Uma nova pesquisa indica que microrganismos oriundos da Terra possuem a capacidade de sobreviver nas condições extremas da superfície lunar, ainda que em um estado de animação suspensa. A descoberta, publicada em 18 de junho de 2024, sugere que as crateras e vales do satélite natural podem oferecer o abrigo necessário contra a radiação e as temperaturas severas, abrindo novas perspectivas para a exploração espacial e a proteção planetária.
Nova pesquisa desafia concepções sobre vida na lua
Mais sobre o assunto: Telescópio espacial Nancy Grace Roman da Nasa incorpora espelho de satélite espião
Estudos anteriores, como um de 2019, haviam apontado que a superfície lunar era excessivamente inóspita para a sobrevivência microbiana. Os raios ultravioleta e o calor do sol eram considerados os principais obstáculos à vida. Contudo, essa nova análise introduz um elemento crucial que não era totalmente considerado: a proteção oferecida pelas características geográficas da lua. As sombras projetadas por colinas e vales, especialmente nas regiões polares, onde a luz solar nunca atinge diretamente, podem criar microambientes mais propícios à manutenção da vida em um estado latente.
Como as condições lunares podem abrigar microrganismos
Os pesquisadores analisaram dados de sobrevivência de três tipos de bactérias e dois tipos de fungos, frequentemente encontrados em missões espaciais tripuladas. Esses microrganismos são conhecidos por sua resiliência a condições adversas como vácuo, frio intenso e partículas de alta energia. Ao cruzar essas informações com mapas lunares que detalham a incidência de raios ultravioleta e os níveis de calor, os cientistas identificaram que os polos lunares possuem áreas com potencial para abrigar esses seres, em um processo conhecido como criptobiose. Neste estado, eles não crescem nem se movem, mas podem ser reativados se as condições se tornarem mais favoráveis.
- Tipos de microrganismos estudados:
- Condições de resistência conhecidas:
- Locais potenciais de sobrevivência na lua:
* Três variedades de bactérias
* Duas variedades de fungos
* Vácuo espacial
* Baixas temperaturas
* Partículas de alta energia
* Regiões polares (especialmente em áreas de sombra permanente)
* Pequenas áreas de abrigo, como pegadas ou rastros de rovers
Prabal Saxena, cientista planetário do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA e coautor do estudo, explicou que os micróbios podem não precisar de muita proteção. Ele afirmou que “mesmo uma pegada ou o rastro de um rover pode criar uma área habitável”.
Implicações para futuras missões espaciais e a busca por vida
As descobertas levantam importantes questões sobre as missões futuras à lua, incluindo a missão Artemis III da NASA, que planeja levar humanos ao polo sul lunar. A pesquisa sugere que é necessário um cuidado ainda maior com os materiais que são levados para o espaço. Heather Graham, geoquímica orgânica também do Centro Goddard da NASA e coautora do estudo, disse que os achados “mostram que precisamos ser ainda mais cuidadosos com os materiais que podemos levar inadvertidamente conosco ao explorar o espaço, e os impactos que podemos ter”. Isso reforça a necessidade de protocolos rigorosos de proteção planetária para evitar a contaminação de outros corpos celestes com vida terrestre.
A lua como um possível “arquivo” da vida terrestre
Além da possibilidade de microrganismos serem levados à lua por missões, os cientistas consideram que impactos cósmicos antigos podem ter ejetado rochas contendo micróbios da Terra, que teriam chegado à lua. Saxena destacou que “a lua pode ser como o freezer da Terra, preservando fragmentos realmente interessantes de evidências do passado da Terra se eles pousaram nos polos da lua”. Experimentos futuros buscarão testar o quão bem diversos tipos de micróbios podem sobreviver no ambiente lunar, explorando os limites da vida em ambientes extremos.
