Sirius avança em estudo de proteína ligada a doenças neurodegenerativas e caso de Lito Sousa

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Lito Souza - Instagram Foto: Lito Souza - Instagram

A confirmação da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) no influenciador Lito Sousa trouxe à tona uma pesquisa nacional que investiga as proteínas associadas a doenças priônicas. No centro de tecnologia Sirius, em Campinas, São Paulo, cientistas têm observado as transformações dessas moléculas.

Divulgado na revista Science Advances em 2023, o trabalho científico explorou os estágios iniciais desse processo. É fundamental esclarecer que a pesquisa não possui ligação direta com o diagnóstico de Lito Sousa nem se volta para tratamentos, mas sim para entender os fenômenos que precedem os danos cerebrais.

A DCJ surge de príons, que são proteínas com uma forma modificada, naturalmente encontradas no organismo. Apesar de o estudo aprofundar o conhecimento sobre as doenças priônicas, ele não está especificamente atrelado à situação de Lito Sousa.

Como as proteínas se transformam e causam doenças neurológicas

A proteína príon celular (PrPC) é vital e está presente nos neurônios. Contudo, em casos de doença priônica, sua estrutura pode se modificar, levando outras moléculas semelhantes a replicarem essa conformação anômala.

Tais transformações formam agrupamentos que lesionam o cérebro e o sistema nervoso. Os pesquisadores continuam investigando os mecanismos iniciais que provocam essa alteração.

Uma das teorias em estudo aborda os condensados, pequenas regiões onde as proteínas se juntam. No começo, esses aglomerados se comportam como gotas líquidas e se movimentam. No entanto, em determinadas circunstâncias, essa etapa pode progredir.

Ação do cobre e estresse oxidativo na dinâmica das proteínas

O grupo de cientistas analisou o comportamento dos condensados em um ambiente que continha cobre, um componente natural dos neurônios. Nessas condições, as formações permaneceram em estado fluido.

Aline Ribeiro Passos, cientista do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), explicou que “quando essas gotas ainda são líquidas, a gente não observa uma estrutura patológica. Porém, em algum momento, elas podem passar por um estado intermediário, formando algo gelatinoso, até chegar a um estado sólido”.

Em seguida, os pesquisadores inseriram outra variável ao experimento: o peróxido de hidrogênio, usado para simular condições de estresse oxidativo. Essa inclusão modificou o comportamento das estruturas analisadas.

As análises dos experimentos mostraram que:

  • Os condensados inicialmente apresentam características líquidas.
  • O cobre ajuda a preservar a fluidez das estruturas.
  • O estresse oxidativo resultou em uma alteração na dinâmica.
  • As proteínas iniciaram a formação de estruturas mais endurecidas.
  • Essa modificação é ligada a diversas enfermidades.

Sirius: a tecnologia que impulsiona o estudo das proteínas

Várias análises foram realizadas na Cateretê, uma das instalações de pesquisa do Sirius. No local, elétrons são acelerados a uma velocidade próxima à da luz em um túnel de 500 metros para produzir a luz síncrotron, crucial para as investigações.

Na Cateretê, os cientistas utilizaram a técnica de raios X XPCS. Essa abordagem permitiu não apenas observar o tamanho e a forma das gotículas, mas também desvendar o movimento interno das proteínas.

Aline detalhou que “as proteínas são estruturas extremamente pequenas e têm uma organização muito complexa. Quando elas formam esses condensados, estamos falando de gotas micrométricas. Tentamos identificar qual é o estado físico da proteína dentro dessa gota micrométrica. Para isso, precisamos de muita resolução espacial e temporal, que equipamentos como o Sirius conseguem fornecer”.

Situação de Lito Sousa e o futuro das pesquisas no Brasil

A DCJ é classificada entre as doenças priônicas, porém as descobertas deste laboratório não têm aplicação imediata em pacientes. O estudo não sugere que cobre ou peróxido de hidrogênio sejam a origem da doença, nem levou ao desenvolvimento de um tratamento farmacológico.

Em paralelo aos estudos fundamentais, a família de Lito Sousa busca tratamentos experimentais nos Estados Unidos. O Ministério da Saúde ofereceu apoio para a participação do influenciador em pesquisas, mas uma das principais já havia finalizado a fase de recrutamento. Uma alternativa ainda disponível é a adesão ao estudo PRiSM, conectado a pesquisadores de Harvard e do MIT.

No Brasil, as atividades de pesquisa seguem ativas. Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) têm programadas novas investigações no Sirius para o fim de setembro, empregando a técnica SAXS na linha de luz Sapucaia.

O principal objetivo dos pesquisadores é se concentrar na etapa anterior ao tratamento: decifrar o modo preciso como essas proteínas sofrem modificações. Sem essa compreensão, grande parte do cenário complexo das doenças priônicas e outras condições neurodegenerativas continua sem explicação.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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