Mundial de 2026 nos Estados Unidos terá esquadrão formado por filhos de lendas do futebol
A próxima edição do principal torneio da Fifa, que ocorrerá simultaneamente nos Estados Unidos, México e Canadá, servirá como palco para uma verdadeira passagem de bastão. Diversos atletas que desembarcarão na América do Norte carregam o peso de sobrenomes que já brilharam em torneios passados, tentando agora construir uma trajetória independente da fama de seus pais.
O termo em inglês “nepo babies”, frequentemente usado em Hollywood para designar herdeiros de celebridades, ganhou força no esporte mais popular do planeta. Com a expansão do torneio para 48 seleções, a probabilidade de cruzamentos familiares aumentou consideravelmente, permitindo até mesmo a escalação teórica de um time titular inteiro formado apenas por descendentes diretos de ex-mundialistas.
Sistema defensivo conta com arqueiros e defensores de linhagem famosa
Para proteger a baliza dessa equipe imaginária, o escolhido seria Luca Zidane, que optou por representar a Argélia no próximo ciclo. O goleiro nasceu no exato ano em que seu pai, o craque Zinedine Zidane, destruiu o sonho do tetracampeonato brasileiro ao marcar dois gols de cabeça na decisão de 1998, garantindo a taça inédita para os franceses.
O setor de zaga traz representantes de campanhas históricas, começando pelo sul-coreano Lee Tae-Seok. O atleta carrega o DNA de Lee Eul-Young, peça fundamental daquele surpreendente esquadrão asiático que chocou o planeta ao chegar à fase semifinal no torneio sediado em conjunto com o Japão no início do milênio.
Na mesma linha defensiva aparece o senegalês Mamadou Sarr, inspirado pela zebra protagonizada por seu patriarca, Pape Sarr. O veterano esteve em campo quando a nação africana calou os críticos ao derrotar a então atual campeã França logo na partida inaugural da competição de 2002.
Fechando a proteção da área, o neozelandês Tyler Bindon, de apenas 21 anos, traz um ineditismo para os registros da Fifa. Ele e sua mãe, Jenny Bindon, formam o primeiro caso registrado de mãe e filho a disputarem a competição máxima do esporte, já que ela foi a dona das luvas da seleção feminina da Oceania nas edições de 2007 e 2011.
Meiúca apresenta promessas sul-americanas e europeias de sangue ilustre
A organização das jogadas tem forte sotaque portenho, liderada por Giuliano Simeone. O jovem é fruto de Diego Simeone, volante aguerrido que defendeu a Argentina em três mundiais e que ficou marcado na memória dos torcedores por cavar a expulsão do astro inglês David Beckham durante um tenso confronto eliminatório na França.
Outro talento albiceleste é Nico Paz, cujo pai, Pablo Paz, também integrou o elenco sul-americano no final dos anos 1990. Cruzando o oceano, o norueguês Kristian Thorstvedt viverá a experiência de atuar no mesmo território norte-americano onde seu pai, Erik Thorstvedt, defendeu a meta escandinava há mais de três décadas.
O toque final no meio de campo fica por conta do paraguaio Damián Bobadilla, que atualmente veste a camisa do São Paulo no futebol brasileiro. O volante cresceu vendo o pai, Aldo Bobadilla, atuar como goleiro da equipe guarani nas competições realizadas na Alemanha e na África do Sul.
Ataque estrelado mistura artilheiros atuais com ícones do passado
O poder de fogo dessa seleção de herdeiros começa com o francês Marcus Thuram, atual atacante da Inter de Milão. Ele tenta honrar a camisa azul da mesma forma que Lilian Thuram, um dos pilares defensivos da geração de ouro que levantou o troféu em casa e que ainda disputou os dois torneios seguintes.
Pelas pontas, o holandês Justin Kluivert busca repetir o faro de gol de Patrick Kluivert. O ex-centroavante foi o responsável por empatar o dramático duelo contra a seleção brasileira na semifinal de 1998, forçando uma disputa de pênaltis que terminaria com a vitória verde e amarela.
O grande protagonista do ataque, no entanto, é o artilheiro Erling Haaland. O implacável goleador norueguês do Manchester City sequer era nascido quando Alf-Inge Haaland, seu pai, correu pelos gramados dos Estados Unidos durante a campanha escandinava no verão de 1994.
Árvore genealógica se expande para irmãos e sobrinhos de veteranos
A teia de parentescos que envolve o próximo torneio vai muito além da tradicional linhagem paterna. Diversos convocados desembarcarão na América do Norte carregando laços sanguíneos com tios e irmãos que já escreveram seus nomes na história da competição.
O espanhol Marcos Llorente, por exemplo, é sobrinho-neto do lendário Francisco Gento. O ícone do Real Madrid, único homem a vencer seis Ligas dos Campeões, também teve a honra de representar a Fúria em duas oportunidades no principal palco do esporte global.
Pela seleção da Tunísia, Rani Khedira tentará surpreender os adversários inspirado pelo sucesso familiar. O volante é o irmão caçula de Sami Khedira, peça-chave da engrenagem alemã que conquistou o tetracampeonato no Maracanã há doze anos.
Há também o curioso caso de lendas absolutas que nunca jogaram o torneio, mas que verão seus filhos realizarem esse sonho. Jordan Ayew carrega o legado do ganês Abedi Pelé, enquanto Timothy Weah atua pelos Estados Unidos para compensar a ausência de George Weah, craque liberiano que venceu a Bola de Ouro, mas nunca classificou seu país para a fase final.
Nomes adicionais que mantêm viva a tradição familiar nos gramados
O catálogo de descendentes ilustres não se esgota nos onze titulares dessa equipe hipotética. Uma análise profunda das convocações revela uma lista extensa de atletas que cresceram ouvindo histórias de vestiário sobre a pressão e a magia de disputar o campeonato organizado pela Fifa.
O arqueiro escocês Angus Gunn defenderá as redes do Reino Unido com o mesmo sobrenome de Brian Gunn. O veterano esteve presente na campanha de 1990, na Itália, quando a Escócia acabou superada pelo Brasil por um placar magro na fase de grupos.
A Noruega prova ser um verdadeiro celeiro de herdeiros, adicionando Alexander Sørloth à lista que já conta com Haaland e Thorstvedt. O centroavante é filho de Gøran Sørloth, mais um integrante daquela mesma delegação nórdica que viajou aos Estados Unidos na década de 1990.
Em Portugal, o veloz Francisco Conceição segue a trilha aberta por Sérgio Conceição, que vestiu a camisa lusa na Ásia em 2002. Simultaneamente, o norte-americano Giovanni Reyna tentará liderar os anfitriões com a mesma braçadeira de capitão que seu pai, Claudio Reyna, utilizou em quatro edições distintas.
Ainda no elenco dos Estados Unidos, Sebastian Berhalter apresenta uma dinâmica familiar ainda mais complexa. Seu pai, Gregg Berhalter, não apenas calçou as chuteiras em mundiais passados, como também chegou a comandar a própria seleção nacional na beira do gramado como treinador.
Muito além da disputa pela taça de ouro maciço, o evento de 2026 funcionará como uma grande reunião de famílias tradicionais do esporte. A presença maciça desses herdeiros garante que sobrenomes históricos continuem ecoando pelos estádios, provando que o talento, em muitos casos, realmente passa de geração para geração.

