Chelsea confirma acordo de indenização com Enzo Maresca por saída conturbada antes de acerto com o Manchester City
A confirmação da chegada de Enzo Maresca como novo treinador do Manchester City veio acompanhada da notícia de que ele indenizará o Chelsea, seu antigo clube. Com 46 anos, o ex-comandante do Chelsea assinou um contrato de três temporadas com o City. Ele assume a vaga de Pep Guardiola, que encerrou uma década vitoriosa no cargo em maio.
As tratativas para oficializar a mudança foram estendidas por conta de negociações de compensação entre os dois clubes. Fontes indicam que o Manchester City desembolsou aproximadamente 17 milhões de libras para o Chelsea pelo italiano. Este valor, pago pelo Manchester City, difere do acerto de indenização confidencial que o Chelsea havia estabelecido diretamente com Maresca.
O técnico italiano havia deixado o Chelsea em janeiro, depois de uma campanha na Premier League com apenas uma vitória em sete partidas.
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Maresca assume o comando do Manchester City após sucessão de Guardiola
O anúncio do Chelsea à época de sua saída sugeria uma decisão consensual, com a diretoria e Maresca concordando que uma mudança traria melhores perspectivas para o restante da temporada. Contudo, Maresca revelou agora que formalizou sua saída com uma carta de demissão em Stamford Bridge, admitindo que essa atitude “abriu caminho” para sua ida ao Manchester City.
Em uma nota oficial, o Chelsea classificou a saída de Maresca como “a decisão de não continuar a cumprir as suas responsabilidades” e confirmou um acordo confidencial com o treinador sobre uma indenização a ser paga ao clube. Maresca, que já havia atuado como auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City na temporada da Tríplice Coroa (2022-23), emitiu um pedido de desculpas ao Chelsea pela forma como se desligou da equipe.
“A decisão foi somente minha”, escreveu Maresca em sua conta no Instagram. Ele prosseguiu: “Reconheço que minha saída do Chelsea no meio da temporada causou transtornos ao clube e peço desculpas por isso. Não foi minha intenção nem meu desejo.”
Impacto da saída de Maresca na campanha do Chelsea
Embora a qualidade do trabalho de Maresca fosse reconhecida no Chelsea, sua partida ocorreu em um cenário de grande tensão. A atitude de Maresca em renunciar, que ele próprio reconhece ter “aberto caminho” para sua transferência ao Manchester City, teve um impacto negativo na temporada do Chelsea. Isso resultou em uma campanha desorganizada, com o clube finalizando em 10º lugar, a demissão de outro técnico e perdas milionárias em receitas de transmissão televisiva.
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Tal desdobramento culminou em uma prolongada batalha legal, encerrada apenas recentemente, o que permitiu a resolução do impasse entre as partes envolvidas.
A primeira temporada de Maresca no Chelsea, no entanto, é marcada como a mais bem-sucedida sob a gestão de Todd Boehly e Clearlake Capital. O clube garantiu uma vaga na Liga dos Campeões pela primeira vez em quatro anos desde a aquisição de Roman Abramovich e conquistou os títulos do Mundial de Clubes e da Conference League.
O Manchester City, por sua vez, assegurou a contratação do técnico mais bem avaliado do Chelsea desde a era de Thomas Tuchel. Maresca ainda conta com o endosso de Pep Guardiola, de quem foi auxiliar na histórica campanha da tríplice coroa.
A jornada de Enzo Maresca até a sucessão de Guardiola
Confira os principais marcos na trajetória do treinador:
- Agosto de 2020: Iniciou no Manchester City como treinador da Equipe de Desenvolvimento de Elite, vencendo a Premier League 2.
- Maio de 2021: Assumiu o Parma, na Série B, sendo demitido em novembro após quatro vitórias em 14 jogos.
- Julho de 2022: Retornou ao Manchester City como auxiliar de Pep Guardiola, colaborando na conquista da Tríplice Coroa (2022-2023).
- Junho de 2023: Foi nomeado treinador do Leicester City, equipe da Championship.
- Junho de 2024: Conquistou o título da Championship e, em seguida, uniu-se ao Chelsea como treinador principal, com contrato de cinco anos.
- Julho de 2025: Encerrou a primeira temporada com o Chelsea, garantindo vaga na Liga dos Campeões e vencendo a Liga Conferência e o Mundial de Clubes.
- Outono de 2025: Informou o Chelsea sobre o interesse do Manchester City, após contato do antigo clube.
- Dezembro de 2025: Descreveu as 48 horas antes da vitória sobre o Everton como “as piores” desde sua chegada, alegando falta de apoio.
- Janeiro de 2026: Deixou o Chelsea, com o clube na quinta posição da Premier League.
- Maio de 2026: Pep Guardiola anunciou sua saída do City após uma década.
- Maio de 2026: Chelsea encerrou a temporada em 10º lugar, fora de competições europeias, após demitir Liam Rosenior, que o substituiu, em 23 jogos.
- Junho de 2026: Foi anunciado como novo treinador do Manchester City, após acordo de compensação que envolvia seu contrato anterior.
Análise: a complexidade da crise no Chelsea e a culpa dos diretores
A declaração do Chelsea a respeito da partida de Enzo Maresca reflete uma evidente frustração. A impressão é de que o clube aguardava o momento certo para expor sua perspectiva dos acontecimentos desde a renúncia do treinador em janeiro.
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O documento do clube não economizou em críticas pessoais, atribuindo a saída abrupta do técnico diretamente à temporada desastrosa enfrentada pelo Chelsea. No entanto, questiona-se a justiça dessa avaliação.
É inegável que sua partida causou sérios prejuízos e uma deterioração considerável no desempenho da equipe. A informação de que Maresca já havia comunicado ao Chelsea, no outono anterior, sua intenção de deixar o clube, ajuda a entender o início da desestruturação antes mesmo de sua renúncia formal.
Os desafios estruturais na montagem do elenco e na estratégia do clube não eram de responsabilidade de Maresca, mas o Chelsea está correto ao pontuar que as ações do técnico exacerbaram tais problemas. Contudo, os diretores esportivos que escolheram Maresca, cuja lealdade nunca foi plena, e que posteriormente cometeram um erro ainda maior ao nomear Liam Rosenior como seu sucessor, também compartilham da culpa.

















