Onda de calor na França causa cerca de 20 óbitos por afogamento em busca de alívio nas águas
Vinte pessoas perderam a vida por afogamento na França neste fim de semana, conforme divulgado pelas autoridades locais. Elas buscavam refresco em locais sem fiscalização, fugindo da intensa onda de calor que atinge o país e outras nações europeias.
A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, enfatizou na rádio France Inter a seriedade de nadar em áreas não permitidas durante períodos de alta temperatura. Os meteorologistas preveem que a temperatura em grande parte do território francês atingirá aproximadamente 40 graus Celsius (104 graus Fahrenheit) na terça-feira.
Em um outro comunicado, órgãos públicos informaram que o calor extremo provavelmente causou a morte de duas crianças, de dois e quatro anos. Elas foram achadas sem vida dentro de um carro, estacionado em frente à sua casa na cidade de Carpentras, no sudeste da França.
Adicionalmente, três idosos, com idades entre 80 e 95 anos, faleceram na área de Bordéus devido a complicações de saúde ligadas às altas temperaturas. A informação foi confirmada por Sophie Brocas, autoridade regional, à France TV.
A atual onda de calor estabeleceu novos recordes de temperatura em várias cidades, como Bordéus e Poitiers, exercendo pressão sobre as redes elétricas e os serviços públicos. O serviço meteorológico francês emitiu um alerta vermelho para 54 regiões, em um país onde o uso de ar condicionado não é generalizado, levando escolas a encerrar mais cedo ou a ajustar seus horários para resguardar os estudantes.
Em outras partes da Europa, o Met Office britânico, serviço meteorológico do Reino Unido, divulgou um alerta na segunda-feira sobre uma onda de calor de quatro dias. As previsões indicam temperaturas que podem ultrapassar os 39°C (102°F) em certas áreas, facilmente superando os recordes de junho de 35,6°C (96°F) registrados em 1957 e 1976.
Poucas semanas antes desse anúncio, o Reino Unido já havia registrado a sua temperatura mais elevada para o mês de maio.
“Trinta e seis graus vai ser horrível”, comentou Lewis Jennings, cientista de dados, à agência de notícias Reuters, em Londres. Especialistas em meteorologia indicaram que as temperaturas estão entre 5 e 10 graus Celsius (9 a 18 graus Fahrenheit) acima do que é considerado normal para a época, com anomalias ainda mais acentuadas nas regiões do norte.
A Espanha também vem enfrentando um calor intenso. San Sebastián, uma cidade ao norte geralmente mais amena, deve alcançar 40°C (104°F), um valor mais que o dobro da média histórica para 22 de junho, segundo informações do Monitor Climático da Reuters.
Naquele dia, o monitor climático mostrou que a Europa se destacava como o continente mais afastado de suas condições históricas de temperatura.
O calor extremo atual é resultado de um fenômeno atmosférico conhecido como “Bloco Ômega”, nomeado por sua semelhança com a forma da letra grega. Esse sistema climático retém uma vasta massa de ar quente sobre o continente, enquanto massas de ar mais frias permanecem em suas extremidades.
“Ele está atraindo ar quente do Norte da África, vindo do Saara, e é por isso que estamos experimentando esse calor tão intenso. É um movimento muito lento, o que implica ausência de vento e brisa para aliviar a sensação térmica”, explicou Clair Barnes, pesquisadora associada em clima e tempo extremo no Imperial College de Londres, à Reuters.
Segundo ela, as ondas de calor e as tempestades estão sendo intensificadas pelas alterações climáticas. Esse fenômeno global não só eleva as temperaturas, mas também contribui para um aumento nos volumes de chuva.
















