 11 minutos em carregador de 800V
- Autonomia: 371-435 milhas (ciclo WLTP)
- Porta-malas: capacidade para 3 malas, 2 sacos de golfe ou esquis para 4 pessoas
O Mercedes-AMG GT 55 Coupé chegará às concessionárias dos EUA no final de 2026, seguido pelo modelo GT 63 no início de 2027. A Mercedes mantém estratégia de preços semelhante ao antecessor AMG GT, indicando preços iniciais na casa dos seis dígitos em dólares americanos. Informações de disponibilidade em outros mercados ainda não foram divulgadas pela fabricante.

