França registra corte de energia em massa devido a calor extremo e deixa milhares sem alívio
As ondas de calor castigam grande parte da Europa ocidental há dias, e as autoridades do norte da França mobilizaram equipes na quarta-feira (24) para restabelecer o fornecimento de energia elétrica a milhares de residências afetadas por interrupções.
Hospitais, clínicas e outros locais essenciais receberam prioridade nos trabalhos, com o fornecimento de geradores para manter o funcionamento de casas de repouso. As interrupções da terça-feira foram atribuídas a um incidente com um transformador.
Em um comunicado, os representantes locais afirmaram que “o incidente foi acidental e está relacionado à onda de calor atual”. Eles também confirmaram que não houve relatos de feridos.
As temperaturas recordes em todo o continente europeu, que chegaram a 18 graus Celsius acima da média, causaram transtornos nas redes de transporte. Escolas e pontos turísticos foram forçados a fechar devido ao calor extremo.
A agência meteorológica Meteo France destacou que as condições atuais são semelhantes a uma onda de calor ocorrida em agosto de 2003. Aquele evento, que se estendeu por 16 dias, resultou em cerca de 80 mil mortes adicionais em toda a Europa, um lembrete sombrio dos impactos severos.
Ainda não há certeza sobre a duração da onda de calor atual. O fenômeno é impulsionado por um padrão climático conhecido como “bloqueio ômega”, uma formação que permite que as temperaturas aumentem dia após dia.
A Organização Meteorológica Mundial alerta que a Europa está aquecendo a uma taxa superior ao dobro da média global. Essa elevação acelerada torna episódios prolongados de calor extremo cada vez mais prováveis, impactando diretamente a frequência e intensidade de eventos como o atual.
A intensa onda de calor levou construtoras a modificar os horários de trabalho, permitindo que seus funcionários evitem as horas de pico de calor. O varejo enfrenta dificuldades para atender à alta demanda por ventiladores e aparelhos de ar-condicionado portáteis, enquanto agricultores colhem grãos durante a noite, após uma proibição de atividades no período da tarde devido a riscos de incêndio.
Além disso, dezenas de pessoas morreram afogadas ao tentarem se refrescar em rios e lagos para fugir do calor.
No Reino Unido, a operadora da rede elétrica solicitou aos geradores que disponibilizassem mais energia. O país enfrenta temperaturas elevadas, que podem quebrar recordes ainda na quarta-feira.
Com temperaturas na casa dos 30 graus Celsius, as autoridades de saúde britânicas emitiram um alerta de saúde de “calor vermelho”. É apenas a segunda vez na história que este nível de aviso é acionado, indicando risco de vida para pessoas saudáveis, além de doentes e idosos.
As operadoras de trens do Reino Unido recomendaram que apenas viagens essenciais fossem realizadas na quarta e quinta-feira, os dias mais quentes. O calor provocou restrições de velocidade nos transportes ferroviários.
No sudeste da França, uma tragédia ocorreu com duas crianças, de dois e quatro anos. Elas faleceram dentro de um carro quente, estacionado perto de sua casa, e a autópsia confirmou que a causa foi o calor excessivo.
A mãe das crianças declarou que elas estavam no veículo sem o seu conhecimento, conforme informou o promotor regional.
O Ministério da Saúde da Itália emitiu seu alerta máximo de calor para 16 cidades. A lista inclui importantes centros urbanos como Florença, Milão, Roma, Turim e Verona.
As previsões indicam que as condições devem piorar ainda mais, principalmente nas regiões central e norte do país. Meteorologistas apontam que a onda de calor pode atingir seu pico entre domingo e segunda-feira.
As temperaturas podem chegar a 41 graus Celsius entre a Toscana e a Emilia. Em áreas costeiras, como a Ligúria, a combinação de calor e umidade extrema pode fazer com que a sensação térmica alcance 45 graus Celsius.

















