Cultura de apostas: brasileiros preferem sorteios enquanto portugueses apostam mais em futebol
Todos sabemos que Brasil e Portugal são países com laços muito fortes – o fato do Brasil ter feito parte do Império português deixou traços na cultura brasileira muito presentes até o dia de hoje, seja na religião, seja no idioma ou até mesmo na culinária, para não citar vários outros exemplos.
Porém, há também diferenças entre esses dois países, inclusive nos costumes dos dois povos. E, mesmo sendo parecido, o idioma é mais um exemplo do que pode diferenciá-los (um brasileiro é facilmente reconhecido em Portugal pela maneira como fala, ao menos num primeiro momento, e o contrário também é verdade).
O hábito de apostas nos dois países também é bastante diferente – tradicionalmente, os brasileiros preferem os sorteios (algo que vem mudando nos últimos tempos), enquanto os portugueses têm nas apostas algo bastante tradicional, com esse hábito já existindo há alguns séculos.
O histórico das apostas em Portugal
Para começar, vale lembrar que há alguns cassinos em Portugal, inclusive com o Cassino Estoril, um dos maiores e mais famosos da Europa, sendo um dos destinos turísticos do país, o que nos mostra um pouco sobre como esse país trata as apostas em geral.
Mais adiante, falando de apostas esportivas, tivemos algo como as loterias, com a Totobola sendo a única opção no país por muito tempo, até o surgimento das apostas online.
Foi entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000 que as apostas esportivas apareceram de maneira mais ampla, com a regulamentação ocorrendo em 2015. Esse período consolidou as apostas esportivas como principal opção do povo português quando o assunto é apostar, levando ao cenário que temos hoje, com várias casas operando em território lusitano.
O desenvolvimento das apostas no Brasil
No Brasil, isso ocorreu de maneira um pouco diferente. De maneira semelhante a Portugal, na primeira metade do séc. XX existiam até mesmo alguns cassinos no país, mas em 1946 o governo Dutra proibiu a exploração desse tipo de atividade.
Assim, por um longo tempo, tivemos as loterias como única opção no mercado, operadas pela Caixa (e ainda outras como a Tele Sena, que utilizavam brechas na lei para funcionar).
Em termos de apostas esportivas, havia a loteria esportiva, que durante algum tempo chegou a ser a primeira opção das loterias em geral, mas que viu sua popularidade cair com escândalos de manipulação de resultados já nos anos 80, para nunca mais alcançar esse patamar.
Havia ainda outras opções não esportivas, como a Mega-Sena e a Quina, ambas extremamente populares até os dias de hoje e que por vezes dão prêmios multimilionários, sendo esse também um dos fatores que justificam o apelo desses jogos.
Outro motivo para a popularidade desses sorteios é o fato de serem operados por uma empresa do governo, o que na visão do público aumenta a credibilidade desse tipo de jogo, e com mais de cinquenta anos com esse modelo vigente, é natural que o público ainda tenha essa preferência.
As apostas nos dias atuais
Nos dias de hoje, com a regulamentação, as casas de apostas estão cada vez mais presentes no dia a dia do público, que pode inclusive acessar ofertas como a do 20bet bônus e ter mais oportunidades do que se imaginava.
Fato é que estamos assistindo a um movimento global e, apesar das diferenças que mostramos aqui, os dois países caminham para um cenário relativamente parecido – a regulamentação das apostas no Brasil é mais recente, de 2025, mas também é algo que mostra o caminho que os dois países têm tomado.
As diferenças entre Brasil e Portugal atualmente
Se em Portugal já existe um cenário mais consolidado e com as apostas sendo algo comum ao cidadão, no Brasil isso de certa forma ainda é uma novidade. É bem verdade que o cenário começou a se popularizar muito no país especialmente após 2018, mas agora é que estamos vendo os reflexos disso.
Há alguns anos era um pouco mais difícil mensurar o tamanho das apostas esportivas no país, mas números como os cerca de 37 bilhões de reais de receita bruta das casas em 2025 – que renderam aproximadamente 9 bilhões de reais em impostos no primeiro ano completo do mercado regulado – mostram o tamanho desse mercado.
Enquanto isso, discussões sobre problemas como o vício em apostas têm aumentado, o que também é algo normal em uma atividade que não existia antes – e os brasileiros poderiam muito bem aprender com países justamente como Portugal, que já tem uma experiência muito maior nessa área.
Todas essas situações são desafios que os brasileiros precisam enfrentar com seriedade (e não é que países que já estejam mais habituados às apostas também não tenham seus próprios desafios), mas a tendência é que a situação seja melhor controlada com o passar do tempo, e a própria regulamentação é algo positivo nesse sentido.
As apostas esportivas aparecem como uma alternativa no Brasil, enquanto as loterias não devem perder seu espaço por conta disso. Assim, pedir a sua proibição apenas geraria um problema ainda maior, uma vez que alimentaria um mercado negro que já existe e que, mesmo com a regulamentação, é difícil de conter.
Os desafios comuns aos dois países
Esse último cenário também é comum a Portugal, dado que casas de apostas ilegais atuam pelo mundo inteiro, aceitando os mais variados métodos de pagamento e dificilmente sendo alcançadas, já que mudam seus endereços de internet constantemente.
Num mundo globalizado, desafios semelhantes podem ter soluções parecidas, e o combate ao mercado ilegal também é algo com o qual os dois países precisam se preocupar – e até propor ações conjuntas, o que já ocorre em outras áreas do combate ao crime.
Fato é que as apostas são uma oportunidade muito grande para os dois países, mas também são algo que precisa ser tratado como qualquer outro mercado que possa crescer de modo saudável.






