Lewis Hamilton decidiu não usar o simulador da Ferrari antes do Grande Prêmio do Canadá após um fim de semana difícil em Miami. O britânico de 41 anos relatou que a ferramenta o estava induzindo a erros nas decisões de configuração do carro, levando-o a adotar uma abordagem “old school” para o fim de semana em Montreal.
A estratégia funcionou. Hamilton terminou em segundo lugar no Canadá, seu melhor resultado com a escuderia italiana, e superou Charles Leclerc em todos os 6 segmentos de qualificação, incluindo Sprint e Grande Prêmio. O desempenho impressionou observadores e reavivou o debate sobre a relevância dos simuladores modernos no automovilismo de elite.
Correlação imperfeita entre simulador e pista real
Jolyon Palmer, comentarista da F1 Nation podcast, respalda a decisão de Hamilton. Segundo Palmer, os benefícios do simulador são “negligenciáveis”, especialmente considerando que a tecnologia ainda se ajusta às novas regulamentações de 2026. A falta de correlação precisa entre o simulador e o mundo real representa um obstáculo significativo.
Palmer explica que pilotos jovens passam muito tempo em simuladores, porém a correlação permanece problemática com as regulamentações atualizadas. As novas formas de dirigir e de utilizar energia ao redor da volta mudam constantemente, dia após dia. Sem uma correlação perfeita, plugar e jogar na sexta-feira torna-se ineficaz, especialmente quando a pista está suja e evoluindo em várias direções com mudanças de direção de vento.
Hamilton acumula 385 partidas em sua carreira — o segundo-maior número de largadas na história da Fórmula 1. Com quase 20 anos de experiência no esporte, sua memória muscular e compreensão do que o carro necessita dispensam a ferramenta de simulação.
Michael Schumacher nunca foi fã da tecnologia
Michael Schumacher, lenda de Ferrari, compartilha reservas similares sobre simuladores. Durante sua passagem pela escuderia italiana, Schumacher usou o simulador raramente. Quando retornou à Mercedes, a tecnologia havia evoluído — e o fez ficar doente, forçando-o a interromper o uso.
“Como entendo, há alguns outros times de topo que possuem um simulador, mas fazem muito pouco uso dele,” afirmou Schumacher durante sua época com a Silver Arrows. “Para nós pilotos, o principal benefício seria acostumar-se com uma pista. Mas para mim pessoalmente, isso nunca foi um problema. Não vejo a grande vantagem deles.”
Palmer relembrou o histórico de Schumacher com a tecnologia. “Schumi nunca gostou de simulador, não é verdade?” Schumacher experimentava náuseas e não sentia necessidade de usá-lo extensivamente. A postura do sete vezes campeão mundial estabeleceu precedente que Hamilton agora segue.
Hamilton defende abordagem tradicional
Na coletiva de imprensa pós-corrida no domingo, Hamilton apontou que não precisou de simulador para conquistar seis títulos mundiais pela Mercedes. Sua filosofia não se alinha com dependência de ferramentas digitais avançadas.
“Há apenas muitos riscos,” explicou. “Se você olha para as duas melhores corridas que disputei, eu não usei simulador. E é honestamente assim que foi. Praticamente em todos os campeonatos anteriores, exceto provavelmente 2008, não usei a simulação. Então não é uma necessidade. É uma ferramenta que pode ser poderosa. Mas para mim, sou old school. Provavelmente sou melhor sem ela.”
A declaração ressalta que Hamilton ganhou seus primeiros campeonatos sem depender de simuladores. A tecnologia era menos desenvolvida e menos acessível naquele período. Mesmo com recursos tecnológicos superiores disponíveis atualmente em Ferrari, o piloto opta por métodos tradicionais.
Perspectiva diferente entre companheiros de equipe
Charles Leclerc continua usando o simulador da Ferrari regularmente. Palmer destacou essa divergência de abordagens dentro da mesma equipe. “Acho que cada um com seu método,” afirmou o comentarista. “Charles ainda está usando o simulador, então ele não está na mesma página.”
A questão levanta questões sobre desenvolvimento de pilotos e estilo pessoal. Pilotos mais jovens, como Leclerc, confiam em simuladores para otimizar configurações e aprender circuitos. Pilotos veteranos, como Hamilton e Schumacher antes dele, prescindiam da ferramenta sem prejuízos ao desempenho — e às vezes obtinham melhores resultados sem ela.
Palmer sugeriu que o valor real do simulador pode residir no feedback do piloto para a equipe. “O valor provavelmente seria mais do lado da Ferrari para obter seu feedback, para melhorar configuração, correlação e melhorar ainda mais o simulador. Eles têm pilotos de desenvolvimento que fazem muito esse trabalho. Esse é o ponto dos pilotos de desenvolvimento.”
Performances recentes reforçam escolha de Hamilton
Os números do Grande Prêmio do Canadá falam por si. Hamilton conquistou seu melhor resultado com Ferrari em apenas sua quinta corrida pela equipe. A performance mostrou que sua abordagem alternativa ao simulador não prejudicou seu desempenho — pelo contrário, pode tê-lo beneficiado.
O resultado também colocou Hamilton à frente de Leclerc nos segmentos de qualificação, sugerindo que sua estratégia diferenciada oferece vantagens práticas mensuráveis. O feedback de Hamilton após Montreal confirmou sua confiança na abordagem old school, rejeitando ferramentas modernas em favor de intuição desenvolvida ao longo de duas décadas de experiência profissional.
