Um tornado causou devastação em áreas rurais de Yungay, na região de Ñuble, centro-sul do Chile, em 28 de julho, deixando ao menos 30 residências danificadas. O fenômeno climático foi tão intenso que algumas moradias foram arrancadas de seus alicerces e deslocadas por vários metros, tornando-as irrecuperáveis.
Balanço de casas afetadas se amplia e famílias buscam apoio
As autoridades chilenas confirmaram o número de 30 residências impactadas, com muitas delas gravemente comprometidas. Inicialmente, relatórios apontavam para cerca de oito casas, um número que rapidamente subiu para 20 e dez destruídas, segundo o governador regional de Ñuble, Óscar Crisóstomo, até ser finalizado em 30 pelo subsecretário do Interior, Máximo Pavez. Essa variação é comum em eventos rurais, onde o acesso é difícil e a dimensão total dos estragos só se revela com a luz do dia.
Apesar da magnitude da destruição material, não houve registro de feridos. As famílias que perderam suas casas foram realocadas para a residência de parentes, pois o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) não ativou abrigos oficiais.
Danos concentrados em regiões rurais e infraestrutura crítica
A força do tornado concentrou-se principalmente nas localidades de Cholguán, Campanario e San Miguel de Itata, com relatos adicionais em Ranchillo Bajo e Saltillo de Itata. A trajetória do fenômeno foi estimada de noroeste para sudeste, impactando diversos pontos.
Em Cholguán, os ventos violentos arrancaram o teto da sala de laboratórios da planta Paneles Arauco Trupán. Postes e árvores caíram sobre as estradas, causando interrupção na rede elétrica da empresa Frontel. Um morador, Alexis González, descreveu ter encontrado apenas o radier, a base de concreto, da casa de seus pais, com móveis e paredes espalhados pelo terreno.
Milhares de clientes ficaram sem eletricidade após a passagem do tornado
A interrupção no fornecimento de energia elétrica afetou um total de 15.860 clientes em três comunas da região, conforme o balanço divulgado.
- Yungay: 11.212 clientes
- El Carmen: 2.686 clientes
- Pemuco: 1.962 clientes
Equipes do Exército chileno e do Senapred foram mobilizadas após um Comitê Operacional de Emergência Regional (Cogrid) comunal. O delegado presidencial de Ñuble, Diego Sepúlveda, informou que as equipes estão distribuindo materiais essenciais às famílias atingidas. A região permanece em Alerta Temprana Preventiva devido à instabilidade meteorológica, e a Direção Meteorológica do Chile manteve o aviso de condições climáticas adversas para o dia seguinte.
Classificação F0/EF0 não reflete a intensidade da destruição em Yungay
O fenômeno foi inicialmente classificado como F0 pela Direção Meteorológica do Chile, através da meteorologista Claudia González. A Direção Geral de Aeronáutica Civil e Sepúlveda usaram a escala Enhanced Fujita (EF), atribuindo uma classificação preliminar de EF0, que corresponde a ventos entre 105 e 137 km/h. Tradicionalmente, o rótulo EF0 sugere um dano leve, como telhas arrancadas e galhos caídos.
No entanto, a realidade em Yungay foi muito mais severa, com casas inteiras perdidas e estruturas deslocadas. Essa discrepância ocorre porque o Chile não possui radares específicos para monitorar tornados, e a classificação é feita com base na análise dos estragos pós-evento, e não em medições em tempo real. Por essa razão, a categoria do tornado pode ser reavaliada após uma análise mais aprofundada em campo.
Região de Ñuble já havia registrado outro tornado recentemente
Este é o segundo tornado que atinge Ñuble em pouco mais de um mês. Em 27 de julho de 2026, a comuna de El Carmen foi palco de um tornado classificado como EF1, que resultou na destruição de galpões, morte de gado e um ferido.
Óscar Crisóstomo, governador regional, comparou o evento de Yungay a um sistema frontal que havia ocorrido um mês antes. Ele explicou que, desta vez, o impacto foi mais concentrado geograficamente, mas a força destrutiva em pontos específicos foi significativamente maior, chegando a mover moradias de seus locais originais. Para os moradores das áreas rurais afetadas, a principal mudança na prática é o desafio da reconstrução. Sem a oferta de abrigos oficiais, a responsabilidade recai sobre os familiares, enquanto a espera pela recuperação da eletricidade nas três comunas e a contabilização final das perdas pelo Ministério da Habitação continuam.
