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7 de setembro – Dia da Independência do Brasil

Bandeira do Brasil, Independência do Brasil - Structured Vision/ Shutterstock.com
Foto: Bandeira do Brasil, Independência do Brasil - Structured Vision/ Shutterstock.com
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O Brasil atinge a marca de 204 anos de emancipação política em 7 de setembro de 2026 com atos cívicos e memoriais organizados em Brasília e em cidades históricas do país. A data relembra o momento em que o príncipe regente Dom Pedro proclamou a separação em relação ao Reino de Portugal às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, no ano de 1822.

As solenidades oficiais deste ano mobilizam o Ministério da Defesa e o Palácio do Planalto na Esplanada dos Ministérios.

O desfile cívico-militar tradicional reuniu cerca de 30 mil pessoas na capital federal. Tropas do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira percorreram a via principal sob a supervisão das autoridades federais. As comemorações relembram a ruptura iniciada dois séculos antes.

Em São Paulo, o Museu do Ipiranga abriu visitações públicas para exibir o quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em Florença no ano de 1888. O acervo paulista recebeu 12 mil visitantes nas primeiras horas da manhã comemorativa.

A viagem do príncipe regente e os acontecimentos nas margens do Ipiranga

Dom Pedro iniciou a viagem para a capitania de São Paulo em agosto de 1822 para aplacar rebeliões entre facções políticas locais que divergiam quanto à lealdade a Lisboa. O regente montava uma mula durante o trajeto de volta a Santos, onde inspecionara fortificações portuárias e tropas da costa brasileira antes de receber o correio extraordinário vindo da sede administrativa colonial.

O mensageiro Paulo Bregaro alcançou a comitiva do príncipe em 7 de setembro de 1822 na colina próxima ao riacho Ipiranga. Ele transportava cartas urgentes assinadas pela princesa Maria Leopoldina e pelo ministro José Bonifácio de Andrada e Silva.

As correspondências chegaram aos montes paulistas.

Os documentos portugueses exigiam o retorno imediato de Dom Pedro a Lisboa e revogavam todas as medidas de autonomia tomadas pela regência instalada no Rio de Janeiro. Ao terminar a leitura dos papéis na presença de sua guarda de honra, Dom Pedro desembainhou a espada e declarou a ruptura definitiva dos laços políticos entre o território brasileiro e a Coroa portuguesa.

O coronel Manuel Marcondes de Oliveira e Melo relatou em suas memórias que o príncipe ordenou que a tropa arrancasse os laços azuis e brancos que simbolizavam a fidelidade constitucional às cortes lusitanas. Em seguida, os cavaleiros adotaram o lema da separação sob aplausos de moradores locais.

A atuação de Maria Leopoldina na condução do governo no Rio de Janeiro

Maria Leopoldina exerceu a função de regente interina durante a ausência do marido e desempenhou papel decisivo na formulação dos decretos que precipitaram o rompimento formal. A princesa arquiduquesa austríaca presidiu o Conselho de Estado em 2 de setembro de 1822 no Palácio Real da Quinta da Boa Vista, na capital fluminense.

Nesse encontro deliberativo, Leopoldina assinou as recomendações enviadas ao príncipe em São Paulo.

A futura imperatriz escreveu em sua carta a Dom Pedro: O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrecerá. Ela alertou sobre as pressões crescentes de Lisboa que pretendiam submeter novamente as províncias do Brasil ao regime de capitanias subordinadas diretamente às decisões da península ibérica.

Os historiadores que pesquisam o período monárquico registram que a princesa enviou ordens expressas à Guarda Real de Polícia para patrulhar as ruas do Rio de Janeiro e impedir rebeliões militares pró-lusitanas. Ela manteve constante diálogo com os setores da maçonaria liderados por Joaquim Gonçalves Ledo e com os conselheiros imperiais reunidos na corte fluminense.

A liderança de José Bonifácio de Andrada e Silva na articulação de gabinete

José Bonifácio de Andrada e Silva ocupou a pasta dos Negócios Estrangeiros e da Guerra desde janeiro de 1822 e coordenou a estratégia de afastamento das ordens oriundas do parlamento de Lisboa. O intelectual nascido em Santos utilizou a rede diplomática emergente para buscar apoio britânico e unificar o apoio das províncias do Centro-Sul.

A corte reagiu imediatamente.

O ministro redigiu as cartas enviadas a Dom Pedro no início de setembro de 1822 e advertiu que qualquer recuo custaria a integridade territorial e a liderança da Casa de Bragança no continente americano. José Bonifácio determinou que embarcações portuguesas armadas ficassem impedidas de atracar nos portos da Guanabara sem autorização expressa de seu ministério.

