Copos ‘ecológicos’ de papel liberam microplásticos em bebidas quentes

Copos descartáveis, copo ecológicos - sitthiphong/Shutterstock.com

Copos descartáveis, copo ecológicos - sitthiphong/Shutterstock.com

Copos descartáveis de papel, usados para servir café, chá e outras bebidas quentes, podem liberar milhões de partículas plásticas durante o uso. A descoberta é resultado de uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, que examinou recipientes com revestimentos de polietileno (PE) ou ácido polilático (PLA).

Ambos os tipos de revestimento liberaram fragmentos ao entrar em contato com água quente. Nos testes, contudo, os copos revestidos com PLA, material considerado biodegradável, apresentaram uma liberação de partículas cerca de 12 vezes maior em massa total comparado aos recipientes com PE.

Camada plástica interna é comum em copos de papel

Para investigar o fenômeno da liberação de partículas, os pesquisadores analisaram dois modelos de copos descartáveis: aqueles com revestimento interno de polietileno (PE) e os que utilizam ácido polilático (PLA), uma alternativa ao plástico tradicional que é biodegradável.

Apesar de serem comercializados como copos de papel, esses recipientes geralmente contêm uma fina camada plástica em sua parte interna. Essa cobertura tem a função de impedir que o líquido vaze e, simultaneamente, ajuda o copo a manter sua forma estrutural em contato com bebidas.

Foi exatamente essa camada que se tornou o foco do estudo. Quando os copos foram preenchidos com água quente, tanto o PE quanto o PLA liberaram partículas de plástico. A principal diferença observada foi na quantidade liberada por cada tipo de material.

O doutor Elvis Okoffo, pesquisador da Queensland Alliance for Environmental Health Sciences (QAEHS), da Universidade de Queensland, comentou em comunicado que “um copo feito principalmente de papel não significa que o copo seja livre de plástico, porque muitos contêm um fino revestimento plástico que proporciona resistência à água e integridade estrutural”.

Close-up de microplásticos nas mãos de pessoas, conceito de poluiçãos – Wirestock Creators/Shutterstock.com

Revestimento de PLA libera maior quantidade de microplásticos

As medições revelaram as distinções entre os materiais. Nos copos com PLA, os pesquisadores identificaram aproximadamente 4,3 milhões de nanopartículas por mililitro. Já nos recipientes revestidos com PE, o número registrado foi de cerca de 2,7 milhões de partículas por mililitro.

Essas nanopartículas são extremamente pequenas, possuindo uma espessura equivalente a aproximadamente um milésimo de um fio de cabelo humano.

Detalhes sobre os resultados do estudo da Universidade de Queensland

Os principais achados do experimento foram:

  • Os revestimentos de PE liberaram partículas plásticas na presença de água quente.
  • O mesmo ocorreu com os copos revestidos de PLA.
  • A massa total de partículas liberada pelo PLA foi aproximadamente 12 vezes maior que a do PE.
  • Copos de PLA apresentaram cerca de 4,3 milhões de nanopartículas por mililitro.
  • Nos copos de PE, foram registradas aproximadamente 2,7 milhões de partículas por mililitro.

Impacto das partículas de plástico na saúde humana permanece incerto

Os autores da pesquisa não afirmam que o consumo de bebidas em copos descartáveis causa problemas de saúde. Ainda não está claro o que acontece com essas partículas após serem ingeridas e chegarem ao organismo humano.

“Isso não significa necessariamente que as pessoas devam parar de usar copos de papel, ou que o PLA seja inerentemente inseguro”, disse Okoffo.

Para o pesquisador, é fundamental que os materiais empregados em produtos que entram em contato com alimentos sejam avaliados também pela quantidade de partículas que podem ser liberadas durante o uso rotineiro.

A equipe de pesquisa sugere que os consumidores recebam informações claras sobre os materiais presentes nos revestimentos dos copos. Além disso, defendem que os órgãos reguladores incluam testes de liberação de micro e nanoplásticos na avaliação de segurança de produtos desenvolvidos para bebidas quentes.

“Os formuladores de políticas e reguladores poderiam considerar se os testes de liberação de micro e nanoplásticos deveriam fazer parte da avaliação de segurança dos materiais que entram em contato com alimentos, especialmente produtos desenvolvidos para bebidas quentes”, afirmou.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.