Medicamentos orais para emagrecer: Novo Nordisk e Eli Lilly preparam chegada em 2026

4 min de leitura
Ozempic Foto: Ozempic - Foto: Alones/ Shutterstock.com

Comprimidos para o tratamento da obesidade, baseados em GLP-1, estão se aproximando do lançamento, com expectativa de chegada aos pacientes nos Estados Unidos em 2026. As empresas farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lilly, que lideram o setor de injeções semanais, são as principais apostas para essa inovação.

Este novo formato oral pode se tornar uma opção mais acessível e conveniente para muitos, especialmente em comparação com as injeções que revolucionaram o manejo da obesidade nos últimos anos.

As empresas do ramo acreditam que a disponibilidade de pílulas aumentará significativamente o número de usuários, abrangendo indivíduos com aversão a agulhas ou aqueles que subestimam a gravidade de sua condição.

Apesar de especialistas indicarem que a eficácia dos comprimidos pode não superar a das injeções semanais existentes, a introdução de novas alternativas terapêuticas é considerada um progresso vital, principalmente diante dos recentes desafios de abastecimento dos injetáveis.

Uma projeção do Goldman Sachs, divulgada em agosto, aponta que as versões em comprimido podem movimentar 24% do mercado global de emagrecedores até 2030, o que representaria cerca de US$ 22 bilhões dentro de um volume total estimado em US$ 95 bilhões.

Empresas competem para lançar os primeiros comprimidos

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk parece estar à frente na corrida, visando a aprovação de seu medicamento GLP-1 oral à base de semaglutida até o final deste ano. Se aprovado, o Wegovy em formato de comprimido poderá estar disponível para compra já no começo de 2026.

Já a Eli Lilly ainda não submeteu o pedido formal para seu GLP-1 oral, o orforglipron, mas pretende fazê-lo ainda em 2024. A empresa recebeu do Food and Drug Administration (FDA), em novembro, um voucher de revisão prioritária, o que pode acelerar a análise e permitir que o comprimido chegue ao mercado em 2026.

Embora os preços oficiais dos comprimidos não tenham sido anunciados, as duas companhias indicaram a intenção de oferecer descontos. Em acordos recentes, foi comunicado que doses iniciais poderão custar US$ 149 mensais para clientes que comprarem pela plataforma direta ao consumidor TrumpRx, com lançamento previsto para janeiro.

Este valor representa uma redução considerável em comparação com o preço de tabela atual das injeções, como Wegovy e Zepbound, que custam aproximadamente US$ 1.000 por mês antes da aplicação de planos de saúde.

Eficácia e a acirrada concorrência no setor

A comparação direta entre os dois comprimidos é complexa, visto que os ensaios clínicos foram conduzidos com distintas metodologias e tamanhos de amostra. O estudo da Eli Lilly, por exemplo, envolveu cerca de 3.000 participantes, enquanto o da Novo Nordisk analisou aproximadamente 300.

No entanto, os dados preliminares sugerem que a semaglutida oral da Novo Nordisk pode propiciar uma perda de peso média mais expressiva. Em estudos, a dosagem de 25 mg alcançou uma redução de até 16,6% no peso corporal em 64 semanas, enquanto o comprimido da Eli Lilly mostrou uma perda média de 12,4% em 72 semanas na sua maior dose.

Mesmo com essa variação nos resultados, analistas do mercado não preveem que a levemente inferior eficácia do medicamento da Eli Lilly será um impedimento significativo para sua ampla aceitação.

O Goldman Sachs estima que, até 2030, o comprimido da Eli Lilly poderá dominar aproximadamente 60% do mercado de medicamentos orais diários, com a Novo Nordisk detendo cerca de 21%. A fatia restante será disputada por novos participantes.

Outras grandes farmacêuticas, como Viking Therapeutics, Structure Therapeutics, AstraZeneca, Roche e Pfizer, também estão investindo no desenvolvimento de comprimidos para obesidade. A expectativa é que novos dados clínicos desses tratamentos experimentais sejam revelados ao longo de 2026, intensificando a concorrência neste mercado farmacêutico global em plena expansão.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

Notícias relacionadas