Arqueólogos identificam no sítio de Shahr-i Sokhta modelo inédito de jogo de 4.600 anos

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Arqueólogos Foto: Arqueólogos - Microgen/ shutterstock.com

Arqueólogos identificaram uma nova modalidade de jogo de tabuleiro com 4.600 anos durante a vigésima primeira temporada de escavações em Shahr-i Sokhta, sítio arqueológico conhecido como Cidade Queimada, no Irã. O achado confirma uma tipologia diferente do famoso conjunto registrado em 1977 na mesma região da Idade do Bronze. A constatação sustenta a hipótese de que a comunidade urbana local cultivava mais de uma tradição recreativa simultânea há quatro milênios e meio.

O registro material contrasta de forma direta com o acervo retirado do solo em 1977, quando pesquisadores localizaram uma base esculpida em madeira preservada com vinte e sete marcadores e dados numéricos associados. Enquanto aquele artefato do século vinte exibia um modelo específico de movimentação com regras estruturadas por números aleatórios dos dados, a nova descoberta revela padrões que alteram a leitura sobre a circulação de brinquedos e peças de entretenimento no planalto iraniano.

Paralelo com o conjunto descoberto em 1977

Os pesquisadores concentraram a análise nas particularidades materiais de ambos os achados de Shahr-i Sokhta para determinar se pertenciam a grupos sociais distintos dentro da Cidade Queimada. O conjunto de 1977 marcou os estudos globais sobre o terceiro milênio antes de Cristo ao apresentar o conjunto completo com tabuleiro de madeira polida, vinte e sete pequenas peças e elementos de arremesso que organizavam as partidas. Já a estrutura localizada na vigésima primeira temporada indica superfícies com divisões geométricas próprias, sem a mesma configuração de espaços observada na madeira recuperada no século passado. Essa variação sugere dinâmicas diferentes de entretenimento.

Pesquisadores que atuam na camada estratigráfica da Idade do Bronze comparam a densidade das peças atuais com os vinte e sete marcadores antigos para compreender a complexidade de regras existente há 4.600 anos no assentamento iraniano. A presença de um tabuleiro com entalhes distintos demonstra que os cidadãos de Shahr-i Sokhta conheciam sistemas variados de disputa manual e lógica, ampliando o inventário cultural de uma sociedade urbana que manteve ocupação duradoura antes de sofrer destruições violentas por chamas. A diversão mobilizava hábitos cotidianos persistentes.

Hipótese de múltiplas práticas lúdicas na Idade do Bronze

O contraste entre os dois objetos arqueológicos fundamenta a teoria de que pelo menos duas tradições de jogos de tabuleiro conviviam no mesmo espaço territorial da Cidade Queimada. No sítio de Shahr-i Sokhta, o tabuleiro de 1977 com seus vinte e sete componentes figurava como evidência isolada de mecânicas com dados, mas o material recente aponta para uma linhagem alternativa de passatempos sem a mesma dependência de arremessos aleatórios. Esse quadro indica que a população do Irã antigo praticava diferentes categorias de raciocínio espacial, com intercâmbio de práticas recreativas vindas de rotas comerciais diversas.

A coexistência dessas linhagens no mesmo estrato temporal reforça a sofisticação da vida doméstica no centro urbano de Shahr-i Sokhta. Em vez de adotarem um único passatempo comum, os habitantes selecionavam regras distintas de confronto intelectual e sorte de acordo com ocasiões específicas ou setores da comunidade. Essa separação técnica entre o exemplar de madeira de 1977 e o novo artefato documentado expõe a vitalidade das práticas comunitárias em pleno desenvolvimento da metalurgia e do comércio regional de longa distância.

Continuidade dos trabalhos na vigésima primeira temporada

A equipe de campo catalogou o novo artefato dentro do setor habitacional escavado na vigésima primeira expedição para entender sua relação direta com os sedimentos de 4.600 anos. As medições milimétricas da peça entram agora no banco comparativo para determinar se a nova mecânica possuía relação de parentesco com a estrutura de vinte e sete peças e dados encontrada no achado clássico de 1977. Os técnicos avaliam a composição mineralógica e os resíduos orgânicos fixados nas bordas para identificar a matéria-prima utilizada na fabricação do jogo.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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