Operação da Polícia Militar atinge Complexo de Israel com foco em tráfico e intolerância religiosa

PM fecha a Avenida Brasil - Reprodução/TV GloboPM fecha a Avenida Brasil - Reprodução/TV Globo

PM fecha a Avenida Brasil - Reprodução/TV Globo

A Polícia Militar iniciou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026 uma nova ofensiva contra traficantes que atuam no Complexo de Israel, localizado na Zona Norte do Rio. As equipes militares concentram suas ações nas comunidades de Vigário Geral e Parada de Lucas, que estão entre as cinco favelas sob o domínio do grupo criminoso Terceiro Comando Puro (TCP). A operação já registrou intensos confrontos e, além de combater os conflitos entre facções, tem como foco principal a repressão a atos de perseguição e intolerância religiosa contra minorias, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos.

Como medida preventiva à movimentação policial, a Linha Vermelha e a Avenida Brasil foram temporariamente interditadas e, posteriormente, reabertas. Apesar da liberação, o trânsito na Avenida Brasil ainda apresenta impactos significativos, conforme informações do Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura. No sentido Centro, os motoristas enfrentam reflexos a partir do Trevo das Margaridas, enquanto na direção da Zona Oeste, há retenções a partir da Rua Bulhões Marcial.

Mais de duzentos policiais militares, com o suporte de unidades especializadas e uma robusta estrutura operacional, foram mobilizados para conter as disputas territoriais e combater a atuação de grupos criminosos na região do complexo de comunidades. Esta intervenção representa a segunda etapa de uma operação que teve início dias antes, concentrando-se inicialmente nas favelas de Cinco Bocas, Pica-pau e Cidade Alta. Na Cidade Alta, os agentes permaneceram no local após a corporação identificar, pela primeira vez, o uso de carros-bomba por traficantes e a presença de barricadas explosivas. Segundo a corporação, esses artefatos seriam acionados à distância com a aproximação das forças de segurança.

De acordo com o major Maicon Pereira, porta-voz da PM, a operação visa não apenas o combate à intolerância religiosa, mas também impedir confrontos de criminosos do Complexo de Israel com grupos rivais das comunidades de Dourados, Tinta, Quitungo e Complexo da Penha, o que coloca toda a população local em risco.

O oficial informou que esta fase da ação segue uma intervenção anterior na Cidade Alta, onde mais de nove veículos foram recuperados e mais de dez toneladas de barricadas removidas pela Polícia Militar.

A relevância da posição topográfica da Cidade Alta para criminosos

A Polícia Militar observa que a Cidade Alta possui uma posição topográfica estratégica, fator que pode ser explorado por grupos criminosos para ampliar a capacidade de observação, controle territorial e confrontar as forças de segurança. Com a estabilização dessa área, a corporação afirmou em nota que a Polícia Militar avança para a fase atual da operação, com o foco em Parada de Lucas e Vigário Geral.

A operação conta com a participação de agentes de diversos batalhões especializados, como o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom), Grupamento Aeromóvel (GAM) e o Núcleo de Apoio a Operações Especiais (NAOE).

Para a execução da operação, a frota inclui 40 viaturas leves, 15 motocicletas, cinco Veículos Blindados de Transporte de Pessoal (VBTP), uma ambulância do Bope, um Núcleo de Aeronave Remotamente Pilotada (NuARP) e duas aeronaves, sendo uma delas blindada.

PM faz operação no Complexo de Israel – Reprodução/ TV Globo

Consequências da operação para escolas e unidades de saúde locais

Devido à presença das forças de segurança, quatro unidades escolares localizadas em Vigário Geral e Parada de Lucas precisaram suspender suas atividades. Além disso, duas unidades de Atenção Primária da região fecharam suas portas e estão avaliando a possibilidade de reabertura nas próximas horas, conforme a Secretaria Municipal de Saúde. Outras três unidades de saúde continuam a oferecer atendimento, mas optaram por não realizar atividades externas, como as visitas domiciliares, para garantir a segurança de todos.