Atentado com fuzil em UPA de Mossoró mata assessor e deixa vereador Cabo Deyvison ferido
A noite de segunda-feira foi marcada por extrema violência na cidade de Mossoró, localizada na região Oeste do Rio Grande do Norte, quando criminosos armados abriram fogo contra um representante do legislativo municipal. O episódio brutal resultou na morte imediata de um membro da equipe parlamentar e deixou o político com ferimentos graves nas pernas. Toda a ação criminosa aconteceu de forma inesperada na calçada de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), situada no bairro Alto de São Manoel, gerando pânico entre pacientes e funcionários. O crime ganha contornos ainda mais audaciosos pelo fato de ter sido registrado em tempo real, já que as vítimas realizavam uma transmissão pela internet no exato momento em que os gatilhos foram puxados.
Dinâmica do crime durante atendimento médico na rede pública
Momentos antes do ataque, por volta das 22h, o parlamentar Cabo Deyvison, filiado ao Partido Liberal (PL), utilizava suas redes sociais para mostrar o acompanhamento de pacientes na rede pública de saúde. A direção do complexo médico confirmou que o político de 37 anos prestava auxílio a uma mulher e uma criança, que haviam chegado ao local buscando profilaxia após sofrerem mordidas de um cão. Enquanto o celular capturava as imagens da fachada do prédio, um veículo não identificado se aproximou de maneira abrupta, e os ocupantes descarregaram o armamento na direção do grupo. Os projéteis perfuraram as paredes do centro médico, passando a poucos centímetros de civis inocentes que aguardavam triagem.
O alvo dos disparos tentou buscar abrigo, mas a intensidade do fogo cruzado tornou a fuga impossível para todos os presentes. Alyson Dyego de Oliveira Morais, que também tinha 37 anos e atuava como braço direito do político, foi atingido de forma letal enquanto segurava o equipamento de filmagem. Profissionais de saúde da própria UPA tentaram realizar manobras de reanimação no colaborador, porém a gravidade das perfurações causou o óbito antes mesmo de uma transferência para o centro cirúrgico. Já o legislador municipal recebeu torniquetes e curativos compressivos na emergência local, sendo posteriormente estabilizado e encaminhado sob forte escolta policial para as dependências do Hospital Regional Tarcísio Maia.
Pronunciamento da assessoria e mobilização nas redes sociais
Com a rápida repercussão das imagens do tiroteio na internet, a equipe de comunicação do gabinete precisou agir rapidamente para conter boatos sobre o falecimento do político. Através de uma nota oficial disparada nas plataformas digitais, os assessores confirmaram que o quadro clínico do representante eleito é considerado estável pelos médicos plantonistas, sem risco iminente de morte. O documento virtual também dedicou um espaço significativo para lamentar a perda trágica do funcionário que perdeu a vida no exercício de sua função. O texto encerrou pedindo que a população e os eleitores formassem uma corrente de fé, solicitando orações tanto para a plena recuperação do sobrevivente quanto para o conforto dos familiares enlutados pela violência urbana.
Suspeita de retaliação orquestrada pelo crime organizado
O trabalho de inteligência da Polícia Civil potiguar já trabalha com uma linha de investigação bastante definida, apontando que a execução não foi obra do acaso ou uma tentativa de assalto frustrada. Os investigadores acreditam firmemente que o ataque foi encomendado e tinha o legislador como alvo principal da emboscada noturna. Essa tese ganha força devido ao histórico recente de discursos do político no plenário da Câmara Municipal, onde ele vinha denunciando de forma contundente o avanço territorial e as táticas de intimidação de facções criminosas que operam na região. O enfrentamento público a esses grupos ilícitos é considerado a peça-chave para desvendar os mandantes e os executores da ação letal.
Vestígios balísticos e materiais apreendidos pelas autoridades
A resposta das forças de segurança pública resultou na descoberta de elementos cruciais para a montagem do quebra-cabeça investigativo ainda nas primeiras horas da madrugada. Durante rondas ostensivas, guarnições localizaram o automóvel supostamente utilizado como rota de fuga pelos atiradores, que foi deixado para trás no bairro Alameda dos Cajueiros. Para organizar o inquérito, os peritos criminais catalogaram os seguintes itens e cenários:
- Apreensão de um carregador alongado compatível com munição de calibre 5.56, armamento de guerra com alto poder de destruição.
- Mapeamento de dezenas de perfurações na alvenaria e nos vidros da entrada principal da Unidade de Pronto Atendimento.
- Recolhimento do veículo abandonado, que passará por varredura em busca de impressões digitais e material genético dos criminosos.
- Análise minuciosa das imagens da transmissão ao vivo e das câmeras de monitoramento do entorno do hospital.
O calibre 5.56 encontrado na cena do crime chama a atenção dos especialistas em segurança pública, pois trata-se de uma munição projetada para fuzis de assalto, capaz de perfurar coletes balísticos e blindagens leves. O delegado Renato Oliveira, que assumiu a liderança do caso, classificou a investida como um ato de barbárie sem precedentes recentes na cidade. A autoridade policial destacou a irresponsabilidade dos criminosos ao utilizarem armas de grosso calibre em uma área de densa circulação de pessoas vulneráveis. Segundo o investigador, a atitude violenta colocou em risco iminente a vida de médicos, enfermeiros, pacientes acamados e familiares, exigindo uma resposta enérgica e imediata do Estado contra o crime organizado.
Isolamento da cena do crime e histórico do parlamentar
Imediatamente após o cessar-fogo, viaturas da Polícia Militar estabeleceram um perímetro de segurança rigoroso ao redor do complexo de saúde, impedindo a entrada e saída de pessoas não autorizadas. Essa medida de isolamento foi fundamental para preservar os estojos de munição espalhados pelo asfalto até a chegada dos especialistas do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP). Apesar do grande contingente policial mobilizado para realizar cercos nas rodovias e estradas vicinais que cortam o município de Mossoró, nenhum suspeito de participação direta ou indireta no homicídio havia sido capturado até a elaboração desta reportagem. As delegacias especializadas continuam recebendo denúncias anônimas que possam levar ao paradeiro do grupo armado.
A vítima sobrevivente do atentado possui uma longa trajetória ligada à segurança pública antes de ingressar na vida partidária. Eleito no pleito municipal de 2024, o político cumpre atualmente o seu primeiro mandato na Câmara de Vereadores de Mossoró, onde construiu sua base eleitoral pautada na defesa da lei e da ordem. Antes de assumir a cadeira no legislativo potiguar, ele dedicou mais de treze anos de sua vida ao serviço ativo na Polícia Militar do Estado do Ceará. Essa experiência pregressa nas ruas e o conhecimento tático militar podem ter sido fatores determinantes para que ele conseguisse reagir ou se proteger parcialmente durante a rajada de tiros que ceifou a vida de seu assessor de confiança.
















