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Delegado afirma que Jairinho e Monique criaram “farsa ensaiada” sobre morte de Henry

Jairinho e Monique - Reprodução/Tv Record
Foto: Jairinho e Monique - Reprodução/Tv Record

O delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte de Henry Borel, declarou nesta terça-feira (26) durante o 2º dia de julgamento que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros construíram uma “farsa ensaiada” para enganar a polícia sobre as circunstâncias do falecimento do menino. O casal está sendo julgado por homicídio doloso na morte da criança, ocorrida em 2021.

“No decorrer da investigação, mostramos que tudo era uma farsa ensaiada, que as versões apresentadas eram mentirosas e que as lesões sofridas pelo menino eram incompatíveis com qualquer queda de cama. As lesões são gravíssimas”, afirmou Damasceno ao tribunal.

Inconsistências nas versões do casal

O caso foi inicialmente registrado como suspeita de acidente doméstico. Porém, os trabalhos investigativos revelaram discrepâncias significativas nos depoimentos de Monique e Jairinho. Damasceno explicou que as lesões encontradas no corpo de Henry não correspondiam ao relato de queda de cama apresentado pelos acusados.

O delegado relatou um episódio que considera determinante para a investigação: Jairinho tentou impedir que o corpo de Henry fosse periciado. Segundo Damasceno, o ex-vereador procurou um “alto executivo” do hospital onde a criança faleceu pedindo que o óbito fosse atestado na unidade, sem encaminhamento ao Instituto Médico Legal.

“Ele não queria que o corpo fosse encaminhado ao IML. Se o corpo não tivesse ido para o IML, a mentira iria seguir. Se não tivessem os prints mostrando as agressões, a mentira iria seguir”, destacou o delegado.

Conhecimento de Monique sobre as agressões

De acordo com Damasceno, Monique Medeiros, mãe de Henry, tinha conhecimento das agressões sofridas pelo menino antes da morte. Apesar disso, compareceu à delegacia para relatar que Jairinho mantinha um relacionamento “maravilhoso” com a criança.

“Ela sabia disso e, mesmo assim, quando o menino morreu por ação contundente, com somente ela, o menino e o Jairo em casa, foi à delegacia dizer que o Jairinho tinha um relacionamento maravilhoso com ele”, declarou Damasceno.

O delegado também mencionou que Henry havia sido levado anteriormente a uma unidade de saúde em Bangu com lesões suspeitas. Em ambas as ocasiões, Monique apresentou justificativas similares:

  • Primeira vez: queda da cama
  • Ocasião da morte: queda da cama
  • Padrão repetido nas explicações do casal

Evidências de agressão documentadas

A investigação identificou um episódio de agressão ocorrido em 12 de fevereiro de 2021, revelado pela análise do celular de Monique. Segundo Damasceno, prints de conversas entre Monique e a babá de Henry, Thayná, comprovam que o menino foi levado por Jairinho para um quarto e trancado no local.

“Esses prints mostravam uma situação extremamente grave. A empregada doméstica relatou que viu o menino mancando e saindo do quarto com dor na cabeça”, afirmou o delegado.

Damasceno descreveu ainda o comportamento de Henry quando era levado para o quarto pelo padrasto. Segundo o delegado, a criança manifestava desespero durante esses momentos.

Desdobramentos no julgamento

No início da tarde desta terça-feira, Sérgio Figueiredo, um dos advogados da defesa de Jairinho, comunicou ao tribunal sua saída do caso. O advogado alegou que considera um “absurdo” o júri ter sido mantido mesmo após o infarto de Fabiano Lopes, outro membro da defesa do ex-vereador.

O julgamento continua com a apresentação de depoimentos de testemunhas e peritos envolvidos na investigação. O tribunal analisa as evidências coletadas pela polícia e os relatos de pessoas que conviviam com Henry antes de sua morte.