Jogadores criticam plano da ATP de cortar chaves e prêmios em torneios de duplas

Orlando Luz e Rafael Matos - InstagramOrlando Luz e Rafael Matos - Instagram

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No pódio do Masters 1000 de Cincinnati, em 23 de agosto de 2026, uma discussão além das celebrações habituais do tênis ganhou evidência. Os tenistas Orlando Luz, que conquistou o título de duplas ao lado de Rafael Matos pela segunda semana seguida, e o holandês Robin Haase, que fez dupla com Constantin Frantzen, usaram suas falas para contestar uma iniciativa da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) que visa diminuir o número de vagas e as recompensas financeiras em torneios de duplas a partir de 2028.

Em julho de 2026, a parceria brasileira já havia se unido a diversos outros atletas do circuito para divulgar um manifesto sobre o assunto. O documento aponta que as mudanças propostas envolveriam um menor número de participantes, o que “concentra mais premiação em menos jogadores e diminui as oportunidades para que outros consigam competir e viver do esporte”. Os atletas ainda denunciam a falta de transparência e comunicação no processo de tomada de decisão.

O manifesto dos jogadores conclui com um apelo: “Em um momento em que o tênis está mais forte do que nunca, deveríamos fortalecer todas as áreas do esporte, não reduzir oportunidades dentro dele. Pedimos que a ATP retire essas propostas e abra um diálogo real e construtivo com os jogadores, para que o tênis continue crescendo ainda mais.”

Durante a celebração do título em Cincinnati, o brasileiro Orlando Luz, que foi campeão ao lado de Rafael Matos no Masters 1000 de Cincinnati 2026, reforçou a mensagem ao afirmar: “Nós queremos manter as duplas vivas, então é bom saber que vocês gostam.”

As alterações foram apresentadas a aproximadamente 50 duplistas durante o torneio de Wimbledon deste ano. O plano prevê uma redução de 50% no número de duplas inscritas nas competições. Em torneios Masters 1000, as 32 parcerias atuais seriam cortadas para 16, e nos ATPs 250 e 500, o total de 16 duplas cairia para apenas oito.

Sobre as premiações, a proposta é alterar a distribuição dos valores monetários de 80-20 para 90-10. Essa mudança implicaria que 90% do total seria direcionado aos tenistas de simples, enquanto apenas 10% ficaria para as duplas. A ATP justifica que o valor adicional seria utilizado para elevar as quantias pagas aos atletas de simples nas fases iniciais dos torneios, uma medida que, na visão dos duplistas, desvaloriza a especialidade e prejudica a subsistência de muitos profissionais.

Adicionalmente, os rankings de simples ganhariam mais relevância na definição das chaves de duplas nos torneios da série Challenger, uma categoria abaixo dos eventos da ATP.

Robin Haase, vice-campeão do Masters 1000 de Cincinnati 2026 ao lado de Constantin Frantzen, apelou diretamente à entidade: “ATP, gostaria de mostrar a vocês este clipe, como os fãs aproveitaram a partida. Espero que vejamos muitas duplas boas no futuro.”

Durante a final do Masters 1000 de Cincinnati, o assunto foi tratado de forma indireta pelos participantes. O holandês Robin Haase foi o primeiro a se manifestar sobre a questão.

“Tenho uma pergunta para os torcedores: vocês gostaram das duplas hoje? Vocês ficaram entretidos? ATP, gostaria de mostrar a vocês este clipe, como os fãs aproveitaram a partida. Espero que vejamos muitas duplas boas no futuro”, declarou Haase, recebendo aplausos da plateia e de Orlando Luz.

Na sequência, Constantin Frantzen também mencionou a participação da torcida na decisão, um ponto reforçado por Orlando Luz. Em todas as declarações, o público demonstrou apoio aos atletas.

O alemão Constantin Frantzen agradeceu: “Para os fãs, obrigado por virem hoje, nos apoiarem, quase encherem o estádio. Quem sabe, na próxima vez, vocês possam encher todo o estádio e torcer por nós.”

Por fim, Orlando Luz complementou: “Vocês gostaram da partida hoje? Isso é bom. Nós queremos manter as duplas vivas, então é bom saber que vocês gostam.”