Automobilismo

Fórmula 1 acompanha debate na FIA sobre mudança que estende gestão de Mohammed Ben Sulayem

Mohammed Ben Sulayem
Foto: Mohammed Ben Sulayem - Foto: Jay Hirano / Shutterstock.com

A Federação Internacional do Automobilismo vai analisar uma mudança estatutária significativa em sua estrutura diretiva no próximo mês. O atual presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem, apresentou um projeto que retira o teto para a permanência no cargo máximo da associação. Atualmente, o regulamento estabelece um período limite de 12 anos para o exercício da função executiva. A proposta passará pelo crivo dos conselhos internos e pode redefinir o controle político do esporte a motor global.

O modelo vigente determina que o mandatário do órgão máximo do automobilismo pode passar por apenas duas reeleições consecutivas. Essa diretriz foi introduzida na gestão de Jean Todt, ex-diretor da Ferrari que governou a instituição entre 2009 e 2021. Mohammed Ben Sulayem venceu o pleito inicial em dezembro de 2021 e obteve um novo mandato no fim do ano passado, quando concorreu sem opositores na votação oficial. Os adversários políticos não alcançaram os critérios mínimos de inscrição exigidos pela legislação interna.

Detalhes do projeto de unificação institucional

A federação busca estabelecer um alinhamento normativo entre os seus diferentes departamentos deliberativos em nível global. Segundo representantes da organização desportiva, a intenção é estender o formato de permanência que vigora nos conselhos mundiais e no senado para a presidência. O plano necessita de validação em instâncias superiores antes de entrar em vigor no estatuto definitivo.

  • Análise e parecer inicial do Senado da FIA
  • Votação nos Conselhos Mundiais do Esporte a Motor
  • Deliberação final na Assembleia Geral da entidade
  • Homologação das novas regras para pleitos futuros

O processo eleitoral da federação exige que cada chapa apresente sete nomes para as vice-presidências regionais do planeta. No pleito de dezembro passado, a ausência de concorrentes ocorreu por causa do preenchimento dessas vagas específicas. Na América do Sul, a brasileira Fabiana Ecclestone era a única elegível e já compunha o grupo do atual mandatário. Nomes como Carlos Sainz Sr, Tim Mayer e Laura Villars tentaram viabilizar candidaturas alternativas, mas esbarraram nas restrições burocráticas do regulamento.

Críticas internas e histórico do dirigente

A movimentação para remover as barreiras de tempo na liderança gerou reações negativas imediatas na comunidade automobilística. O ex-comissário da Fórmula 1, Tim Mayer, defendeu publicamente a manutenção das regras de controle institucional vigentes. O profissional argumentou que os limites servem como proteção contra a centralização excessiva de decisões e ajudam a garantir a renovação periódica das lideranças esportivas.

Antes de assumir o posto principal da Federação Internacional do Automobilismo, Mohammed Ben Sulayem construiu uma longa trajetória nas pistas de corrida. O dirigente nasceu nos Emirados Árabes Unidos e conquistou 14 títulos no Campeonato de Rali do Oriente Médio durante a sua carreira competitiva. O ex-piloto integrou o Conselho Mundial do Esporte a Motor por cinco anos e assumiu o comando executivo com a promessa de modernização.

Conflitos e decisões polêmicas na Fórmula 1

A administração do emiradense tem sido marcada por atritos frequentes com competidores e equipes do campeonato mundial. Um dos primeiros embates envolveu a proibição rigorosa do uso de joias e adereços no cockpit dos carros. A fiscalização detalhada das roupas íntimas dos pilotos provocou contestações públicas de campeões mundiais, incluindo o britânico Lewis Hamilton e o alemão Sebastian Vettel.

O presidente enfrentou questionamentos jurídicos internos sobre a lisura de suas ações em eventos oficiais do calendário internacional. Uma investigação independente apurou supostas interferências do mandatário nos resultados dos Grandes Prêmios da Arábia Saudita e de Las Vegas na temporada de 2023. O tribunal interno da entidade arquivou o caso após deliberar que não existiam provas de conduta irregular do gestor.

Outra polêmica relevante envolveu a tentativa de coibir o uso de termos considerados inadequados em transmissões e entrevistas coletivas. A Federação Internacional do Automobilismo aplicou sanções desportivas ao neerlandês Max Verstappen e ao francês Adrien Fourmaux por declarações na imprensa. O órgão moderou a aplicação das penalidades após forte desgaste com a associação de pilotos e críticas da mídia especializada. O regulamento também incluiu vetos a manifestações de cunho político ou ideológico sem autorização prévia da diretoria.