Ferran Torres: da infância driblando cães ao gol do bicampeonato mundial da EspanhaPor Thiago Lemos
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Em um quintal na pequena cidade de Foios, na região de Valência, na Espanha, um garoto e seus cães protagonizavam um jogo particular. Enquanto a bola rolava, o jovem habilidosamente driblava os animais, que tentavam a todo custo interceptar o objeto, uma cena que moldaria um futuro campeão.
Aquele menino era Ferran Torres, que, aos 26 anos, entrou para a história do futebol espanhol. Sua saga culminou no gol que garantiu à Espanha o título de bicampeã da Copa do Mundo, em uma emocionante final disputada contra a Argentina no último domingo.
A experiência inusitada de sua infância, conforme o próprio jogador revelou ao site “panenka”, foi um laboratório de habilidades. “Eu tinha um cachorro que tentava pegar a bola de mim o tempo todo e isso acabou me ajudando”, afirmou Ferran, destacando a importância daquele treinamento incomum.
A paixão pelo futebol sempre foi evidente em sua vida, com presentes de infância invariavelmente ligados ao esporte, como bolas, caneleiras e chuteiras. A primeira delas, um presente da mãe, tornou-se tão essencial que até mesmo na escola Ferran a usava, inspirando seus amigos a fazerem o mesmo.
Aos sete anos, Ferran Torres deu início à sua trajetória no Valencia, clube que seria sua porta de entrada para o cenário global. Contudo, antes de brilhar, ele enfrentou um período desafiador, marcado por um intenso estirão de crescimento em um único verão, que o fez perder temporariamente o controle do próprio corpo.
“No verão em que completei 12 anos, eu cresci 12 centímetros. O que aconteceu? Bem, cheguei em Valência para a pré-temporada e não conseguia nem controlar uma bola. Eu tinha me tornado desajeitado, vivia caindo enquanto corria… Foi aí que eu realmente pensei que minha carreira no futebol tinha acabado, que eu era inútil”, desabafou Ferran ao “panenka”, relembrando os momentos de incerteza que poderiam ter encerrado sua carreira.
Superação de obstáculos para a ascensão no futebol profissional
Após superar as dificuldades físicas e reencontrar seu equilíbrio, Ferran Torres impulsionou sua carreira. Ele fez sua estreia profissional pelo Valencia em 2017 e, após três temporadas, chamou a atenção do Manchester City. Depois de duas temporadas na Inglaterra, retornou à Espanha para defender o Barcelona, onde atua atualmente.
Foi no clube catalão que Ferran ganhou o apelido de “tubarão”, uma brincadeira que rapidamente viralizou nas redes sociais, com colegas de equipe utilizando o emoji em suas postagens. O atacante explicou a origem do apelido durante um jantar com companheiros do Barcelona, citando o lutador de UFC Ilias Topuria.
Ferran Torres teve um encontro com o lutador espanhol em 2024 e revelou uma conexão instantânea com a mentalidade do ex-campeão. “Me conectei com ele desde o primeiro momento. Foi quando eu disse a mim mesmo: ‘quero ser como ele’. Eu cheguei como Ferran e saí outra pessoa. É um apelido que realmente gosto”, contou o jogador.
Este encontro e as subsequentes interações marcaram uma profunda mudança na mentalidade de Ferran Torres. Essa transformação impulsionou o atacante a alcançar suas duas temporadas mais artilheiras da carreira, registrando 19 gols em 45 jogos em 2024/25 e 21 gols em 49 jogos na última temporada. Sua jornada é um testemunho de como a resiliência e a evolução mental, forjadas desde a infância, podem levar ao auge do sucesso.







