Futebol brasileiro ganha novas regras contra antijogo e cera após votação de clubes das Séries A e BPor Thiago Lemos
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Em uma reunião realizada em 10 de agosto de 2026, clubes das Séries A e B do futebol brasileiro aprovaram um conjunto de novas regras para combater a prática da cera. As alterações entrarão em vigor na 23ª rodada de ambos os campeonatos nacionais.
A maior parte dessas diretrizes, já testadas na última Copa do Mundo, visa coibir o antijogo, com o objetivo claro de aumentar o tempo efetivo de bola rolando durante as partidas. Entre as novidades, está o chamado “Protocolo Vini Jr.”, uma medida aprovada pelos clubes.
A “Lei Vini Jr.” prevê a punição com cartão vermelho para qualquer jogador que, em meio a discussões com adversários, cubra a boca para se comunicar de forma provocativa, depreciativa ou inflamatória. A intenção é evitar atitudes antidesportivas e a escalada de tensões.
Outra regra inédita estabelece a retirada de um jogador de linha por um minuto caso o goleiro da mesma equipe solicite atendimento médico. Essa medida não foi aplicada na Copa do Mundo, mas será adotada em ligas europeias como as da Inglaterra e Espanha na próxima temporada.
O departamento de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) busca, com essa mudança, coibir a cera frequentemente simulada por goleiros sob o pretexto de uma lesão. A entidade entende que essas pausas são usadas por treinadores para transmitir instruções, além de atrasar o reinício do jogo.
Sobre qual jogador deve sair de campo, há duas opções: o técnico pode indicar o atleta em até 10 segundos, ou o capitão da equipe deixa o gramado imediatamente após a entrada do departamento médico. Se o goleiro for o capitão, um jogador previamente sorteado será o responsável pela saída.
Tempo de bola rolando no futebol brasileiro comparado a outras ligas
A CBF apresentou um estudo que compara o tempo de bola rolando nas principais ligas mundiais com o Brasil, nas Séries A e B. Com uma média de 52 minutos e 54 segundos, o Brasileirão da Série A supera apenas o Campeonato Argentino.
- MLS (EUA) – (2026) 57min12s de bola rolando
- Bundesliga (Alemanha) – (2026) 56min18s
- Ligue 1 (França) – 56min17s
- Premier League (Inglaterra) – 55min23s
- LaLiga (Espanha) – 55min09s
- Serie A (Itália) – 54min28s
- Brasileirão Série A – 52min54s
- Brasileirão Série B – 51min09s
- LPF Apertura (Argentina) – 50min02s
Metas e desafios para aumentar o tempo de jogo
A Confederação Brasileira de Futebol estabeleceu uma meta considerada realista para atingir 57 minutos de bola rolando com a aplicação desse novo conjunto de regras. Contudo, alcançar esse objetivo dependerá significativamente da conduta da arbitragem e dos próprios jogadores, que devem contribuir para a diminuição do número de faltas, do tempo gasto em cobranças, atendimentos médicos e o uso do VAR.
A CBF almeja “recuperar” 6 minutos e 22 segundos de tempo de bola rolando, distribuídos em quatro categorias principais. Com essa recuperação, o tempo de jogo poderia chegar a 59 minutos e 16 segundos, superando a meta de curto prazo da entidade.
- 203 segundos perdidos em média com faltas
- 113 segundos perdidos com tempo de reposição de bola
- 50 segundos com tempo de atendimento médico
- 16 segundos em tempo de uso de VAR
Principais mudanças aprovadas nas regras do jogo
Contagem para cobrança de lateral
Quando o árbitro identificar um atraso deliberado na cobrança de lateral, ele apitará e iniciará uma contagem regressiva visual de cinco segundos, utilizando os dedos da mão para marcar o tempo.
A punição para o não cumprimento é severa: se o tempo se esgotar e o arremesso não for executado, a posse de bola será revertida para a equipe adversária, que terá o direito de realizar a cobrança.
Prazo para o tiro de meta
De forma semelhante à regra do lateral, se o árbitro perceber um atraso intencional na execução de um tiro de meta, ele apitará e iniciará uma contagem regressiva visual de cinco segundos, novamente utilizando os dedos da mão.
Neste caso, a punição é a reversão do lance: se o jogador não cobrar dentro do tempo estipulado, um escanteio será concedido ao time adversário.
Saída de campo em substituições
O jogador que está sendo substituído terá um limite de 10 segundos para deixar o campo após o quarto árbitro levantar a placa indicativa da alteração. O árbitro principal sinalizará os últimos cinco segundos com a mão levantada. A única exceção a essa regra se aplica a jogadores lesionados que, evidentemente, não possuem condições físicas de sair do gramado por conta própria.
Se houver atraso por parte do jogador substituído, a punição será que o jogador substituto terá de esperar um minuto para entrar em campo, deixando a equipe infratora com um jogador a menos durante esse período de tempo.
Atendimento médico em campo
Anteriormente, jogadores que necessitavam de atendimento médico fora de campo podiam retornar ao jogo assim que o juiz autorizasse. Essa prática era frequentemente explorada para simular cera. Agora, será obrigatório aguardar um mínimo de 60 segundos antes de retornar ao gramado, o que resulta na equipe jogando com um a menos durante esse tempo.
No caso específico de um goleiro que precise de atendimento, um jogador de linha deverá sair de campo por um minuto.
O que prevê a lei Vini Jr.
Um jogador, seja ele titular, suplente ou já substituído, será expulso da partida caso cubra a boca ao se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória.
Ampliação do uso do VAR
Até a última Copa do Mundo, o protocolo do VAR era limitado a quatro tipos de lances: gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identificação. Agora, sua área de atuação foi expandida. A partir do Mundial, o VAR poderá intervir em uma nova situação: quando o árbitro aplicar erroneamente um segundo cartão amarelo que resultaria na expulsão de um jogador.
A partir de 2027, a revisão será estendida para uma situação adicional: quando um escanteio concedido por engano resultar diretamente em um gol ou em um pênalti. Por se tratarem de erros objetivos, o VAR poderá avisar diretamente à equipe de arbitragem, eliminando a necessidade de o juiz ir ao monitor à beira do campo para analisar e interpretar o lance.







