Com ventos sustentados de 296 km/h e rajadas estimadas em até 361 km/h, o supertufão Champi atingiu a categoria 5, nível máximo da escala Saffir-Simpson (classificação internacional que mede a intensidade de furacões e tufões de 1 a 5), nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, no Oceano Pacífico Ocidental. O fenômeno consolidou-se como a tempestade tropical mais forte do planeta em 2026 em velocidade de ventos, de acordo com dados da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa), mas atua exclusivamente no hemisfério norte e não tem relação com os dois ciclones extratropicais que provocarão temporais em nove estados brasileiros até segunda-feira (26).
Classificado como “ciclone monstro” pela meteorologista Estael Sias, o sistema posicionado sobre o Mar das Filipinas mantém em estado de alerta as autoridades de Taiwan, Filipinas, Japão e China, sem qualquer interferência na atmosfera da América do Sul. No Brasil, de forma independente ao evento asiático, a formação consecutiva de dois centros de baixa pressão atmosférica associados ao fluxo contínuo de umidade trará chuvas intensas para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás.
Dois ciclones extratropicais provocam temporais em 9 estados do Brasil
Mesmo sem ligação física ou atmosférica com o supertufão Champi, o território brasileiro enfrenta uma sequência de instabilidades severas provocada pelo avanço inicial de um cavado atmosférico (área alongada de baixa pressão) e pela posterior formação de dois ciclones extratropicais em sequência nas regiões Sul e Sudeste. A combinação desses centros de baixa pressão com o transporte constante de umidade cria um corredor de nuvens carregadas capaz de gerar temporais com descargas elétricas, volumes elevados de precipitação, alagamentos e destelhamentos em áreas isoladas dos nove estados afetados.
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O primeiro ciclone extratropical se forma entre a sexta-feira (23) e o sábado (24), alterando as condições climáticas e provocando temporais no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Logo após a passagem desse sistema pela Região Sul, um segundo ciclone extratropical começa a se estruturar próximo à faixa litorânea da Região Sudeste no domingo (25), ampliando o raio de ação das tempestades para partes do Centro-Oeste e do Sudeste.
A evolução diária dos sistemas meteorológicos no Brasil e na Ásia segue o cronograma abaixo:
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- Quarta-feira (21): avanço de um cavado atmosférico inicia as instabilidades no Sul do Brasil, no mesmo dia em que o supertufão Champi atinge a categoria 5 no Oceano Pacífico;
- Quinta-feira (22): o cavado atmosférico intensifica o transporte de umidade e provoca pancadas de chuva entre o oeste do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás;
- Sexta-feira (23): início da formação do primeiro ciclone extratropical no Sul do Brasil e período previsto para a maior aproximação do supertufão Champi da ilha de Taiwan;
- Sábado (24): continuidade da atuação do primeiro ciclone sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, simultaneamente ao avanço do tufão pela costa asiática;
- Domingo (25): formação e ápice do segundo ciclone extratropical na costa do Sudeste brasileiro, espalhando tempestades pelo Centro-Sul e impulsionando uma nova massa de ar frio;
- Segunda-feira (26): deslocamento do segundo ciclone para o Oceano Atlântico, com manutenção de chuvas no Espírito Santo e no Norte de Minas Gerais.
Avanço do segundo ciclone no Sudeste e queda de temperatura no domingo (25)
O segundo centro de baixa pressão ganha força na madrugada de domingo (25), quando o risco de pancadas fortes e tempestades atinge inicialmente o Mato Grosso do Sul, São Paulo e o Paraná. Ao longo da manhã do mesmo dia, as áreas de instabilidade avançam sobre o Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e o Norte do Rio Grande do Sul.
Até o fim de domingo (25), o segundo ciclone extratropical atinge seu ápice na altura do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, mantendo a circulação marítima de umidade e o risco de transtornos nas faixas costeiras. Na retaguarda desse sistema, o avanço de uma nova massa de ar frio derrubará as temperaturas no Centro-Sul do Brasil, mantendo os termômetros com marcas abaixo da média histórica até o início de novembro.
Supertufão Champi registra pressão de 895 hPa e paralisa rotas na China
No Oceano Pacífico Ocidental, a rápida intensificação do supertufão Champi foi impulsionada pelo calor acumulado nas águas oceânicas, que apresentavam temperaturas de superfície próximas a 30 °C, somado à alta umidade e ao baixo cisalhamento vertical do vento (pouca variação na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude, condição que permite a organização vertical da tempestade). O interior do fenômeno registrou uma pressão atmosférica central mínima de 895 hectopascais (hPa), unidade padrão para medir a pressão do ar; quanto menor esse índice, mais severa é a tempestade. Em 2026, essa marca de baixa pressão só foi superada pelo furacão Polo, que chegou a 892 hPa no Pacífico Oriental, mas o Champi ultrapassou o pico de ventos sustentados de Polo, que havia sido de 285 km/h.
Antes de alcançar o estágio máximo de força, o sistema já havia provocado medidas de emergência no Pacífico: no sábado (17), a tempestade passou a menos de 16 quilômetros de Guam, território insular dos Estados Unidos na Micronésia. Com o deslocamento da circulação do tufão em direção ao continente asiático, que coloca em atenção centros urbanos chineses como Xangai e Xiamen e as províncias de Fujian e Zhejiang, autoridades de Zhejiang ativaram planos de emergência, suspenderam as obras em 223 projetos marítimos e cancelaram 36 rotas de balsas de passageiros.
Como os ciclones formam corredores de chuva e o deslocamento na segunda-feira (26)
Os ciclones extratropicais previstos para o Brasil atuam como centros de baixa pressão atmosférica que, conforme a localização geográfica e o relevo de cada estado, canalizam a umidade disponível e aceleram a formação de nuvens de tempestade. O volume exato e a distribuição espacial das chuvas dependem da trajetória final desses centros de baixa pressão, razão pela qual os órgãos de meteorologia recomendam o acompanhamento constante das atualizações dos alertas oficiais.
Na segunda-feira (26), o segundo ciclone extratropical se afasta da costa brasileira em direção ao interior do Oceano Atlântico. Mesmo em processo de deslocamento para alto-mar, o sistema manterá a previsão de chuva para o Espírito Santo e o Norte de Minas Gerais, além de estruturar um canal de umidade direcionado para partes da Região Nordeste.
