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Fred está de volta ao futebol brasileiro após 13 anos no exterior. Sua possível estreia pode acontecer em um confronto entre Atlético-MG e Internacional, no Beira-Rio, marcado para as 18h30 (de Brasília) do dia 21 de agosto de 2026. Os dois clubes, centrais na trajetória do meio-campista, foram palco de uma controversa disputa envolvendo o atleta há 19 anos, marcada por insatisfação presidencial e a intervenção do irmão de Ronaldinho Gaúcho.

Ex-diretor da base do Atlético-MG recorda a saída de Fred

A história de Fred teve início no bairro Venda Nova, em Belo Horizonte, como uma simples diversão com amigos nas ruas. Rapidamente, a brincadeira evoluiu para um compromisso sério quando o jovem, apelidado de Fredin na infância, foi chamado para integrar a base atleticana após demonstrar talento notável no futsal, realizando o sonho de jogar pelo seu clube de coração.

O primeiro gol profissional de Fred ocorreu contra o Atlético-MG

Naquela fase, entre dez e onze anos de idade, Fred dividia sua rotina entre o futebol de campo e a equipe escolar, onde atuava como ala pela esquerda. Durante esse período, ele foi treinado por Enderson Moreira, hoje técnico do Novorizontino, que guarda lembranças afetuosas daquele tempo.

“Nós nos conhecemos em um colégio de Belo Horizonte”, contou Enderson Moreira. “No futsal, o time estava entre os mais fortes de Minas Gerais e do Brasil. Ele já jogava futebol de campo no Atlético e, à noite, treinava conosco. Rapidamente, ele conseguiu seu lugar na equipe.”

Fred - Atlético-MG.
Fred – Atlético-MG.

“Fred era um ala-esquerdo com grande habilidade em ambas as pernas, sempre buscando o centro da quadra”, acrescentou o treinador. “Lembro-me bem da sua estreia, em um jogo do Metropolitano contra o Atlético. Estávamos perdendo por 5 a 1, mas ele entrou no segundo tempo e mudou completamente a partida, conseguindo uma virada incrível.”

Nascido em 1993, Fred passou grande parte de sua formação nas categorias de base do Atlético-MG. Antes de se consolidar como meio-campista no Manchester United e na Seleção Brasileira, ele iniciou sua carreira como lateral-esquerdo. Somente mais tarde, ele mudou de posição e se destacou, já demonstrando sua qualidade desde os primeiros anos.

Além de Fred, a base contava com talentos como Bernard, nascido em 1992, e outros jogadores promissores. André Figueiredo, ex-atleta, atuou como diretor da base do clube entre os anos de 2003 e 2017.

“Fred chegou ao Atlético muito jovem, exibindo seu talento desde o começo”, afirmou André Figueiredo. “Ele jogava como lateral-esquerdo e permaneceu conosco até perto dos 16 anos, quando acabou deixando o clube. Embora observássemos sua habilidade técnica, ele era fisicamente magro e franzino. No entanto, sua inteligência e capacidade de apoio eram notáveis.”

Pouco antes de completar 16 anos, a idade legal para assinar o primeiro contrato profissional e vincular seus direitos econômicos a um clube, Fred parou de aparecer nos treinos diários. Começaram então a circular rumores sobre sua possível partida.

“Primeiro, não contávamos com amparo legal adequado”, explicou André Figueiredo. “Um atleta só podia assinar contrato profissional aos 16 anos, e não havia um contrato de formação que protegesse os clubes. Naquele período, o Atlético não possuía uma estrutura financeira robusta para competir. Este vácuo legal, comum na época, permitia que clubes perdessem jovens talentos sem compensação, uma situação que contrasta com a legislação atual, que busca proteger mais os clubes formadores.”

Negociações e a participação da família de Ronaldinho Gaúcho

“Seis meses antes de o jogador completar 16 anos, nós procuramos o pai de Fred para discutir um contrato”, complementou Figueiredo. “Fiz uma proposta, mas durante a conversa, percebi que ele já havia chegado a um acordo com outro clube, embora eu não soubesse qual.”

O envolvimento do irmão de Ronaldinho Gaúcho na transferência

O clube que selou o acordo com Fred foi o Internacional. O Atlético-MG, ao tentar impedir a negociação, chegou a contatar Fernando Carvalho, então vice-presidente de futebol do Inter. Contudo, pouco tempo depois, Fred foi visto em Porto Alegre, integrando a equipe de Assis, ex-jogador e irmão de Ronaldinho Gaúcho.

“O Internacional abordou Fred diretamente”, explicou o ex-diretor. “Após o contato do nosso presidente com Carvalho, eles recuaram um pouco e intermediaram a situação com a equipe de Assis. Fred permaneceu lá por um ano e depois seguiu seu caminho. Não tivemos chance de fazer uma contraproposta, mas a culpa não foi dele, e sim da falta de proteção legal.”

“Naquela época, ficamos profundamente chateados”, recordou Figueiredo. “O presidente chegou a ordenar que se buscassem todos os bons jogadores do Inter. A vontade de retaliar existiu, mas questionamos se o correto não seria impulsionar um movimento para proteger todos os clubes.”

No momento da saída de Fred, a legislação não previa contrato de formação para atletas menores de 16 anos, nem existiam regras claras sobre os direitos de jogadores das categorias de base. Atualmente, os clubes formadores possuem maior proteção, com prioridade para apresentar contratos profissionais e a possibilidade de igualar ofertas de equipes concorrentes. O contrato de formação, válido para jovens a partir dos 14 anos, foi estabelecido legalmente em 2011, e práticas como as daquele período são consideradas aliciamento.

Recordações e o presente de Fred

Durante sua apresentação no Atlético-MG, em seu retorno, Fred revisitou o ocorrido e expressou sua satisfação por, finalmente, ter a oportunidade de jogar pelo time profissional.

“Foi um período em que algumas pessoas no Atlético-MG não davam o devido valor. Sendo de Belo Horizonte e estando na base, eu não queria sair, mas infelizmente não foi possível permanecer”, afirmou Fred.

“Conquistei uma carreira de muito sucesso, e a decisão de ir para o Internacional foi acertada”, declarou Fred. “É um clube que respeito muito, que me acolheu e a quem sou muito grato. Lá fui abraçado e me tornei profissional.”

Até o momento, a participação de Fred no jogo de domingo permanece incerta. Embora seu nome já tenha sido registrado no BID, sua presença na delegação alvinegra não está confirmada. Em sua passagem pelo Internacional, o meio-campista disputou 55 partidas em duas temporadas, balançando as redes oito vezes e contribuindo com seis assistências.

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