Trump expressa preocupação com surto de Ebola na República Democrática do Congo

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Trump - Nicole Glass Photography / Shutterstock.com

O presidente Donald Trump afirmou estar “preocupado” com o surto de Ebola que se alastra rapidamente na República Democrática do Congo, o qual já resultou em centenas de casos suspeitos e na evacuação de um paciente americano infectado pela cepa Bundibugyo, para a qual não existe vacina ou tratamento aprovado.

Situação atual do surto na África Central

Identificado pela Organização Mundial da Saúde em 5 de maio, o surto registra números alarmantes. Até 19 de maio, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo contabilizava mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes suspeitas. A OMS confirmou pouco mais de 30 casos, mas reconhece que o número real de infecções é provavelmente maior. As autoridades apontam que a epidemia ocorre em um contexto complexo, marcado por insegurança, deslocamento populacional e áreas densamente povoadas em regiões remotas, o que dificulta o controle da disseminação.

Trump comentou sobre o tema ao falar com repórteres em evento na Casa Branca na segunda-feira. “Estou preocupado com tudo, com certeza”, respondeu quando questionado se os americanos deveriam estar preocupados com a doença. “Por enquanto está confinado à África. Mas é algo que teve um surto”, completou o presidente.

Ebola teste – Arif biswas/shutterstock.com

Medidas de proteção e evacuação de americanos

Segundo a Dra. Heidi Overton, vice-diretora do Conselho de Política Interna da Casa Branca, nenhum caso de Ebola foi confirmado nos Estados Unidos. Um missionário americano que testou positivo para o vírus Bundibugyo será evacuado para a Alemanha para receber tratamento médico. Seis outros americanos considerados de “alto risco” também serão evacuados para o mesmo país.

As autoridades americanas implementaram restrições de viagem e entrada para não cidadãos que estiveram recentemente em Uganda, República Democrática do Congo e Sudão do Sul. As medidas refletem o esforço do governo para conter a possível disseminação do vírus no território americano.

Resposta internacional e classificação de emergência

A OMS declarou o surto como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional” em 17 de maio, nomenclatura utilizada para eventos de saúde graves, repentinos e incomuns que representam risco internacional. Contudo, a organização afirmou que o surto ainda não atende aos critérios de uma emergência pandêmica global.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS, manifestou profunda preocupação durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde. “Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia”, declarou. A representante da OMS na República Democrática do Congo, Dra. Anne Ancia, também classificou a situação como “profundamente preocupante” em comunicado divulgado na terça-feira.

Características do vírus Bundibugyo

A cepa responsável pelo surto atual apresenta desafios significativos para o combate à doença. Conforme alertou a Dra. Anne Ancia, não existe vacina ou tratamento licenciado para o vírus Bundibugyo, embora o tratamento de suporte seja vital para os pacientes infectados. O tratamento disponível limita-se a medidas de cuidado intensivo e reposição de fluidos corporais.

As autoridades listam as principais ações tomadas até o momento:

  • Evacuação de americanos infectados ou sob risco para Alemanha
  • Implementação de restrições de viagem para cidadãos de Uganda, República Democrática do Congo e Sudão do Sul
  • Monitoramento intensivo nos portos de entrada dos Estados Unidos
  • Declaração de emergência de saúde pública de interesse internacional pela OMS
  • Vigilância epidemiológica em países vizinhos

Risco reduzido nos Estados Unidos

Apesar da gravidade do surto na África Central, as autoridades americanas mantêm que o risco nos Estados Unidos permanece baixo. A Dra. Heidi Overton reafirmou que nenhum caso foi confirmado no país até o momento. A distância geográfica, as restrições de viagem e os protocolos de detecção em aeroportos funcionam como barreiras contra a importação do vírus.

O surto ocorre em contexto de crescentes críticas direcionadas à retirada do governo Trump de iniciativas mais amplas de saúde pública e da organização internacional, onde anteriormente desempenhava papel fundamental na vigilância de surtos emergentes.

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