Recomendação do Itaú BBA: preferência pela Caixa Seguridade e indicação de venda para BB Seguridade em 2026

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Banco Itaú

Banco Itaú - Foto: Joa_Souza/ Istockphoto.com

Uma análise recente do Itaú BBA trouxe revisões nas estimativas para BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3), após a incorporação dos dados do primeiro trimestre de 2026 e informações atualizadas da Superintendência de Seguros Privados (Susep) até o mês de abril.

O banco manteve a classificação “underperform”, sugerindo um desempenho abaixo da média do mercado para as ações da BB Seguridade, com um preço-alvo estabelecido em R$ 32 para o final de 2026. Já para a Caixa Seguridade, a recomendação permaneceu “market perform”, indicando que a empresa deve performar em linha com o mercado, com um preço-alvo de R$ 18.

De acordo com os analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, os números projetados para 2026 e 2027 não sofreram grandes alterações, mas os dados da Susep acentuam a distinção entre as duas seguradoras. Na percepção do Itaú BBA, a Caixa Seguridade demonstra maior capacidade de recuperação, impulsionada pelo vigor do crédito imobiliário e do segmento de previdência, enquanto a BB Seguridade lida com uma fraqueza generalizada na emissão de prêmios.

Desafios operacionais da BB Seguridade e as projeções de lucro

O Itaú BBA reitera que os levantamentos mais recentes solidificam sua visão mais conservadora em relação à BB Seguridade (BBSE3). A expectativa é que as pressões sobre os resultados da Brasilseg continuem ao longo de 2026, em virtude do acesso mais restrito ao crédito para produtores rurais e da diminuição das margens no agronegócio. Embora os indicadores de sinistralidade permaneçam controlados, o banco considera que um cenário de safra desfavorável representaria um risco adicional para a companhia.

O banco projeta uma redução de aproximadamente 14% no lucro da Brasilseg para 2026, seguida por uma fase de estabilidade em 2027. No caso da Brasilprev, mesmo com as reservas previdenciárias se aproximando do limite superior da faixa de crescimento de 8% a 11% apontada pela administração, essa expansão ainda sinaliza uma perda de participação de mercado. Além disso, o Itaú BBA antecipa uma desaceleração das receitas geradas por taxas de administração, em função da compressão das margens.

Em termos consolidados, a previsão é de um recuo de cerca de 6% no lucro da BB Seguridade em 2026, com uma leve recuperação de aproximadamente 2% em 2027. Além das dificuldades operacionais, o Itaú BBA ressalta que a renovação do contrato de distribuição com o Banco do Brasil permanece como um elemento de incerteza para o mercado. Tais acordos são cruciais para o modelo de negócios das seguradoras atreladas a bancos, pois definem o acesso a uma vasta base de clientes, e os termos da renovação podem impactar significativamente as receitas futuras.

Apesar de negociar a cerca de 9 vezes o lucro estimado para 2026 e apresentar um dividend yield em torno de 10%, o banco avalia que o retorno atual não é suficiente para compensar o período prolongado de fragilidade nos resultados.

A resiliência da Caixa Seguridade impulsionada por crédito imobiliário

A visão do Itaú BBA sobre a Caixa Seguridade é mais otimista. Dados da Susep indicaram um crescimento de 3% nos prêmios emitidos em abril, com um aumento notável de 14% no segmento de crédito imobiliário.

Por outro lado, houve uma diminuição de 27% nos seguros prestamistas em comparação com o ano anterior, impactada pelos juros mais altos e pela interrupção das operações de crédito consignado do INSS. Contudo, o banco acredita que parte dessas perdas poderá ser mitigada pelo lançamento de um novo produto de seguro prestamista focado no crédito consignado privado.

As reservas de previdência da Caixa Seguridade apresentaram um avanço de 16% na comparação anual, o ritmo mais acelerado entre as seguradoras ligadas a bancos monitoradas pelo Itaú BBA. Mesmo com as mudanças nas regulamentações do VGBL e do IOF tendo provocado uma queda nas contribuições brutas, o fluxo líquido da previdência segue em patamares elevados.

O banco manteve as projeções para 2026 e 2027 praticamente estáveis, prevendo um crescimento de lucro de cerca de 8% em 2026 e 11% em 2027, fundamentado em uma baixa taxa de sinistralidade.

Na análise do Itaú BBA, no entanto, o preço da ação já reflete esse sólido desempenho operacional. Negociando a aproximadamente 12,5 vezes o lucro projetado para 2026 e com um dividend yield em torno de 7%, a Caixa Seguridade mantém a recomendação “market perform”, sinalizando uma expectativa de desempenho alinhado ao do mercado.