Documentos revelam exigência de “gestão de mídia rigorosa” para Andrew em 2001
O governo britânico divulgou nesta terça-feira documentos internos que mostram a nomeação de Andrew Mountbatten-Windsor como representante especial para comércio e investimento em 2001. Um telegrama destinado aos funcionários da British Trade International alertava para a necessidade de uma “gestão de comunicação cuidadosa e, por vezes, rigorosa” ao trabalhar com o então príncipe. O documento, enviado em 25 de setembro de 2001, indicava que “as propostas iniciais devem conter o esboço de uma estratégia de comunicação”.
A decisão de publicar os arquivos ocorreu após moção dos Liberais Democratas em fevereiro, depois da prisão de Andrew. O Ministro do Comércio, Chris Bryant, descreveu o então príncipe como “rude, arrogante e prepotente” e comprometeu-se a divulgar os documentos “o mais rápido possível”. Onze arquivos já foram publicados, revelando como o cargo foi estruturado e o processo de nomeação.
Rainha Elizabeth apoiou nomeação de Andrew
Um memorando do diretor executivo da British Trade International, David Wright, de fevereiro de 2000, afirmava que a Rainha estava “muito interessada” que Andrew assumisse um “papel de destaque na promoção dos interesses nacionais”. Wright escreveu o documento após conversa com o secretário particular da Rainha em 23 de fevereiro de 2000. Nele, propôs que Andrew realizasse “duas ou três visitas de promoção comercial” anualmente e recebesse visitantes comerciais ilustres em Londres. A comunicação apontava que a nomeação representava continuidade do envolvimento da Família Real na promoção comercial, após o Duque de Kent renunciar ao cargo.
Instruções para lidar com críticas à falta de experiência
Um documento preparado pela British Trade International continha 24 perguntas e respostas para orientar funcionários em entrevistas coletivas. A oitava questão dizia: “Mas ele não tem muita experiência. Por que não alguém mais qualificado?”. A resposta sugerida enfatizava a “grande visibilidade e comprometimento” que Andrew poderia dedicar ao trabalho como membro da Família Real. Os documentos indicavam que nenhum outro candidato havia sido contatado para o cargo e que não havia prazo determinado para a nomeação. O cargo foi descrito como “tempo indeterminado”, sem remuneração direta, embora o governo pagasse despesas de viagem e custos operacionais da equipe de apoio.
Preferências pessoais e critérios para viagens
Uma carta de janeiro de 2000, escrita pela diplomata britânica Kathryn Colvin, revelou detalhes sobre as preferências de Andrew para suas atividades oficiais. Segundo o documento, o então príncipe era “particularmente bom em assuntos de alta tecnologia, comércio, juventude, eventos culturais, com preferência por balé em vez de teatro, a Commonwealth, assuntos militares e relações exteriores”. A carta também indicava que Andrew “tendia a preferir os países mais sofisticados, particularmente aqueles que estavam na vanguarda da tecnologia”. O capitão Neil Blair, secretário particular de Mountbatten-Windsor na época, pediu especificamente que Andrew não fosse convidado para jogar golfe no exterior, descrevendo a atividade como privada.
As responsabilidades de Andrew incluíam aprimorar a imagem do Reino Unido como localização para investimentos, identificar maneiras de apoiar exportadores e investidores, além de desempenhar “um papel importante no acompanhamento dos investidores estrangeiros”. O memorando detalhava um programa estruturado com visitas regionais semestrais e outras atividades condicionadas ao orçamento disponível.
Governo não encontra evidência de verificação formal
O Ministro do Comércio, Chris Bryant, afirmou em declaração que não foram encontradas evidências de que um processo formal de due diligence ou verificação tenha sido realizado antes da nomeação. Bryant considerou o fato “compreensível” devido ao cargo representar continuidade do envolvimento da Família Real na promoção comercial. O ministro também informou que o governo está cooperando plenamente com a investigação da Polícia do Vale do Tâmisa sobre Andrew Mountbatten-Windsor.
Dificuldades na localização e divulgação dos arquivos
Em sua declaração ao Parlamento, Bryant afirmou que encontrar os documentos divulgados “não foi uma tarefa fácil”. Segundo o ministro, “há vinte e cinco anos, os departamentos governamentais operavam, em grande parte, com sistemas de registro em papel”. O governo precisou localizar potenciais arquivos relevantes, recuperá-los do armazenamento e pesquisar manualmente a documentação. Mudanças na estrutura governamental durante essas duas décadas também complicaram o processo. Na época da nomeação de Mountbatten-Windsor, o trabalho de promoção comercial era coordenado pela British Trade International, que se reportava a um conselho presidido por um ministro.
Redações nos documentos e considerações de transparência
Algumas páginas dos arquivos divulgados contêm trechos censurados. O governo informou que as redações visam remover “o mínimo indispensável” de informações pessoais e dados que possam prejudicar relações internacionais. A polícia foi consultada para evitar interferência na investigação sobre Andrew. Bryant afirmou ter considerado cuidadosamente a edição de informações sobre comunicações da Família Real, respeitando antiga convenção de confidencialidade codificada na Lei de Liberdade de Informação. O ministro assegurou ter procedido “com a máxima transparência”.
- Ministério afirma que não houve verificação formal antes da nomeação
- Rainha Elizabeth apoiou pessoalmente a indicação de Andrew
- Documentos mostram preocupação com gerenciamento de imagem desde o início
- Processo de busca pelos arquivos levou meses, envolvendo pesquisa manual
- Alguns trechos foram censurados por questões de segurança e relações internacionais
- Andrew deixou o cargo de representante especial dez anos depois, em 2011
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