Suspeito que se passou por Luís Castro, técnico do Grêmio, aplicando golpe PIX é preso no RioPor Thiago Lemos
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga uma quadrilha que se utilizava de perfis adulterados em aplicativos de mensagens para simular a identidade de Luís Castro, técnico português do Grêmio, a fim de aplicar fraudes financeiras em jogadores do clube. O suspeito principal foi detido no Rio de Janeiro em 02 de setembro de 2026, durante a Operação Falso 9.
Além da equipe gaúcha, a apuração identificou que os alvos dos criminosos incluíam atletas e figuras públicas conectadas a times de outras unidades federativas brasileiras, um clube de futebol da Europa e um artista de reconhecimento nacional. O Grêmio informou que não emitirá posicionamento sobre o caso.
Operação policial mira fraudes contra atletas e figuras públicas
A 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre conduz as investigações. A Operação Falso 9, realizada com o apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro, efetuou o cumprimento de um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão na cidade de Itaperuna, no Rio de Janeiro. O indivíduo sob investigação é suspeito de estelionato por meio de fraude eletrônica e falsidade ideológica.
A apuração criminal foi iniciada depois que a corporação policial recebeu uma denúncia indicando que um indivíduo havia estabelecido contato, via WhatsApp, com quatro jogadores. Ele empregou uma fotografia do treinador do time para se fazer passar por Luís Castro. Em seguida, o fraudador orientou os atletas a comparecerem mais cedo ao centro de treinamento na manhã seguinte, com o pretexto de uma “conversa”.
Com um dos jogadores, o indivíduo que se passava pelo técnico prolongou a comunicação por vários dias, indagando sobre a rotina, a vida familiar e a performance nos treinamentos, e também expressou elogios à sua dedicação. Em certo ponto da interação, o golpista solicitou que o atleta mantivesse o contato em sigilo em relação aos outros colegas, numa estratégia para isolar a vítima e impedir a descoberta da fraude.
Pedidos de PIX para supostas doações sociais
A finalidade do contato culminou em um pedido financeiro, com a alegação de que o dinheiro seria destinado a um projeto social localizado no Rio de Janeiro, por meio da compra de cestas básicas. A solicitação envolvia a aquisição de 300 unidades de cestas básicas, com custo unitário de R$ 75, somando um total de R$ 22.500. Em 6 de maio de 2026, o estelionatário enviou uma chave PIX com informações de uma suposta coordenadora da entidade, instruindo o atleta a realizar a transferência.
Uma primeira tentativa de concretizar a transferência foi impedida pelo limite diário de movimentação bancária da vítima, o que fez com que o golpista remarcasse o pagamento para o dia seguinte e reforçasse, novamente, o pedido de sigilo. No dia subsequente, a transação foi concluída via PIX. Logo depois, o criminoso remeteu ao jogador uma aparente confirmação de que as cestas haviam sido recebidas pela instituição, finalizando essa fase da enganação.
Ampliação do golpe e o papel da discrição
Na mesma data, o estelionatário procurou aumentar o valor do golpe, comunicando à vítima que outro jogador, supostamente “do exterior” e sem condições de responder por causa do fuso horário, também tinha interesse em fazer uma doação. A nova solicitação foi de 600 cestas básicas, totalizando R$ 50 mil, com a exigência de que o atleta adiantasse a quantia, sob a promessa de ser reembolsado posteriormente.
Com o intuito de conferir mais credibilidade à requisição e exercer pressão sobre a vítima, o suspeito chegou a citar a participação de outros jogadores do elenco. Contudo, a nova transação não se concretizou, pois também excedeu o limite diário de movimentação bancária do atleta, o que pôs fim à série de fraudes.







