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Após garantir a segunda posição no Grupo F com um empate emocionante contra a Suécia, a seleção do Japão confirmou seu lugar como adversário do Brasil na primeira fase eliminatória da Copa do Mundo. A equipe asiática tem demonstrado uma evolução notável a cada ciclo mundial, consolidando-se como um oponente desafiador.

Sob a liderança do técnico Hajime Moriyasu, há oito anos no comando, a seleção japonesa é conhecida pela sua disciplina exemplar e obediência tática. O time opera com a precisão de um relógio digital, adotando primariamente uma plataforma tática 3-4-3, que se ajusta rapidamente para um sólido 5-4-1 quando em fase defensiva.

A flexibilidade do sistema foi evidenciada em uma única alteração durante os três primeiros jogos. Em desvantagem no placar contra a Holanda, a equipe trocou um zagueiro por um atacante, mudando para um 4-4-2. Essa mudança tática permitiu ao Japão controlar o jogo e alcançar o empate com um gol de cabeça de Ogawa, que desviou em Kamada antes de balançar a rede.

Os “Samurais Azuis” não costumam aplicar uma pressão alta na saída de bola adversária no início das partidas. A marcação é iniciada na intermediária de defesa, com o objetivo de negar espaços perigosos próximos à área.

Quando recupera a posse de bola, o time avança em bloco, mas pode enfrentar dificuldades contra defesas bem-posicionadas. O Japão se torna mais perigoso ao encontrar espaço para acelerar pelo centro do campo, utilizando passes rápidos e de alta qualidade, que resultaram em belos gols coletivos contra Tunísia e Suécia.

A qualidade de passe é uma característica marcante em todos os setores da equipe, com destaque para os volantes Kamada, Sano e Tanaka, além do meia Doan, que orquestram a transição e a construção de jogadas.

Pelas laterais, jogadores como o ala-esquerdo Nakamura, o ponta-esquerda Maeda e Junya Ito, que pode atuar em ambos os lados, são os principais responsáveis por criar oportunidades através do drible e da velocidade.

O elenco japonês enfrentou perdas significativas por lesões antes e durante a competição. Atacantes importantes como Mitoma e Minamino, talvez o jogador japonês mais reconhecido atualmente, sequer foram inscritos. O capitão Endo foi cortado dias antes da estreia e, ao longo do torneio, o atacante Kubo e o zagueiro Itakura, que assumiu a braçadeira de capitão, precisaram deixar partidas por problemas médicos.

Apesar dos desfalques, a profundidade do elenco e a qualidade dos substitutos mantêm a equipe em um alto nível.

Vários jogadores demonstram grande versatilidade em campo. Neste mundial, Kamada, por exemplo, atuou como volante em duas partidas e como atacante em outra. Doan cumpriu a função de ala direito nos dois primeiros jogos e depois jogou como atacante no terceiro.

O técnico Moriyasu tem comprovado a consistência de seu trabalho ao promover um rodízio eficaz em diversas posições durante a fase de grupos. Ele não repetiu escalação, mas a equipe não perdeu rendimento nem organização tática.

Poucos titulares foram mantidos em todos os jogos, e o centroavante Ayase Ueda é um deles. Ele tem mostrado grande qualidade, não apenas na finalização – com dois gols contra a Tunísia –, mas também em sua atuação como pivô e na capacidade de servir os companheiros, exigindo atenção constante dos defensores.

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