Xi Jinping e Vladimir Putin reforçam aliança estratégica e criticam EUA após reunião em Pequim

Xi Jinping e Putin - Photo by Kremlin Press Service/Anadolu via Getty Images

Xi Jinping e Putin - Photo by Kremlin Press Service/Anadolu via Getty Images

Líderes da China e da Rússia se reuniram em Pequim nesta quarta-feira (20), reforçando os laços bilaterais e posicionando a parceria como uma força de estabilidade global. O encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin acontece poucos dias após o presidente chinês ter recebido Donald Trump em uma cúpula histórica entre Estados Unidos e China. Esta série de reuniões sublinha o papel crescente da China no cenário geopolítico, buscando equilibrar relações com potências globais em um período de turbulência internacional.

A visita de Putin à capital chinesa marca um aprofundamento da “coordenação estratégica abrangente” entre os dois países. Xi Jinping utilizou a ocasião para fazer uma crítica velada ao que descreveu como “correntes hegemônicas unilaterais” em ascensão, termo frequentemente usado por Pequim para se referir à política externa americana. A agenda de aproximadamente 24 horas incluiu discussões sobre economia, segurança e diplomacia, destacando a união de interesses compartilhados.

Críticas diretas aos Estados Unidos e declaração conjunta

Os presidentes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, emitiram uma declaração conjunta reiterando seus laços estreitos e a aspiração por um “mundo multipolar”. Este gesto diplomático, que se tornou um padrão nas visitas de Putin à China, não ocorreu durante o encontro de Xi com Donald Trump. A declaração incluiu críticas diretas à dominância dos Estados Unidos, com foco específico em questões de defesa estratégica.

Um dos pontos centrais foi a denúncia do projeto americano “Golden Dome”, um sistema de defesa antimísseis multibilionário. Segundo o Kremlin, a declaração conjunta afirmou que tal projeto representa uma “ameaça clara à estabilidade estratégica”. Os líderes consideram que esses planos anulam o princípio fundamental de manutenção da estabilidade estratégica, que exige a interconexão inseparável de armas ofensivas e defensivas.

Xi Jinping também abordou diretamente o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, ressaltando que um “fim precoce” da guerra ajudaria a mitigar interrupções no fornecimento de energia, nas cadeias de suprimentos e no comércio global. O líder chinês enfatizou a urgência de uma cessação abrangente das hostilidades e a importância das negociações contínuas para a resolução de conflitos, sem a escalada militar.

Reforço da aliança em meio a cenários complexos

A reunião entre Xi e Putin é a 25ª visita oficial do presidente russo à China durante seu quarto de século no poder. Nos últimos anos, Pequim e Moscou têm intensificado a coordenação em várias frentes, incluindo comércio, diplomacia e segurança. Essa aproximação é impulsionada por fricções compartilhadas com os Estados Unidos e pela busca de uma reconfiguração da ordem mundial, que ambos veem como injustamente dominada pelo Ocidente.

Putin destacou que as relações entre China e Rússia atingiram um “nível sem precedentes”, classificando-as como um dos “principais fatores estabilizadores no cenário internacional”. Ele utilizou um idioma chinês para expressar a proximidade pessoal com Xi Jinping, enfatizando os mais de 40 encontros já realizados entre os dois líderes. A parceria “sem limites” foi um tema central das discussões, englobando questões como a guerra na Ucrânia, o conflito no Irã e as repercussões da visita de Trump à China.

Os líderes também discutiram uma série de setores para expansão da cooperação bilateral. As pautas incluíram:

  • Energia: Reforço do papel da Rússia como fornecedor confiável e da China como consumidor responsável.
  • Indústria: Novas oportunidades de colaboração e investimentos.
  • Agricultura: Fortalecimento da segurança alimentar e intercâmbio de produtos agrícolas.
  • Transporte: Desenvolvimento de infraestrutura e rotas comerciais.
  • Alta tecnologia: Cooperação em pesquisa, desenvolvimento e aplicação de tecnologias avançadas.

Contexto geopolítico e desafios para a Rússia

Apesar da demonstração de união, Vladimir Putin encontra-se em uma posição geopolítica mais vulnerável em comparação com sua última visita a Pequim em setembro. Dias antes de sua chegada, a Ucrânia lançou o que a mídia russa descreveu como o maior ataque a Moscou em mais de um ano, utilizando mais de 500 drones. Além disso, a Rússia tem enfrentado perdas territoriais significativas na Ucrânia, registrando a primeira perda líquida de território desde agosto de 2024.

A situação econômica russa, cada vez mais dependente da China devido às sanções ocidentais, confere a Pequim uma alavancagem considerável. Xi Jinping pode utilizar essa dinâmica assimétrica para negociar vantagens para a China, especialmente no que tange à cooperação energética, em um momento em que a crise no Oriente Médio pressiona o acesso chinês ao petróleo bruto. A dependência econômica da Rússia acentua a importância estratégica da parceria com a China.

Apesar dos desafios, a pompa e as cortesias da visita de Putin ao Grande Salão do Povo sublinharam o alinhamento profundo e contínuo entre os dois países. A cerimônia de boas-vindas incluiu desfiles militares, salvas de tiros e a presença de crianças agitando bandeiras, criando uma imagem de união e força. Ambos os governos celebram o 25º aniversário do “Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa” de 2001, que resolveu antigas fricções fronteiriças e inaugurou um período de cooperação robusta.

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