Europa enfrenta onda de calor com recordes de temperatura em maio, Reino Unido marca 35ºCPor Maria
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O Reino Unido registrou sua temperatura mais alta para o mês de maio na semana de 25 a 26 de maio. Em Londres, termômetros atingiram 35 graus Celsius nos Jardins Botânicos Reais de Kew, superando o recorde anterior em 2 graus. A onda de calor que percorre a Europa quebra recordes sucessivos em múltiplos países.
Recordes históricos no Reino Unido e expansão pela Europa
O fenômeno começou no dia 25 de maio com 34,8 graus Celsius em Londres, e no dia 26 a temperatura subiu para 35 graus. A temperatura máxima média esperada para Londres no final de maio é aproximadamente 20 graus Celsius. Partes significativas da Europa Ocidental registram temperaturas entre 10 e 15 graus Celsius acima da média durante a semana.
A França enfrenta sua onda de calor mais intensa para a época do ano. A agência meteorológica francesa confirmou que o dia 25 de maio foi o mais quente já registrado para maio no país. Na Espanha, o Serviço Meteorológico prevê temperaturas chegando aos 40 graus Celsius no sul do país ainda nesta semana, com padrões descritos como invulgarmente altos para a estação.
Como funciona a onda de calor
Uma onda de calor é um sistema de alta pressão estagnado que funciona como uma tampa numa panela, retendo e comprimindo o calor atmosférico. Esses fenômenos podem durar de alguns dias a várias semanas. A frequência e intensidade das ondas de calor aumentam devido às alterações climáticas provocadas pela emissão de gases de efeito estufa.
Segundo o Met Office do Reino Unido, as mudanças climáticas estão tornando mais provável que recordes de altas temperaturas em maio sejam quebrados. O que antes era considerado um evento raro, ocorrendo aproximadamente uma vez a cada século, agora acontece com frequência estimada de uma vez a cada 33 anos.
Impactos imediatos na vida dos cidadãos
As consequências dessa onda de calor se manifestam em múltiplos cenários. Na Escócia, um incêndio florestal deflagrou perto da colina de Arthur’s Seat, em Edimburgo, no dia 25 devido à elevação das temperaturas. No sudeste de Inglaterra, centenas de casas ficaram sem água devido a um aumento repentino da demanda por abastecimento.
O Reino Unido experimentou “noites tropicais” em que as temperaturas não caíram abaixo de 20 graus Celsius. A maioria das residências britânicas não possui bom isolamento térmico e apenas cerca de 5% dos domicílios têm ar condicionado instalado, tornando as condições extremamente desconfortáveis e perigosas.
Um relatório divulgado pela Comissão de Mudanças Climáticas do Reino Unido alertou que a Grã-Bretanha está “construída para um clima que já não existe”. A infraestrutura habitacional não foi projetada para suportar tais temperaturas.
Mortes relacionadas ao calor
Na França, um porta-voz do governo informou que 7 pessoas morreram, direta ou indiretamente, devido ao calor extremo. Pelo menos 5 mortes ocorreram por afogamento durante tentativas de se refrescar em águas públicas, e houve também óbitos relacionados ao calor em eventos esportivos.
Contexto científico das mudanças climáticas
Os cientistas já estabeleceram que as ondas de calor extremas estão aumentando em frequência e intensidade devido aos efeitos das mudanças climáticas. Os gases de efeito estufa emitidos pela queima de combustíveis fósseis envolvem a Terra como um cobertor, aquecendo a superfície planetária.
A Europa é o continente que está aquecendo mais rapidamente em comparação com outras regiões do globo. As alterações climáticas provocadas pela ação humana amplificam a probabilidade de eventos climáticos extremos como este:
- Temperaturas recordes quebradas sucessivamente em Reino Unido, França e Espanha
- Incêndios florestais relacionados às condições de seca
- Crises de abastecimento de água em áreas urbanas
- Mortes diretas e indiretas causadas pelo calor extremo
- Infraestrutura urbana inadequada para suportar temperaturas excecionais
- Redução do intervalo entre eventos extremos (de uma vez a cada século para uma vez a cada 33 anos)
O porta-voz do Met Office explicou que “embora seja possível haver períodos de calor intenso em maio, o que estamos vendo agora é sem precedentes”. As projeções indicam que eventos desta natureza continuarão a se intensificar nas próximas décadas sem redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa.







