O conselheiro de segurança eleitoral da Casa Branca, Kurt Olsen, buscou excluir máquinas de votação Dominion usadas em mais de metade dos estados americanos. Ele propôs à Agência de Comércio que declarasse os componentes desses dispositivos riscos à segurança nacional. O plano fracassou após Olsen e outros funcionários falharem em fornecer evidências que justificassem a medida.
Olsen trabalha como advogado nomeado por Trump para provar teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais, amplamente desmentidas. Sua estratégia integra um esforço mais amplo da administração para centralizar o controle federal sobre eleições, que constitucionalmente pertence aos estados e municípios.
Máquinas Dominion e o plano de papel manual
A proposta de Olsen visava substituir o sistema atual de máquinas com trilhas de papel auditáveis por um sistema nacional de cédulas contadas manualmente. Especialistas em segurança eleitoral alertam que essa abordagem seria menos precisa e potencialmente mais arriscada que a infraestrutura existente, já adotada por praticamente todas as cidades e estados.
O plano recebeu tração suficiente para que, em setembro, oficiais do Departamento de Comércio começassem a explorar quais argumentos poderiam ser usados para executá-lo. Três fontes adicionais confirmaram que a iniciativa avançou além de discussões preliminares. Contudo, a falta de evidências concretas levou ao colapso da estratégia.
- Máquinas Dominion utilizadas em mais de 50% dos estados americanos
- Proposta de substituição por sistema de contagem manual de cédulas
- Departamento de Comércio explorou fundamentação legal em setembro
- Ausência de provas documentadas para sustentar a exclusão
- Envolvimento de múltiplos funcionários da administração
Expansão da ingerência federal nas eleições
O episódio das máquinas Dominion representa apenas uma faceta de uma ofensiva muito mais ampla. A administração Trump busca encroachments significativos na autoridade dos governos estaduais e municipais para conduzir eleições—um poder garantido pela Constituição justamente para evitar que o poder executivo federal assuma controle político.
Olsen colabora com agências de inteligência e segurança pública do país para perseguir alegações de fraude eleitoral. Uma investigação recente da Reuters identificou que oficiais da administração e investigadores em pelo menos oito estados solicitaram registros confidenciais, pressionaram por acesso a equipamentos de votação e reexaminaram casos de fraude eleitoral que tribunais e auditorias bipartidárias já rejeitaram.
A Constituição americana reservou aos estados o direito de organizar seus próprios processos eleitorais como barreira contra a concentração de poder na esfera executiva federal. Documentos e relatos mostram que essa divisão de competências está sendo sistematicamente desafiada.
Contexto das reivindicações infundadas
Trump continua repetindo alegações sobre fraudes relacionadas a máquinas Dominion apesar da ausência total de evidências. Agências eleitorais certificaram resultados em todos os 50 estados. Auditorias de segurança em diversos estados confirmaram a integridade dos equipamentos Dominion. Processos judiciais que tentaram validar essas conspirou foram rejeitados consistentemente por cortes federais e estaduais.
Especialistas apontam que máquinas com trilhas de papel auditáveis—já instaladas na grande maioria dos jurisdições americanas—oferecem proteção superior contra manipulação do que sistemas alternativos. A tecnologia permite que eleitores verifiquem seus votos e que autoridades eleitorais realizem auditorias independentes.
Kurt Olsen, antes de sua nomeação pela administração Trump, era advogado ligado a círculos que promovem teorias de conspiração eleitoral. Seu acesso direto aos órgãos federais de inteligência e segurança representa uma transformação nas práticas de veto sobre alegações infundadas.
Manobras em estados específicos
Investigadores federais ligados à administração exploraram confidencialmente registros eleitorais em Pensilvânia, Arizona, Geórgia, Michigan, Wisconsin, Nevada, Carolina do Norte e outros estados. Esses esforços envolveram requisições de dados de votação, tentativas de acesso direto a máquinas e reexame de casos de fraude que tribunais bipartidários descartaram.
Simultane, Trump e aliados republicanos executam planos para redesenhar distritos eleitorais antes do previsto, com objetivo explícito de assegurar vantagens nas eleições legislativas de novembro. Essa estratégia representa um desvio de protocolos de redistritamento convencionais.
O Departamento de Comércio não respondeu publicamente sobre o escopo das explorações jurídicas conduzidas em setembro. Funcionários que participaram das discussões não fizeram comentários para esta reportagem. A Casa Branca também não forneceu esclarecimentos adicionais sobre o plano das máquinas Dominion ou cronograma de abandono.

