Contas inativas do programa Pé de Meia preocupam MEC, atingindo 14% dos estudantes

pé de meia Foto: pé de meia - Foto: Reprodução/Caixa

O Ministério da Educação (MEC) revelou recentemente que 14% das contas bancárias abertas para beneficiários do programa Pé de Meia seguem sem qualquer registro de movimentação financeira no Brasil. A Caixa Econômica Federal, responsável pela abertura, disponibilizou contas para cerca de 3,9 milhões de alunos do ensino médio da rede pública em todo o território nacional, mas aproximadamente 546 mil poupanças digitais não tiveram saques ou transferências realizadas pelos estudantes.

Essa constatação sobre a ausência de uso dos recursos repassados pelo governo federal gerou um alerta nas equipes técnicas do Ministério da Educação, que acompanham a eficácia da iniciativa voltada a combater a evasão escolar. O volume de contas paralisadas sugere dificuldades de acesso ou desconhecimento por parte de milhares de jovens que já têm valores disponíveis para retirada imediata por meio do aplicativo bancário.

De acordo com informações do Ministério da Educação, o principal impedimento para que o dinheiro seja movimentado está ligado a problemas cadastrais dos alunos e de seus responsáveis, especialmente questões relacionadas à regularização do CPF junto à Receita Federal. Além disso, a falta de campanhas de divulgação específicas e a escassez de acesso à internet em áreas mais afastadas impedem que muitas famílias sequer saibam sobre a existência do depósito bancário.

A equipe que administra o Pé de Meia notou que diversos estudantes alteraram seu endereço ou número de telefone desde que se cadastraram no Cadastro Único, o que impossibilita o recebimento das notificações automáticas enviadas pela Caixa Econômica Federal. Para tentar reverter essa taxa de inatividade, o governo federal estuda firmar parcerias com as secretarias estaduais de educação para realizar uma busca ativa e identificar pessoalmente os beneficiários que ainda não acessaram os valores.

O programa federal prevê pagamentos mensais de R$ 200 por frequência escolar, somados a bônus anuais de R$ 1.000 para quem conclui o ano letivo e participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com 14% do público-alvo sem movimentar os recursos, milhões de reais permanecem sem cumprir seu objetivo de prover o suporte financeiro essencial para estudantes de baixa renda. Especialistas em educação alertam que o acúmulo prolongado de dinheiro sem uso diminui o impacto imediato do programa, pois o incentivo financeiro precisa ser sentido mensalmente para motivar a permanência na escola e evitar que os jovens busquem trabalhos informais. O Ministério da Educação assegurou que não há prazo-limite para o saque das parcelas mensais, garantindo que o dinheiro permanecerá acessível nas contas digitais até a regularização do acesso pelos alunos.

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