Saúde

Síndrome Respiratória Aguda Grave por Influenza cresce 100,4% no Brasil: Tamiflu reduz risco de morte

Gripe, resfriado, influenza
Gripe, resfriado, influenza - Hryshchyshen Serhii/ Shutterstock.com

O Brasil registrou um aumento de 100,4% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Influenza entre janeiro e abril de 2026, conforme dados do Ministério da Saúde. Neste período, foram contabilizados 6.760 casos, em contraste com os 3.374 registrados no mesmo intervalo de 2025. A antecipação da circulação do vírus neste ano é apontada como a principal causa dessa elevação.

A vacinação segue sendo a ferramenta mais eficaz na prevenção de casos graves, hospitalizações e óbitos. O Ministério da Saúde informou a aplicação de mais de 26,4 milhões de doses da vacina até o momento, com 16,9 milhões destinadas ao público prioritário, que inclui crianças, gestantes e idosos, os grupos mais suscetíveis a complicações da doença.

Antiviral Tamiflu: uso e eficácia em até 48 horas

O antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, é indicado para pacientes com diagnóstico de influenza, principalmente quando o tratamento é iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas. Médicos infectologistas destacam que o medicamento pode diminuir o tempo de doença, reduzir complicações e prevenir hospitalizações e mortes em grupos de risco. Há consenso sobre seu benefício nesses grupos e em casos graves, embora parte da literatura científica debata a magnitude do efeito em quadros leves.

Apesar da importância do diagnóstico, o acesso a testes para identificar o vírus é restrito em muitos serviços de emergência. Custos e cobertura de convênios limitam a disponibilidade, resultando em tratamentos iniciados com base apenas na avaliação clínica. O Ministério da Saúde recomenda o Tamiflu para pessoas com risco de agravamento e casos de SRAG, mesmo sem confirmação laboratorial. Crianças menores de 2 anos também recebem a indicação do antiviral.

Protocolo do Ministério da Saúde e grupos de risco

O protocolo do Ministério da Saúde prioriza o uso do Tamiflu para indivíduos com maior risco de complicações. Entre eles estão idosos, gestantes, imunossuprimidos e pacientes com doenças crônicas como cardiopatias e hipertensão. A indicação formal do Tamiflu, porém, se estende a qualquer pessoa com diagnóstico de influenza, um critério que era adotado universalmente até 2009.

O tratamento idealmente começa até 48 horas após o início dos sintomas, pois a precocidade potencializa os benefícios. Em pacientes graves internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), o período de tratamento pode ser ampliado de cinco para dez dias. Na rede privada, o preço do Tamiflu com 10 cápsulas de 75mg varia entre R$ 290 e R$ 300, enquanto genéricos de fosfato de oseltamivir, na mesma dosagem e quantidade, custam de R$ 170 a R$ 210.

Estudos confirmam benefícios do Tamiflu

O Ministério da Saúde aponta que o Tamiflu pode reduzir em até 38% o risco de morte em casos de influenza. Diversos estudos também demonstram outros benefícios consistentes do antiviral:

  • Redução de cerca de um dia na duração dos sintomas.
  • Diminuição de 40% a 50% das complicações leves em adultos.
  • Redução de 28% das complicações em grupos de alto risco.
  • Queda de 52% nas hospitalizações.
  • Redução de 18% na mortalidade entre idosos.

O medicamento apresenta menor eficácia quando o tratamento é iniciado tardiamente, especialmente após o desenvolvimento de complicações como pneumonia. O uso precoce visa reduzir a duração e intensidade dos sintomas, além de prevenir a progressão para formas mais graves da doença. O país contabiliza 505 óbitos por SRAG associada à Influenza e 270 mortes por SRAG associada à Covid este ano.

Desafios no diagnóstico e diferença entre infecções respiratórias

Apesar da relevância do diagnóstico, nem todos os pacientes realizam testes em serviços de emergência. Restrições orçamentárias e dificuldades de reembolso por parte dos convênios médicos são os principais fatores. Em muitos casos, o teste não altera a conduta clínica, especialmente para pacientes de risco que recebem o antiviral mesmo sem confirmação laboratorial. Exames são mais utilizados em casos hospitalizados e na vigilância epidemiológica.

Diferenciar uma gripe causada por influenza de outras infecções respiratórias, como Covid-19, adenovírus ou Vírus Sincicial Respiratório (VSR), apenas pelos sintomas pode ser complexo. Os sintomas de gripe e Covid-19 são frequentemente sobreponíveis. Uma influenza pode começar como um resfriado comum e evoluir para um quadro grave, assim como a Covid-19 pode simular uma gripe intensa.

A influenza geralmente tem início súbito, febre alta, dores intensas no corpo e maior prostração. O resfriado, por outro lado, tende a ser mais leve, com coriza predominante e sintomas nasais. O contexto clínico e os fatores de risco do paciente são mais relevantes do que a tentativa de diferenciar as doenças unicamente pelos sintomas.

Quando procurar atendimento médico e tipos de Influenza

Pessoas com sintomas respiratórios devem buscar avaliação médica para identificar a causa da infecção e determinar a necessidade de tratamento. A orientação é procurar atendimento principalmente em caso de sinais de gravidade, como falta de ar, respiração acelerada, dor no peito e febre persistente ou que retorna após melhora. Confusão mental e sonolência excessiva também são alertas. Em crianças, dificuldade respiratória, recusa alimentar e gemência indicam a necessidade de assistência médica. Casos leves, sem comorbidades, podem ser acompanhados em casa.

Existem quatro tipos de vírus influenza: A, B, C e D. O tipo D não afeta humanos. Os vírus influenza A e B são clinicamente mais significativos, associados a epidemias e quadros mais graves. O influenza C, por sua vez, costuma provocar infecções leves, semelhantes a resfriados comuns.

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