Uma grave vulnerabilidade de segurança, que a Apple não consegue corrigir, afeta todos os modelos de iPhone XS e iPhone 11. O problema, revelado hoje pela empresa de segurança Paradigm Shift, detalha que a falha, batizada de “usbliter8”, atinge especificamente os aparelhos equipados com os chips A12 e A13 da gigante de tecnologia.
A exploração de prova de conceito apresentada pela Paradigm Shift ressalta que essa brecha possui similaridades com o conhecido exploit “checkm8”, que continua a impactar dispositivos que vão desde o iPhone 4S até o iPhone X. A persistência de vulnerabilidades de hardware levanta preocupações sobre a longevidade da segurança em alguns modelos mais antigos.
A nova falha explora uma debilidade no controlador USB, parte integrante dos chips A12 e A13. Essa brecha permite a inserção de pacotes específicos para manipular um marcador no hardware, abrindo caminho para a gravação de dados em áreas desprotegidas da memória e até a instalação de um driver malicioso que compromete a segurança do sistema.
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Entenda por que a falha usbliter8 não pode ser corrigida pela Apple
A impossibilidade de correção desta vulnerabilidade reside no fato de que o exploit acessa o BootROM (ou SecureROM), o código primário que o iPhone executa ao ser ligado. Este código é inserido diretamente no chip durante o processo de fabricação e, por sua natureza, não pode ser alterado ou atualizado por meio de software, tornando a falha permanente.
Isso significa que a falha usbliter8 nunca poderá ser completamente eliminada, e os seguintes modelos de iPhone permanecerão vulneráveis indefinidamente:
- Apple iPhone XS (70.9 x 143.6 x 7.7 mm – 5.8 polegadas – 2436×1125 px)
- Apple iPhone XS Max (77.4 x 157.5 x 7.7 mm – 6.5 polegadas – 2688×1242 px)
- Apple iPhone 11 (75.7 x 150.9 x 8.3 mm – 6.1 polegadas – 1792×828 px)
- Apple iPhone 11 Pro (71.4 x 144 x 8.1 mm – 5.8 polegadas – 2436×1125 px)
- Apple iPhone 11 Pro Max (77.8 x 158 x 8.1 mm – 6.5 polegadas – 2688×1242 px)
Apesar das más notícias para esses modelos, uma informação positiva é que os iPhones equipados com o chip A14 estão imunes a esta exploração. Nestes dispositivos, o driver USB é projetado para redefinir o marcador após cada pacote de inicialização, uma medida de segurança ausente nos chips A12 e A13, que mantêm a configuração vulnerável.
Embora os chips A12 e A13 compartilhem o mesmo bug fundamental, a Paradigm Shift esclarece que o A13 oferece uma resistência ligeiramente maior. Invadir o A13 requer passos adicionais para contornar os Códigos de Autenticação de Ponteiro (Pointer Authentication Codes), uma funcionalidade que detecta e bloqueia adulterações na memória, mas não impede completamente a invasão.
Uma vez que o exploit consegue penetrar no sistema, ele temporariamente diminui as configurações de segurança do aparelho. Isso permite a execução de softwares não autorizados sem as verificações habituais, abrindo uma porta para a instalação de spywares e malwares. A presença da mesma sequência “PWND”, usada no exploit checkm8, serve como um sinal claro de que o dispositivo foi comprometido.
A empresa Paradigm Shift agiu com responsabilidade, informando a equipe de segurança de produtos da Apple (Apple Product Security) sobre a falha antes de sua divulgação pública. Ambas as partes trabalharam em conjunto para coordenar o aviso aos usuários sobre essa vulnerabilidade crítica.
