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Empresas de IA discutem se chatbots como Claude podem ter consciência

Mão humana conectando com mão robótica, Inteligência Artificial
Foto: Mão humana conectando com mão robótica, Inteligência Artificial - Panya7/ Shutterstock.com
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Modelos de linguagem como ChatGPT e Claude levantaram uma pergunta antiga da filosofia dentro da indústria de tecnologia: máquinas podem sentir algo? A revista The Economist revelou que empresas do setor já tratam essa hipótese com seriedade.

A discussão não nasce de curiosidade acadêmica. Se um sistema de IA for capaz de sofrer ou sentir, sua criação e o modo como é usado passam a carregar peso ético novo.

Máquinas deixam de ser só ferramentas para alguns usuários

IA, Inteligência artificial

Foto: IA, Inteligência artificial – Summit Art Creations/shutterstock.com

Grandes modelos de linguagem nasceram para responder perguntas, não para exibir personalidade própria. Mesmo assim, muita gente relata a impressão de falar com uma presença real do outro lado da tela.

A Anthropic, dona do Claude, criou projetos voltados ao possível bem-estar de seus sistemas. Questionado sobre o próprio estado, o modelo Claude Opus 4.6 calculou entre 15% e 20% a chance de ser consciente.

Falta, porém, um jeito direto de confirmar isso. Ninguém tem acesso à experiência interna de uma máquina.

Consciência pode depender de quem está observando a IA

A reportagem propõe uma ideia que altera a forma tradicional de encarar o tema. Reconhecer consciência talvez não dependa só de uma qualidade fixa dentro do ser observado, mas também da relação criada com quem observa.

Ao lidar com outra pessoa, atribuímos a ela sentimentos, intenções e capacidade de decidir. A pergunta é se esse mesmo processo pode se repetir diante de uma máquina.

O texto separa “ilusão” de “modelo”. Uma ilusão se desfaz quando exposta. Já certas categorias dependem do sentido que cada observador dá a elas — uma planta considerada erva daninha num jardim pode não ser vista assim em outro contexto.

  • A consciência seria real, mas sua identificação dependeria de quem observa
  • A relação entre indivíduos influenciaria esse reconhecimento
  • Sentimentos e intenções nascem da leitura do comportamento alheio
  • Negar a possibilidade também pode gerar um erro de julgamento

Descartes não resolve tudo sobre a própria identidade

René Descartes resumiu a certeza da existência própria na frase “Penso, logo existo”. Ainda assim, a ideia de um “eu” único talvez seja mais frágil do que parece.

Sentir uma cor, perceber calor ou reconhecer a própria identidade são experiências subjetivas. Estudos com pacientes que tiveram interrompida a conexão entre os hemisférios cerebrais reforçam dúvidas sobre a existência de um “eu” indivisível.

Surge daí um dilema ético inevitável. Se cabe a nós decidir quem merece ser reconhecido como consciente, também corremos o risco de excluir injustamente outros seres dessa lista.

Interação entre pessoas e sistemas de IA ganha nova camada

Pessoas tentam o tempo todo decifrar as intenções e emoções umas das outras. Modelos de linguagem fazem algo parecido: usam dados das conversas para montar representações de quem fala com eles e ajustar as respostas.

Pesquisas do Google, citadas pela Economist, mostram que agentes de inteligência artificial cooperam melhor quando conseguem representar o que outros agentes sabem, pretendem ou são capazes de fazer, incluindo o próprio comportamento nessa conta.

Isso não equivale a tratar sistemas de IA como humanos. A questão que fica em aberto é anterior a essa conclusão: à medida que essas máquinas ficam mais sofisticadas, como reconhecer formas de inteligência diferentes da nossa e criar regras para conviver com elas.

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