Hábito de subir escadas reduz risco de doença cardíaca e morte prematura

Escadaria de madeira

Escadaria de madeira - H146/ Shutterstock.com

Subir escadas de forma regular pode ser um diferencial significativo para a saúde do coração e para aumentar a expectativa de vida, conforme aponta uma pesquisa recente. Uma análise abrangente, que reuniu dados de quase meio milhão de pessoas, concluiu que a prática simples de optar pelas escadas está ligada a uma redução expressiva no risco de óbito por doenças cardiovasculares e por todas as causas. Os achados reforçam a importância da atividade física no dia a dia.

Na terça-feira, 14 de agosto de 2026, pesquisadores da Universidade de East Anglia, em parceria com o Hospital Universitário de Norfolk e Norwich, divulgaram um estudo que ressalta o poder dessa rotina. A investigação mostra que indivíduos que incorporam a subida de escadas em sua vida cotidiana experimentam uma probabilidade 39% menor de falecer devido a problemas cardíacos. Além disso, o risco de morte por qualquer outra causa diminui em 24% para esses praticantes.

Escadas: um passo simples para a saúde do coração

A pesquisa indicou que subir escadas de maneira constante também está associado a uma diminuição na chance de desenvolver condições cardiovasculares graves. Isso inclui eventos como ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e insuficiência cardíaca. Os dados foram compilados a partir de uma vasta amostra, oferecendo uma base sólida para as conclusões.

O professor Vassilios Vassiliou, da Escola de Medicina de Norwich da UEA, enfatizou que as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte globalmente. Ele apontou que a maioria desses casos poderia ser evitada por meio de hábitos saudáveis, incluindo a prática regular de atividade física. Subir escadas, segundo ele, é uma maneira acessível e muitas vezes subestimada de incluir exercício na rotina diária.

Estetoscópio e bolinha de massagem em formato de coração em cima de um eletrocardiograma

Como o estudo analisou os benefícios da atividade

Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisa revisou cerca de 1.900 estudos científicos. Em seguida, os cientistas analisaram os dados de mais de 480 mil indivíduos, provenientes de nove estudos de alta qualidade. Os participantes foram monitorados por um período mediano de 14 anos, garantindo uma observação de longo prazo.

O grupo estudado era diversificado, abrangendo tanto pessoas saudáveis quanto aquelas com histórico de problemas cardíacos. A faixa etária variava entre 35 e 84 anos, com 53% dos participantes sendo mulheres. A doutora Sophie Paddock, também da Escola de Medicina de Norwich da UEA e cardiologista residente no NNUH, confirmou a consistência dos resultados. “Após reunir os resultados de mais de 450.000 participantes, encontramos uma associação consistente entre subir escadas e um menor risco de morte cardiovascular e mortalidade geral”, afirmou.

Por que escolher as escadas pode mudar sua vida

A escolha pelas escadas, em vez de elevadores ou escadas rolantes, oferece uma vantagem prática inegável. Diferente de atividades que exigem equipamentos ou deslocamento a academias, subir escadas pode ser facilmente integrado ao cotidiano. Seja em casa, no trabalho ou em espaços públicos, essa opção se adapta bem àqueles com agendas apertadas ou sem acesso facilitado a outras formas de exercício.

Esta intervenção simples pode ser crucial para combater o sedentarismo, uma realidade que afeta mais de um quarto dos adultos em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana. Inserir a subida de escadas como um “microworkout” ao longo do dia contribui para atingir essa meta, cumulativamente.

  • Redução de 39% no risco de morte por doenças cardiovasculares.
  • Diminuição de 24% no risco de morte por qualquer causa.
  • Menor probabilidade de ataque cardíaco, derrame e insuficiência cardíaca.

A “dose” ideal: mesmo pequenos esforços contam

A pesquisa destaca que não é necessário um grande volume de subida de escadas para colher os benefícios. Mesmo curtos períodos de atividade física já podem gerar impactos positivos na saúde. Estudos anteriores, citados na análise, indicaram que subir escadas por apenas alguns minutos, várias vezes por semana, pode aprimorar a capacidade cardiorrespiratória e reduzir os níveis de colesterol.

Um dos estudos de coorte incluídos na análise sugeriu que subir cerca de seis lances de escada por dia pode proporcionar o maior benefício. Contudo, os pesquisadores ressaltam a necessidade de mais investigações para determinar a “dose” ideal. A doutora Paddock comentou que, embora mais escadas subidas possam trazer maiores benefícios, até mesmo pequenas mudanças já demonstram um impacto mensurável na saúde.

Quem deve ter cautela ao subir escadas

Apesar dos potenciais benefícios, os pesquisadores fazem uma observação importante: subir escadas pode não ser adequado para todos. Indivíduos com limitações de mobilidade preexistentes, problemas nas articulações, dores crônicas ou condições cardiovasculares graves devem agir com cautela. Nessas situações, é fundamental consultar um médico antes de iniciar ou intensificar qualquer rotina de exercícios.

Profissionais de saúde podem orientar sobre a segurança e a intensidade apropriada da atividade. A pesquisa também sugere que estudos futuros utilizem tecnologias vestíveis, como smartwatches, para monitorar a atividade física com maior precisão. Isso ajudaria a refinar as recomendações sobre a quantidade ideal de subida de escadas para a população em geral.

Os resultados da análise reforçam a crescente evidência de que atividades físicas relativamente curtas podem gerar benefícios significativos para a saúde. O professor Vassiliou reiterou que, com grande parte da população mundial não atingindo os níveis de atividade física recomendados, encorajar o uso de escadas é uma intervenção realista e de fácil aplicação. Promover essa prática em ambientes de trabalho, edifícios públicos e residências pode ser uma estratégia valiosa para diminuir a incidência de doenças cardiovasculares em larga escala.