A ação governamental comandada por José Bonifácio neutralizou os elementos legalistas leais a Portugal no interior da burocracia do Rio de Janeiro. O líder santista estabeleceu uma imprensa oficial favorável ao governo regencial e articulou os manifestos públicos lidos em Minas Gerais e no interior de São Paulo durante os primeiros meses daquele ano.

Os conflitos armados nas províncias que resistiram à separação

A separação de Portugal não ocorreu de maneira inteiramente pacífica pelo país. As províncias da Bahia, do Maranhão, do Piauí e da Cisplatina mantiveram tropas fiéis ao governo de Lisboa e travaram batalhas sangrentas contra os batalhões do novo Império brasileiro entre 1822 e 1824.

A guerra começou em Salvador.

O general português Inácio Luís Madeira de Melo comandava a guarnição leal a Portugal instalada na capital baiana e expulsou as autoridades brasileiras do centro administrativo. As forças locais organizaram a resistência no Recôncavo Baiano com base militar na vila de Cachoeira, atraindo soldados civis, fazendeiros e pessoas escravizadas em busca de alforria.

O governo do Rio de Janeiro contratou o almirante britânico Thomas Cochrane e o general francês Pierre Labatut para liderar as forças navais e terrestres que cercaram Salvador por terra e mar. O cerco durou mais de doze meses e provocou desabastecimento agudo de víveres nas linhas portuguesas instaladas na baía de Todos-os-Santos.

As tropas lusitanas evacuaram a Bahia em 2 de julho de 1823, marco histórico celebrado pelos baianos como o dia da consolidação da independência naquela região. O Exército Libertador desfilou pelas ruas de Salvador com figuras notórias como Maria Quitéria de Jesus, mulher que se alistou disfarçada de homem e combateu no Batalhão dos Voluntários do Príncipe Dom Pedro.

Os embates decisivos no Piauí e a anexação do Maranhão

No Piauí, a resistência pró-Portugal encontrou liderança no major João José da Cunha Fidié, militar que comandava as tropas imperiais lusas na vila de Oeiras. Os defensores da emancipação reagiram em Campo Maior durante o confronto que ficou conhecido como a Batalha do Jenipapo, travada em 13 de março de 1823.

Os piauienses lutaram armados com foices, facões e velhas espingardas de caça contra a linha de infantaria e a artilharia regular portuguesa. O saldo do confronto deixou cerca de 200 combatentes brasileiros mortos às margens do riacho Jenipapo antes que os sobreviventes recuassem para a caatinga.

Apesar da vitória militar inicial de Fidié no terreno, as forças guerrilheiras cortaram as linhas de abastecimento dos portugueses e forçaram a retirada do oficial em direção à vila de Caxias, no estado vizinho do Maranhão. As tropas maranhenses pró-independência cercaram o forte onde Fidié se entrincheirou até a capitulação final ocorrida em 31 de julho de 1823.

O almirante Thomas Cochrane aportou na baía de São Marcos com a fragata Pedro I em 26 de julho de 1823 e blefou perante a junta militar de São Luís, afirmando que uma grande frota de navios de guerra cercava o porto maranhense. A autoridade local rendeu-se sem resistir, incorporando o Maranhão ao novo Império dois dias depois.

A tomada do Grão-Pará e a rendição de Montevidéu

No Grão-Pará, a resistência das autoridades militares alinhadas à metrópole europeia manteve-se firme em Belém até agosto de 1823. O capitão de mar e guerra John Pascoe Grenfell, subordinado de Cochrane, conduziu o brigue Maranhão até a foz do rio Amazonas para forçar o reconhecimento do imperador.

Grenfell prendeu os oficiais portugueses em 11 de agosto de 1823.

O comandante britânico reprimiu violentamente levantes populares ocorridos após a deposição do governo anterior em Belém. O episódio do brigue Palhaço resultou no sufocamento de 252 prisioneiros nos porões da embarcação em outubro daquele ano, marcando o custo civil da pacificação imperial no Norte.

Na Província Cisplatina, atual território do Uruguai, o general Álvaro da Costa manteve a cidade fortificada de Montevidéu sob bandeira portuguesa até março de 1824. O general Carlos Frederico Lecor comandava as forças brasileiras no cerco terrestre que culminou no embarque dos últimos regimentos europeus de volta para a Europa.

