Irregularidades em suplementos levam Anvisa a proibir Newfit e Shark Pro no país

Anvisa Foto: Anvisa - Piotr Swat/shutterstock.com

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação, venda e uso de suplementos alimentares das marcas Newfit e Shark Pro. As determinações, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) em 17 de agosto de 2026, resultaram de investigações que revelaram irregularidades graves nos produtos e nos processos de produção.

Suplementos Newfit com substâncias não declaradas

A proibição dos produtos Newfit, fabricados pela empresa RBB Top New, foi motivada pela identificação de substâncias não autorizadas em sua composição. Uma análise conduzida pelo Laboratório de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) detectou a presença de sibutramina, fluoxetina e furosemida. Nenhuma dessas substâncias constava na embalagem do suplemento, que deveria conter ingredientes como Chlorella, Spirulina, extrato de cúrcuma, psyllium e crômio. A inclusão de componentes não declarados foi considerada pela Anvisa como um forte indício de adulteração do produto.

É crucial entender que a sibutramina, a fluoxetina e a furosemida são medicamentos que exigem prescrição médica e acompanhamento profissional devido aos seus potenciais efeitos colaterais e interações medicamentosas. A sibutramina é um inibidor de apetite, a fluoxetina um antidepressivo e a furosemida um diurético. A presença desses fármacos em um suplemento alimentar não apenas engana o consumidor, mas também expõe indivíduos a riscos sérios de saúde, incluindo problemas cardiovasculares, neurológicos e renais, sem o devido controle médico.

Falhas na produção dos produtos Shark Pro

No caso da marca Shark Pro, pertencente à empresa RCA Labs, a proibição e o recolhimento de todos os seus suplementos alimentares foram impostos após uma inspeção sanitária realizada pela Vigilância Sanitária Municipal de Capivari, em São Paulo. A fiscalização revelou uma série de falhas graves nas Boas Práticas de Fabricação, comprometendo a qualidade e a segurança dos produtos.

Entre as principais irregularidades encontradas na fabricação dos suplementos Shark Pro, destacam-se:

  • Ausência de controle de qualidade das matérias-primas utilizadas;
  • Armazenamento inadequado de componentes essenciais para a produção;
  • Falta de registros sobre a manutenção preventiva dos equipamentos de fabricação;
  • Ausência de estudos de estabilidade dos suplementos, que garantem a eficácia do produto ao longo do tempo;
  • Irregularidades na regularização de alguns dos produtos comercializados;
  • Falta de informações claras sobre a presença de alergênicos na rotulagem de um dos produtos;
  • Ausência de declaração sobre a possibilidade de contaminação cruzada em outro item do portfólio.

As Boas Práticas de Fabricação são um conjunto de normas essenciais para garantir que os produtos sejam consistentemente produzidos e controlados de acordo com os padrões de qualidade adequados ao seu uso. A inobservância dessas práticas pode resultar em produtos ineficazes, com dosagens incorretas, ou até contaminados, colocando em risco a saúde dos consumidores.

Medidas adotadas pela Anvisa para as duas marcas

A Anvisa agiu de forma rigorosa para proteger a saúde pública. Para a Newfit, a agência determinou a apreensão e a proibição completa de comercialização, distribuição, exportação, fabricação, propaganda e uso de todos os lotes do produto em questão. Já para a Shark Pro, a resolução impõe o recolhimento do mercado e a suspensão da comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso de todos os seus suplementos alimentares, independentemente do lote. Essas ações buscam retirar os produtos irregulares de circulação e impedir que novos itens com as mesmas falhas cheguem aos consumidores.

A importância da fiscalização em suplementos para a saúde

A atuação da Anvisa é fundamental para manter a segurança e a integridade do mercado de suplementos alimentares. A presença de substâncias não declaradas ou a falta de controle na fabricação não são apenas infrações regulatórias, mas representam um sério risco à saúde dos indivíduos. Consumidores que utilizam suplementos adulterados podem desenvolver efeitos adversos graves, sem ter conhecimento da real composição do que estão ingerindo. A fiscalização contínua e as proibições são ferramentas essenciais para assegurar que apenas produtos seguros e devidamente regulamentados estejam disponíveis para a população, reforçando a importância de sempre verificar a procedência e a regularização dos produtos junto aos órgãos competentes.

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