Derrota para Atlético-MG reforça crise do Grêmio como visitante e acende alerta para o BrasileirãoPor Thiago Lemos
4 min de leitura
![]() |
O Grêmio vive uma fase de altos e baixos na temporada de 2026, enfrentando um ciclo de performances inconsistentes. A equipe sofreu uma goleada de 3 a 0 para o Atlético-MG, na Arena MRV, em 17 de agosto de 2026, um resultado que reacendeu o temor de um novo período de declínio e aprofunda os problemas do time.
Após conquistar duas vitórias consecutivas, uma contra o Mirassol pela Copa do Brasil e outra diante do São Paulo no Brasileirão, o Grêmio almejava uma sequência de três triunfos inéditos no ano. Contudo, o desempenho revelou antigas fragilidades que acompanham o time há meses, culminando na pior derrota de 2026.
O placar adverso marcou o pior resultado do Tricolor desde a chegada do técnico Luís Castro, que segue no comando da equipe. A performance gremista foi modesta diante da superioridade do time mineiro, que dominou a partida a ponto de a torcida adversária celebrar com gritos de “olé” em um momento de pouca reação gremista.
A persistência em estratégias que não trazem resultados esperados
Existe um ditado popular que alerta para a loucura de repetir ações e esperar desfechos diferentes. Esta máxima se aplica diretamente à insistência da diretoria do Grêmio em manter o técnico Luís Castro à frente do time.
Antes da partida, o executivo Paulo Pelaipe havia confirmado a continuidade do treinador em uma entrevista, mencionando a necessidade de uma “mudança de cultura” no clube. O tom do discurso se manteve inalterado mesmo após a recente goleada.
A recente derrota, no entanto, colocou em evidência mais uma vez os grandes desafios enfrentados por Luís Castro desde que assumiu a liderança técnica do Grêmio.
Ao longo da temporada, o técnico Luís Castro implementou diversas estruturas, esquemas táticos e formações em busca de melhorias no desempenho. Contudo, a equipe do Grêmio não demonstrou a evolução esperada com essas modificações.
Uma das dificuldades mais persistentes do time foi na criação de jogadas ofensivas. O atacante Carlos Vinícius, principal artilheiro gremista com 18 gols na temporada, ficou isolado no campo, com poucas oportunidades de receber a bola em condições de finalizar.
Mesmo quando teve uma chance, o centroavante teve o chute bloqueado, reforçando o cenário de isolamento. Houve uma notável carência de aproximação entre os jogadores, criatividade e eficiência na movimentação da bola, levantando questionamentos sobre a forma como o principal goleador do time é aproveitado no esquema tático.
O sistema de marcação gremista mostrou-se vulnerável às investidas do Atlético-MG. O jogador argentino Cuello desequilibrou a defesa e marcou dois dos três gols da partida. Mesmo com um meio-campo teoricamente reforçado por três atletas, o controle dos espaços foi ineficaz.
A equipe concedeu ao adversário a liberdade para jogar com conforto durante a maior parte do tempo. Cada vez que recuperava a posse de bola, o Grêmio a perdia rapidamente, repetindo um ciclo que marcou quase toda a duração do confronto.
O desempenho preocupante do Grêmio em jogos fora de casa
O técnico Luís Castro comentou sobre a “marca que persegue e perturba” o Grêmio, referindo-se ao 11º jogo do Campeonato Brasileiro em que o time atuou como visitante e não conseguiu conquistar uma vitória.
Neste período de 11 confrontos, o Grêmio acumulou quatro empates e sete derrotas. Ao longo de toda a temporada, o desempenho longe de Porto Alegre é ainda mais crítico, com apenas quatro vitórias em 22 partidas disputadas.
O calendário apertado do Brasileirão não concede muito espaço para justificativas. Faltam 16 jogos para o término do campeonato, incluindo um confronto atrasado contra o Botafogo, que também será disputado fora de casa, totalizando 48 pontos ainda em jogo.
Com os atuais 25 pontos somados, o Grêmio precisará de aproximadamente mais 20 pontos para garantir sua permanência na Série A. Contudo, essa meta é dificultada pela maior fragilidade da equipe, pois oito dos compromissos restantes serão na condição de visitante.
Caso não encontre soluções para seu desempenho como visitante, o Tricolor será obrigado a realizar uma campanha quase impecável em sua Arena. Essa margem de erro é mínima para um time que já registra 14 derrotas em 45 partidas nesta temporada.
Neste estágio do campeonato, o que mais preocupa não é apenas a derrota recente, mas a percepção de que há poucas soluções claras para corrigir os problemas persistentes da equipe.