Cronologia dos acontecimentos que conduziram à ruptura nacional

  • Janeiro de 1822: Dom Pedro pronuncia a frase de permanência no país durante o Dia do Fico na corte do Rio de Janeiro.
  • Maio de 1822: Entra em vigor o decreto do Cumpra-se, determinando que nenhuma ordem vinda de Portugal teria validade no Brasil sem a aprovação do príncipe regente.
  • Junho de 1822: Convocação da primeira Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil por iniciativa dos ministros fluminenses.
  • Agosto de 1822: Dom Pedro assina manifesto às nações estrangeiras anunciando que o Brasil passava a governar a si mesmo soberanamente.
  • Setembro de 1822: Ocorre a proclamação oficial às margens do Ipiranga seguida pela redação de novas diretrizes alfandegárias.
  • Outubro de 1822: Dom Pedro recebe a aclamação solene no Campo de Santana e assume o título de imperador constitucional do Brasil.
  • Dezembro de 1822: Realiza-se a cerimônia de sagração e coroação de Dom Pedro I na Sé do Rio de Janeiro.
  • Julho de 1823: Tropas brasileiras libertam a cidade de Salvador das guarnições fiéis a Lisboa.
  • Agosto de 1825: Portugal e Brasil assinam em Londres o tratado oficial de reconhecimento de soberania com a mediação da Grã-Bretanha.

O processo de reconhecimento diplomático e os custos da indenização

Os Estados Unidos foram a primeira nação a reconhecer formalmente a soberania do Brasil em 26 de maio de 1824, respaldados pela formulação da Doutrina Monroe de repúdio a intervenções das monarquias europeias nas Américas. O presidente norte-americano James Monroe recebeu o diplomata brasileiro José Silvestre Rebello em audiência oficial na Casa Branca para selar os acordos comerciais bilaterais.

Portugal exigiu compensações financeiras pesadas.

As negociações com Lisboa exigiram a intervenção direta do diplomata britânico Sir Charles Stuart, que mediou reuniões secretas em Londres entre emissários dos dois países. A Coroa portuguesa impôs o pagamento de uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas para outorgar o reconhecimento da independência em 29 de agosto de 1825.

O tesouro imperial brasileiro recorreu a empréstimos tomados com a casa bancária Rothschild, em Londres, para honrar 1,4 milhão de libras da dívida de imediato e absorveu outro empréstimo de 600 mil libras que Portugal havia contraído anteriormente com investidores britânicos. Essa operação estabeleceu a base da dívida externa brasileira no mercado financeiro de Londres e atou as políticas alfandegárias nacionais aos interesses da Grã-Bretanha até meados do século XIX.

A evolução dos símbolos cívicos e os memoriais erguidos pelo país

A primeira bandeira do Império brasileiro, desenhada pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret com colaboração de José Bonifácio, adotou o retângulo verde em referência à Casa de Bragança e o losango amarelo em alusão à Casa de Habsburgo-Lorena de Maria Leopoldina. No centro figurava o escudo com a esfera armilar e a Cruz da Ordem de Cristo, circundado por 19 estrelas prateadas correspondentes às províncias da época.

O hino da independência foi composto por Evaristo da Veiga com melodia criada pelo próprio Dom Pedro I em 1824. A peça orquestral tornou-se símbolo militar cantado nos quartéis e nas escolas públicas do país durante o Primeiro e o Segundo Reinado.

O monumento do Ipiranga, projetado pelo arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, começou a ser construído em 1885 no local exato atribuído ao brado de Dom Pedro. A edificação em estilo neoclássico foi inaugurada em 1895 como museu histórico e monumento de celebração da nacionalidade brasileira.

Sob o piso do museu paulista situa-se a Cripta Imperial, construída em 1952 para abrigar os restos mortais de Dom Pedro I, da imperatriz Dona Leopoldina e da imperatriz Dona Amélia de Leuchtenberg, transferidos de Lisboa e de Munique por meio de acordos diplomáticos intermediados pelo governo brasileiro.

Curiosidades materiais e registros do trajeto percorrido pela guarda de honra

Os relatos da comitiva real indicam que Dom Pedro e seus acompanhantes sofreram de fortes dores abdominais e indisposição intestinal causadas por alimentos estragados e água contaminada ingeridos na serra do Mar durante o trajeto entre a baixada santista e o planalto. O príncipe fez paradas frequentes para repouso antes de alcançar a colina do Ipiranga por volta das 16 horas daquele 7 de setembro.

O uniforme de gala retratado no quadro monumental de Pedro Américo nunca foi usado pelos soldados naquele dia de calor intenso nas colinas paulistas. Os integrantes da guarda montada vestiam trajes civis de montaria feitos de brim simples e usavam chapéus de aba larga adequados para enfrentar a poeira das estradas de terra.

A mula de carga era o animal mais resistente para a transposição da serra paulista em 1822. Os cavalos de raça presentes nas ilustrações serviram como recurso artístico de Pedro Américo para atender à encomenda feita pela comissão de obras do monumento paulista no final do século XIX.

O Arquivo Nacional, localizado na praça da República no Rio de Janeiro, preserva os manuscritos das cartas originais de Dona Leopoldina e José Bonifácio que desencadearam a decisão do príncipe regente. O acervo mantém a folha de papel com o rascunho da proclamação oficial autenticada pelo secretário de governo Luís Saldanha da Gama.

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