Xi Jinping recebeu Vladimir Putin nesta quarta-feira em Pequim com cerimônia de honras militares. Os dois líderes se reuniram no Grande Salão do Povo menos de uma semana depois de o presidente chinês ter recebido Donald Trump na mesma cidade. A visita destacou o compromisso de Pequim e Moscou em aprofundar a cooperação bilateral.
O russo chegou na terça-feira e participou de uma recepção com tapete vermelho. Uma banda militar tocou os hinos nacionais dos dois países. Crianças acenaram bandeiras enquanto os líderes entravam no salão para as conversas. Putin e Xi conversaram primeiro em formato restrito e depois ampliaram para as delegações.
Cerimônia de boas-vindas destaca relação duradoura
A recepção seguiu o padrão de visitas de Estado. Soldados chineses formaram guarda de honra. Putin e Xi apertaram as mãos e posaram para fotos. O russo descreveu o momento como encontro com um “velho amigo”. Xi usou termos como “parceria estratégica abrangente no mais alto nível”.
Os dois líderes assinaram mais de 20 documentos depois das conversas. Os acordos cobrem comércio, tecnologia, pesquisa científica e propriedade intelectual. Um deles estende o tratado de boa vizinhança e cooperação amistosa assinado há 25 anos. Putin convidou Xi para visitar a Rússia no próximo ano.
- Acordos incluem cooperação em energia, turismo e educação
- Declaração conjunta defende ordem multipolar e combate a ações unilaterais
- Extensão do tratado de 2001 reforça bases políticas bilaterais
- Delegação russa trouxe dezenas de empresários e autoridades
Xi pede cessar-fogo completo no Oriente Médio
Xi Jinping defendeu o fim imediato das hostilidades no Oriente Médio. Ele afirmou que retomar os combates seria inaceitável. A China importa cerca de 40% de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, afetado pela crise atual. O líder chinês mencionou a necessidade de preservar cadeias de suprimentos e comércio internacional.
Putin reforçou a posição russa como fornecedor confiável de energia. Os dois condenaram o que chamaram de interferências unilaterais que ameaçam a estabilidade global. As declarações fazem referência indireta a ações recentes dos Estados Unidos na região e em outros países. Xi e Putin defenderam o respeito à Carta da ONU e ao direito internacional.
O encontro ocorre enquanto a China busca equilibrar relações com Washington e Moscou. Trump esteve em Pequim na semana anterior para discutir comércio, Irã e Taiwan. A proximidade das duas visitas chama atenção para a estratégia chinesa de manter múltiplos canais abertos.
Economia e energia dominam agenda prática
A Rússia busca ampliar vendas de energia para a China. Os dois países chegaram a um entendimento geral sobre o gasoduto Power of Siberia 2, que passaria pela Mongólia. O projeto pode transportar até 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. Detalhes sobre preço e cronograma ainda precisam de ajustes.
A China é o principal parceiro comercial da Rússia. Moscou exporta quase metade de seu petróleo para Pequim. A guerra na Ucrânia aumentou a dependência russa do mercado chinês. Delegados discutiram também cooperação em minerais críticos e tecnologia.
Analistas observam que a parceria permanece assimétrica. A economia chinesa é cerca de oito vezes maior que a russa. Pequim evita linguagem que sugira aliança militar formal. Os dois países insistem que a cooperação não é dirigida contra terceiros.
Declaração conjunta aborda ordem internacional
O documento final menciona preocupação com ações que perturbam cadeias de suprimentos marítimos. Os líderes pediram que portos e infraestrutura sigam princípios comerciais, sem politização excessiva. Eles também condenaram o que classificaram como aventuras militares e tentativas de mudança de regime.
Xi e Putin reafirmaram apoio à solução pacífica de conflitos. Sobre a Ucrânia, o texto fala em remover as causas raízes do confronto. A declaração reafirma posições conhecidas sem avanços concretos novos. Os dois lados destacaram o papel estabilizador de sua parceria em um mundo volátil.
Próximos passos da diplomacia bilateral
Putin e Xi devem continuar as conversas em formato mais informal durante um chá no Zhongnanhai. Assessores indicaram que Ucrânia, Irã e relações com os Estados Unidos estarão na pauta privada. A visita reforça o padrão de encontros frequentes entre os dois líderes, que já se reuniram mais de 40 vezes.
A China confirmou separadamente compra de 200 jatos Boeing e busca estender acordo comercial com os Estados Unidos. O gesto ocorreu enquanto preparava a recepção a Putin. Diplomatas acompanham o equilíbrio que Pequim tenta manter entre as grandes potências.
A reunião termina sem rupturas dramáticas, mas consolida laços práticos em energia e comércio. Observadores esperam que os acordos assinados gerem resultados concretos nos próximos meses.

