O presidente Donald Trump afirmou estar “preocupado” com o surto de Ebola que se alastra rapidamente na República Democrática do Congo, o qual já resultou em centenas de casos suspeitos e na evacuação de um paciente americano infectado pela cepa Bundibugyo, para a qual não existe vacina ou tratamento aprovado.
Situação atual do surto na África Central
Identificado pela Organização Mundial da Saúde em 5 de maio, o surto registra números alarmantes. Até 19 de maio, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo contabilizava mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes suspeitas. A OMS confirmou pouco mais de 30 casos, mas reconhece que o número real de infecções é provavelmente maior. As autoridades apontam que a epidemia ocorre em um contexto complexo, marcado por insegurança, deslocamento populacional e áreas densamente povoadas em regiões remotas, o que dificulta o controle da disseminação.
Trump comentou sobre o tema ao falar com repórteres em evento na Casa Branca na segunda-feira. “Estou preocupado com tudo, com certeza”, respondeu quando questionado se os americanos deveriam estar preocupados com a doença. “Por enquanto está confinado à África. Mas é algo que teve um surto”, completou o presidente.
Medidas de proteção e evacuação de americanos
Segundo a Dra. Heidi Overton, vice-diretora do Conselho de Política Interna da Casa Branca, nenhum caso de Ebola foi confirmado nos Estados Unidos. Um missionário americano que testou positivo para o vírus Bundibugyo será evacuado para a Alemanha para receber tratamento médico. Seis outros americanos considerados de “alto risco” também serão evacuados para o mesmo país.
As autoridades americanas implementaram restrições de viagem e entrada para não cidadãos que estiveram recentemente em Uganda, República Democrática do Congo e Sudão do Sul. As medidas refletem o esforço do governo para conter a possível disseminação do vírus no território americano.
Resposta internacional e classificação de emergência
A OMS declarou o surto como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional” em 17 de maio, nomenclatura utilizada para eventos de saúde graves, repentinos e incomuns que representam risco internacional. Contudo, a organização afirmou que o surto ainda não atende aos critérios de uma emergência pandêmica global.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS, manifestou profunda preocupação durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde. “Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia”, declarou. A representante da OMS na República Democrática do Congo, Dra. Anne Ancia, também classificou a situação como “profundamente preocupante” em comunicado divulgado na terça-feira.
Características do vírus Bundibugyo
A cepa responsável pelo surto atual apresenta desafios significativos para o combate à doença. Conforme alertou a Dra. Anne Ancia, não existe vacina ou tratamento licenciado para o vírus Bundibugyo, embora o tratamento de suporte seja vital para os pacientes infectados. O tratamento disponível limita-se a medidas de cuidado intensivo e reposição de fluidos corporais.
As autoridades listam as principais ações tomadas até o momento:
- Evacuação de americanos infectados ou sob risco para Alemanha
- Implementação de restrições de viagem para cidadãos de Uganda, República Democrática do Congo e Sudão do Sul
- Monitoramento intensivo nos portos de entrada dos Estados Unidos
- Declaração de emergência de saúde pública de interesse internacional pela OMS
- Vigilância epidemiológica em países vizinhos
Risco reduzido nos Estados Unidos
Apesar da gravidade do surto na África Central, as autoridades americanas mantêm que o risco nos Estados Unidos permanece baixo. A Dra. Heidi Overton reafirmou que nenhum caso foi confirmado no país até o momento. A distância geográfica, as restrições de viagem e os protocolos de detecção em aeroportos funcionam como barreiras contra a importação do vírus.
O surto ocorre em contexto de crescentes críticas direcionadas à retirada do governo Trump de iniciativas mais amplas de saúde pública e da organização internacional, onde anteriormente desempenhava papel fundamental na vigilância de surtos emergentes.

