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Cobra nadadora chega a ilhota de Ibiza e ameaça lagartixa endêmica

Cobra nadadora
Foto: Cobra nadadora - Trygve Finkelsen/Istock.com

Uma cobra registrada em vídeo nadou 450 metros de Ibiza até a ilhota de Santa Eulària em abril de 2024. O animal pertence à espécie Hemorrhois hippocrepis. A cena confirmou o que pesquisadores temiam há anos. A serpente invasora avança sobre populações isoladas da lagartixa de Ibiza.

O registro feito por um guarda de vida silvestre local mostra o réptil cruzando águas turquesas. A prova reforça o risco para a Podarcis pityusensis. Essa lagartixa é endêmica das ilhas Pitiusas. Ela atua como espécie-chave no ecossistema local.

Vídeo registra nado de cobra entre Ibiza e ilhota

O fato ocorreu em 15 de abril de 2024. A cobra deixou a costa leste de Ibiza e chegou à ilhota. A distância é de cerca de 430 a 450 metros. Pesquisadores do Creaf, na Catalunha, analisaram o material. Eles publicaram o estudo na revista Ecology.

Oriol Lapiedra, biólogo do Creaf, acompanhou o caso. Ele citou relatos anteriores de pescadores e turistas. A confirmação em vídeo mudou o entendimento sobre a capacidade de dispersão da espécie. A Hemorrhois hippocrepis não é venenosa. Ela vive no sul e leste da Espanha continental.

  • A cobra chegou a Ibiza há cerca de 20 anos.
  • Importação de oliveiras antigas facilitou o transporte involuntário.
  • Animais e ovos hibernavam dentro das árvores.
  • A espécie ocupa hoje ao menos 90% da ilha principal.
  • Previsão é chegar a 100% até o fim de 2027.

A lista acima resume o histórico da invasão. O tamanho dos exemplares em Ibiza surpreende. Alguns superam 2 metros de comprimento e pesam 2,5 vezes mais que os do continente. A abundância de presas explica o crescimento.

Lagartixa de Ibiza perde populações em ilhotas

A Podarcis pityusensis tem cores variadas. Cada ilhota abriga uma linhagem distinta. Verde, azul, preto, marrom, cinza e laranja aparecem em diferentes grupos. Essa diversidade representa milhares de anos de evolução. Muitas populações já desapareceram.

Em Santa Eulària, o número de lagartixas caiu de 72 indivíduos em 2016 para apenas três em 2023. Outras ilhotas registram extinção local completa. O mesmo ocorreu em S’Ora por volta de 2018. A cobra encontrou caminho pelo mar em pelo menos 14 casos documentados entre 2015 e 2025.

Os pesquisadores observaram o impacto direto. A lagartixa representa mais da metade da dieta da cobra invasora na região. Sem controle natural, o predador avança rápido.

Capturas de serpentes chegam a milhares por ano

O governo das Ilhas Baleares atua junto com instituições científicas. Mais de 3.500 cobras foram capturadas só no ano passado em Ibiza. O total desde 2016 supera 16 mil indivíduos. Mesmo assim, a expansão continua.

O programa de reprodução em cativeiro no zoológico de Barcelona trabalha com oito populações diferentes. O objetivo é criar uma espécie de arca de Noé genética. Especialistas reconhecem que o tamanho pequeno das ilhotas dificulta a sobrevivência.

Lagartixas resistem melhor em áreas urbanas

Nas cidades maiores de Ibiza, as lagartixas ainda mantêm populações estáveis. O tráfego de veículos e a ação humana reduzem o número de cobras nesses locais. As pessoas costumam matar as serpentes por aversão. Esse fator inesperado protege parte dos répteis nativos por enquanto.

A lagartixa controla populações de insetos, incluindo pragas agrícolas. Ela também poliniza flores e dispersa sementes. Sua perda afeta todo o equilíbrio ecológico da região. A União Internacional para a Conservação da Natureza elevou o status da espécie para ameaçada de extinção em 2022.

O caso lembra a invasão da cobra marrom na ilha de Guam, no Pacífico. Lá, aves nativas foram dizimadas. A diferença é que as cobras de Ibiza conseguem nadar e alcançar novos territórios isolados.