Agência da ONU afirma que mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas após terremotos na Venezuela
O número de indivíduos desaparecidos em decorrência dos recentes terremotos na Venezuela já ultrapassa a marca de 50 mil, conforme informou Tom Fletcher, chefe do Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta sexta-feira (26) à agência de notícias AFP.
Fletcher descreveu a situação como uma “operação de resgate extremamente abrangente”, destacando a colossal tarefa de buscar sobreviventes em meio aos escombros, considerando que há mais de 50 mil desaparecidos e, inicialmente, mais de 500 óbitos reportados.
O representante da ONU também expressou a probabilidade de que a contagem de vítimas fatais venha a aumentar significativamente nos próximos dias.
A divulgação deste balanço oficial representa a primeira estimativa detalhada do total de desaparecidos, revelando a verdadeira escala da devastação causada pelos terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2. Anteriormente, o governo venezuelano havia mencionado cerca de 200 desaparecidos na quinta-feira, contrastando com uma apuração não oficial feita pela própria população, que já indicava mais de 40 mil pessoas sem paradeiro conhecido.

Os dois tremores consecutivos abalaram a região norte do país, incluindo a capital Caracas, na noite da última quarta-feira (24). A força dos abalos derrubou construções e deixou um cenário de destruição generalizada, marcando os sismos mais poderosos a atingir a Venezuela em mais de um século.
Nesta sexta-feira (26), o governo venezuelano atualizou o total de mortos para 589, enquanto o número de feridos alcançou 2.980.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou os novos dados, que ainda são considerados provisórios. A Organização das Nações Unidas e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) sugerem que o total de vítimas pode ser substancialmente maior, levando em conta a intensidade dos sismos, a infraestrutura precária e as áreas densamente povoadas afetadas.
Em resposta à crise, a presidente interina anunciou a “militarização” do estado de La Guaira. Essa região costeira, nos arredores de Caracas, é uma das mais castigadas pelos terremotos e foi incluída na “zona de desastre” declarada pelo governo venezuelano.
No dia anterior, quinta-feira (25), o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, havia reportado que cerca de 200 pessoas permaneciam presas sob os escombros. Ele também informou que as autoridades registraram até o momento 250 edifícios completamente destruídos ou gravemente danificados.
Atualmente, equipes de resgate intensificam os esforços para localizar os desaparecidos e libertar indivíduos presos em ruínas. Grupos formados por moradores das áreas afetadas, em busca de familiares e amigos, já contabilizam mais de 24 mil pessoas desaparecidas.
As redes sociais se tornaram um canal para diversos relatos e imagens chocantes de edifícios que desabaram após os tremores.
A comunidade internacional tem se mobilizado para auxiliar a Venezuela. Vários países, incluindo Estados Unidos e Brasil, já anunciaram o envio de equipes de apoio para as operações de busca, com a chegada da ajuda humanitária ao país nesta sexta-feira (26).
















