Programa Celular Seguro não rastreia aparelhos: especialista explica função real e dicas para proteção

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Celular, Celular Seguro

Celular, Celular Seguro - Tânia Rêgo/Agência Brasi

O programa Celular Seguro, estabelecido por um decreto governamental, vem gerando considerável interesse, com muitos o percebendo como um sistema para rastrear celulares após roubos ou furtos.

Contudo, a verdadeira funcionalidade da plataforma diverge significativamente da crença popular, conforme detalhou Adriano Pontes, do Canaltech, em entrevista à CNN Brasil na última quarta-feira (24).

Pontes compreende a confusão generalizada, já que o aplicativo aborda uma questão de grande impacto social. Ele observou que a ferramenta é frequentemente vista como “uma panaceia” capaz de resolver todos os transtornos decorrentes do roubo de um telefone.

O especialista enfatizou a transformação do celular, que hoje transcende a função de mero dispositivo de comunicação, concentrando direitos civis, acesso a serviços públicos essenciais e transações financeiras.

Como a plataforma Celular Seguro realmente opera

A principal função do Celular Seguro é possibilitar que os usuários cadastrem seus dispositivos e acionem um alerta imediato em situações de roubo ou furto, exigindo o login via conta Gov.br para acesso.

Após a emissão do alerta, a plataforma comunica automaticamente as instituições parceiras, como bancos e outros provedores de serviços digitais. Essas entidades podem então bloquear o acesso a seus aplicativos, suspender canais digitais provisoriamente ou solicitar verificações biométricas adicionais antes de restaurar o acesso.

O aplicativo também oferece a funcionalidade de permitir que contatos de confiança, pré-registrados pelo titular, auxiliem no processo de notificação de perda ou roubo do dispositivo. Adicionalmente, há uma ferramenta para verificar se um aparelho possui alguma restrição, recurso valioso para quem pretende adquirir celulares seminovos.

“É crucial consultar antes da compra para assegurar a legitimidade do equipamento, evitando adquirir um aparelho que tenha sido roubado”, aconselhou o especialista.

Distinção entre o Celular Seguro e ferramentas de localização

Uma parte essencial da explanação de Pontes focou na clara diferença entre o programa governamental e os sistemas de localização nativos dos smartphones.

Diferentemente dos localizadores integrados, como os do Google para Android ou da Apple, o aplicativo Celular Seguro não detém permissões para rastreamento de localização, tampouco funciona como administrador do dispositivo móvel.

“A plataforma Celular Seguro não figura como administrador do aparelho e, de fato, não possui a capacidade de rastrear a localização do seu telefone”, esclareceu o especialista.

Diante de um roubo, a utilização do Celular Seguro é um complemento a outras ações essenciais: ativar o localizador próprio do aparelho, registrar um boletim de ocorrência e, em seguida, notificar as instituições parceiras através da plataforma de que o dispositivo não está mais sob sua posse.

Pontes advertiu que, mesmo com todas as ferramentas ativadas — localização, Celular Seguro e acesso de administrador do dispositivo — não há garantia de recuperar o aparelho, mesmo que sua localização seja conhecida.

Desafios iniciais e orientações importantes

Pontes salientou que, por estar em seus primeiros estágios de implementação, o sistema ainda não abrangerá todos os registros de roubos ou furtos. Incidentes ocorridos antes da ativação do programa, por exemplo, podem não ser encontrados na base de dados.

“É compreensível que eventos de um mês atrás, por exemplo, não figurem no sistema”, explicou.

Para concluir, o especialista sugeriu que os usuários realizem testes preventivos com a plataforma, preferencialmente antes de qualquer eventualidade. Ele orientou: “Tente rastrear seu celular em casa hoje; você provavelmente encontrará diversas permissões e possíveis falhas”, exemplificando com o caso de alguém que, após um roubo, não conseguiu acessar o Gov.br por não ter um dispositivo de confiança cadastrado.

A principal recomendação é que todos os dados e permissões sejam verificados com antecedência.

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