Mercado de carros eletrificados cresce no Brasil: entenda as diferenças entre as siglas HEV, PHEV e BEV

Carro elétrico carregando

Carro elétrico carregando - Foto: Ralf Hahn/ Istockphoto.com

O comércio de automóveis com propulsão alternativa no território nacional apresentou um salto de 9,5% nos seis primeiros meses de 2025, alcançando a marca de 86.849 veículos comercializados, conforme levantamento divulgado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Esse avanço comercial se espalha por todas as regiões do país, sendo fortemente puxado por montadoras como a BYD e a Toyota, que disponibilizam em seus catálogos as variantes HEV, PHEV e BEV. Embora os motoristas estejam cada vez mais interessados em economizar combustível e diminuir a poluição ambiental, ainda existe muita confusão na hora de entender o que cada uma dessas siglas realmente entrega nas ruas.

Atualmente, os automóveis que combinam dois tipos de motores lideram a preferência nacional, abocanhando 64,8% dos emplacamentos, ao passo que as versões movidas exclusivamente a bateria respondem por 25% da fatia de mercado. Esse movimento de alta está diretamente ligado aos recentes aportes financeiros para a fabricação nacional desses bens e à ampliação da rede de abastecimento, que já conta com aproximadamente 15 mil estações de recarga espalhadas pelo território brasileiro.

Carro elétrico – Foto: coffeekai/ Istockphoto.com
  • Destaques de vendas: O utilitário BYD Song Pro registrou 11.118 saídas das concessionárias, seguido de perto pelo GWM Haval H6, que acumulou 10.708 unidades entregues.
  • Avanço por categoria: Os modelos do tipo PHEV deram um salto de 38% no mês de agosto, passando a representar 40% de todo o volume comercializado no segmento.
  • Expectativa para o ano: A indústria automotiva projeta ultrapassar a barreira de 200 mil veículos eletrificados rodando no país até o encerramento de 2025.

Mecânica e vantagens dos automóveis classificados como HEV

A categoria HEV (Hybrid Electric Vehicle) caracteriza-se por unir um propulsor tradicional a um sistema elétrico, dispensando totalmente o uso de tomadas para repor a energia. Nesse arranjo mecânico, o bloco movido a gasolina ou etanol atua como a força principal do carro, enquanto o pequeno motor a eletricidade entra em ação para dar suporte durante arrancadas e em momentos de tráfego lento.

O reabastecimento do componente elétrico acontece de forma autônoma, aproveitando a energia cinética gerada durante as frenagens e também utilizando parte da força do próprio motor a combustão. Graças a essa dinâmica inteligente, o rendimento do combustível pode apresentar uma melhora de até 30% no trânsito das cidades, segundo medições realizadas por institutos especializados em engenharia automotiva.

Um dos representantes mais conhecidos dessa tecnologia é o sedã Toyota Corolla Hybrid, que ganhou fama no mercado nacional por sua resistência mecânica e pelos custos reduzidos nas revisões periódicas.

Como operam as versões PHEV que exigem conexão na tomada

Os chamados PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle) também mesclam a queima de combustível com a eletricidade, com o diferencial crucial de possuírem um plugue para carregamento externo, o que eleva a capacidade de rodar sem gastar gasolina para distâncias superiores a 100 quilômetros. Esse perfil técnico transforma a categoria na ponte ideal para os motoristas que desejam migrar gradativamente para o universo da mobilidade 100% livre de emissões.

Por contarem com acumuladores de energia mais robustos, esses carros geralmente exigem a instalação de um carregador de parede (wallbox) na garagem do proprietário para garantir um tempo de recarga viável. Apenas no mês de maio de 2025, essa fatia do mercado contabilizou 7.581 novos registros nos Detrans, tendo o SUV GWM Haval H6 como o grande campeão de preferência.

O grande trunfo dessa engenharia é entregar um gasto mínimo de combustível no dia a dia urbano, sem tirar a liberdade de encarar viagens rodoviárias extensas sem a preocupação de encontrar um eletroposto. Fabricantes asiáticas, a exemplo da BYD, já equipam seus veículos com sistemas de gerenciamento eletrônico que decidem sozinhos qual é a fonte de energia mais eficiente para cada momento do trajeto.

