Um caso de grande impacto pessoal marcou a cobertura de um acidente fatal no norte do Paraná, nesta segunda-feira (22), quando um jornalista identificou o próprio tio como a vítima. A tragédia ocorreu na BR-376, no município de Mandaguaçu, chocando a equipe presente e expondo a imprevisibilidade da profissão.
Ivo Alves Leite, de 69 anos, foi a pessoa atingida pelo veículo pesado. Testemunhas e gravações de câmeras de segurança indicaram que ele tentava cruzar a movimentada rodovia federal no momento em que foi atingido por um caminhão.
Apesar dos esforços das equipes do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que chegaram rapidamente ao local, Ivo não sobreviveu aos graves ferimentos sofridos e faleceu.
O repórter Eduardo Leandro, profissional de uma emissora de televisão em Maringá, fazia a cobertura da fatalidade. Ele relatou que, ao chegar na cena do acidente, o corpo estava coberto, o que o impedia de reconhecer a identidade da vítima naquele instante.
Durante a apuração, em conversa com as testemunhas presentes, o jornalista foi informado sobre a descoberta de um cartão com o nome de Ivo. Diante da possibilidade, ele solicitou às equipes de socorro permissão para verificar e confirmar se a vítima era, de fato, seu familiar.
“Eu pedi para ver o corpo porque imaginei que alguém poderia ter furtado os documentos, mas a hora que vi que era ele, foi um baque tremendo”, desabafou Eduardo. “A gente chega para cobrir um fato sem saber quem são os envolvidos, e de repente se depara com uma situação assim. A sensação é horrível.” A experiência ressalta o lado imprevisível e doloroso do trabalho jornalístico, onde a objetividade profissional pode colidir de forma abrupta com o drama pessoal de forma tão rara e impactante.

