Critério mental de Carlo Ancelotti para selecionar cobradores de pênaltis ganha destaque em episódio com Endrick na seleção brasileiraPor Thiago Lemos
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A seleção brasileira busca garantir sua vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo contra o Japão no tempo regulamentar, mas também se prepara intensamente para possíveis decisões por pênaltis. O histórico recente do time em disputas de penalidades não tem sido favorável, com eliminações nos últimos Mundiais para Croácia e na Copa América de 2024 diante do Uruguai.
Após essas eliminações, as escolhas dos treinadores brasileiros foram amplamente debatidas. No Catar, Tite admitiu seu erro ao não designar Neymar como o primeiro cobrador, jogador que sequer chegou a bater sua penalidade. Já Dorival Júnior enfrentou críticas por não participar da conversa com os atletas antes da série de pênaltis.
Diante desse cenário de alta pressão e decisões cruciais, uma questão se impõe: qual a abordagem de Carlo Ancelotti para gerenciar e definir os batedores em uma disputa de pênaltis?
Um incidente ocorrido no ano passado, envolvendo o jovem atacante Endrick, oferece uma compreensão clara sobre a linha de pensamento e a conduta do renomado técnico italiano em momentos decisivos.
O peso do preparo psicológico sobre a técnica em cobranças de pênaltis
Carlo Ancelotti defende a visão de que, embora a habilidade técnica dos atletas seja um fator relevante, a performance em situações de pênalti é predominante determinada pelo estado psicológico do jogador. Esta perspectiva ressoa com as tendências da psicologia esportiva moderna, que aponta a gestão da pressão e a autoconfiança como elementos cruciais para o sucesso em momentos de alta tensão, muito além da mera repetição técnica em treinos.
Em uma partida válida pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, em março de 2025, o treinador optou por não escalar Endrick para uma das cobranças de pênalti, em um confronto decisivo contra o Atlético de Madrid.
“Havia incerteza quanto ao quinto cobrador, mas ao observar a expressão de Endrick, decidimos que seria melhor Rüdiger”, revelou Ancelotti durante a entrevista pós-jogo.
Ele acrescentou, ponderando que “Rüdiger demonstrava maior frieza” para aquele momento crucial, evidenciando a primazia do estado mental sobre outros fatores.
Préviamente às partidas, Ancelotti costuma incentivar seus atletas a praticarem cobranças de pênaltis, avaliando o desempenho de cada um. Na fase de preparação para a Copa do Mundo, esse protocolo foi implementado desde a semana inicial de trabalhos, realizada na Granja Comary, em Teresópolis.
Contudo, a decisão final sobre quem irá cobrar os pênaltis é tomada apenas momentos antes da disputa, considerando tanto o preparo mental quanto o físico dos jogadores naquele exato instante.
O técnico já expressou em diversas ocasiões que enxerga as disputas de pênaltis como um evento imprevisível, comparável a uma “loteria” ou um jogo de “cara ou coroa”.
“Ao selecionar os batedores para uma disputa de penalidades, o componente psicológico se sobressai à técnica. Caso o jogador não esteja mentalmente preparado, ele não possui as condições ideais para executar a cobrança”, elucidou Ancelotti em declarações anteriores.
Ele complementou sua visão afirmando: “Já treinei atletas que eram exímios cobradores de pênaltis, mas que, no momento decisivo, não se sentiam em um estado psicológico apropriado para realizar a batida.”
Entre os atletas da Seleção com maior histórico de boas cobranças de pênalti estão Neymar, Igor Thiago e Raphinha, embora este último esteja atualmente afastado por lesão.
A partida entre Brasil e Japão será realizada no estádio de Houston, no Texas, com início às 14h (horário de Brasília). A transmissão estará disponível pela Globo, sportv e getv. O vencedor deste confronto avançará para enfrentar Costa do Marfim ou Noruega na fase seguinte.