A popularização dos sistemas híbridos leves no cenário nacional

Conhecidos pela sigla MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle), os híbridos leves empregam uma rede elétrica suplementar apenas para aliviar o esforço do motor principal, sendo incapazes de movimentar as rodas usando exclusivamente a eletricidade. O pequeno conjunto de baterias presente nesses automóveis tem como único objetivo diminuir o gasto de gasolina e cortar uma fração dos gases poluentes liberados pelo escapamento.

Veículos recentes da montadora italiana, como o Fiat Pulse e o Fastback, apostaram nesse formato mecânico, chegando às lojas com etiquetas que partem da casa dos R$ 180 mil. No entanto, a própria ABVE levanta debates sobre a inclusão desses carros na mesma categoria dos eletrificados tradicionais, argumentando que o benefício ambiental gerado por essa tecnologia é bastante restrito.

A comercialização das variantes híbridas que aceitam etanol disparou 118%, embora ainda correspondam a tímidos 8,1% do volume geral do setor. Analistas do mercado automotivo enxergam nessa solução uma porta de entrada mais barata para quem quer ter o primeiro contato com a eletrificação. O foco dessa engenharia é otimizar o funcionamento de carros de porte menor, substituindo o alternador e o motor de partida convencionais por um gerador elétrico que deixa as trocas de marcha e o sistema start-stop muito mais suaves.

Desafios e características dos modelos totalmente elétricos

A sigla BEV (Battery Electric Vehicle) define os carros que dependem única e exclusivamente de um conjunto de baterias e um motor elétrico para andar, banindo por completo qualquer tipo de combustível derivado do petróleo. A capacidade de rodagem desses automóveis costuma ficar na faixa de 300 a 500 quilômetros com uma única carga completa, variando conforme o peso e a aerodinâmica do projeto.

O principal gargalo no Brasil ainda é a rede de carregadores públicos, que está fortemente aglomerada nas regiões Sul e Sudeste, apesar do esforço contínuo para atingir a marca de 15 mil plugues disponíveis. Durante o mês de agosto de 2025, essa categoria registrou a saída de 7.624 unidades zero quilômetro, o que equivale a 38% de toda a frota eletrificada negociada no período.

A fabricante chinesa BYD mantém a coroa nesse nicho com o compacto Dolphin Mini, que sozinho foi responsável por 2.399 licenciamentos logo no mês de fevereiro. A expectativa da indústria é que o desenvolvimento de novas composições químicas para as células de energia proporcione distâncias muito maiores nas próximas gerações de veículos.

Encher o tanque de elétrons na tomada de casa gera um impacto na conta de luz que oscila entre R$ 30 e R$ 50 a cada ciclo de carregamento total. Como não existe queima de fluidos sob o capô, o veículo zera completamente a emissão de gases de efeito estufa enquanto está em movimento pelas ruas.

O ranking das montadoras e o futuro do mercado automotivo

O utilitário esportivo BYD Song Pro assumiu a ponta da tabela com 11.118 vendas na primeira metade do ano, perseguido de perto pelo rival GWM Haval H6. O terceiro lugar ficou com o Toyota Corolla Cross, que aposta todas as suas fichas na tecnologia HEV tradicional. Apenas no mês de julho, os carros de plugar na tomada (PHEV) abocanharam 45% das negociações, somando 12.006 unidades entregues aos clientes, consolidando o domínio das marcas de origem chinesa, que hoje controlam 51% de todo esse segmento.

As estimativas das associações de classe apontam para um fechamento de ano com 215 mil carros comercializados, impulsionados pela alta de 118% nos motores flex eletrificados. Novidades recém-chegadas, como o GAC Aion Y Elite, já começam a aparecer nas listas de mais vendidos. O movimento mais claro para os próximos meses é a nacionalização das linhas de montagem, o que deve diminuir a dependência dos navios cargueiros, focando especialmente nos SUVs de porte médio, que hoje representam 70% do desejo de compra dos brasileiros.

Como o bolso e a rotina definem a compra do consumidor

A distância que o carro consegue percorrer antes de parar é o fator decisivo para quem está assinando o cheque na concessionária. Nesse cenário, os modelos HEV entregam a tranquilidade de não precisar procurar tomadas, sendo a escolha mais sensata para motoristas que dividem a rotina entre o asfalto da cidade e as rodovias.

Já as opções PHEV brilham na contenção de despesas urbanas, permitindo ir e voltar do trabalho usando apenas a carga da bateria. Por outro lado, os carros 100% elétricos (BEV) seduzem pelo apelo ecológico e pelo silêncio absoluto, exigindo, em contrapartida, que o proprietário calcule muito bem as paradas em viagens longas.

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