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O Sorveteiro amplia onda de filmes de terror sangrento em 2026

O Sorveteiro - reprodução
Foto: O Sorveteiro - reprodução
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O filme O Sorveteiro estreou nos cinemas dos Estados Unidos em agosto de 2026 com direção de Eli Roth e atuações de Ari Millen e Sarah Abbott. Na narrativa da produção americana, pessoas consomem sorvetes contaminados, entram em surto psicótico e atacam pedestres em vias públicas.

O projeto divide opiniões.

O cineasta Eli Roth utilizou ferramentas de inteligência artificial para contornar limitações financeiras causadas pela recusa de grandes estúdios cinematográficos em financiar o longa-metragem, gerando discussões acaloradas entre críticos e profissionais da indústria cinematográfica sobre os limites éticos e estéticos das produções contemporâneas. Em 2023, o diretor já havia misturado carnificina e ironia em Feriado Sangrento, após alcançar notoriedade internacional no início dos anos 2000 com O Albergue. Roth afirmou que busca entreter o público por meio de situações extremas, mesmo quando as risadas provocadas na sala escura ocorrem de maneira involuntária.

Uso de tecnologia e violência marcam produção de baixo orçamento

O pesquisador Carlos Primati explicou que o cinema brasileiro trabalhou o absurdo em chaves diferentes nas obras rebeldes de Ivan Cardoso e no horror existencial de José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão. Essas produções nacionais antigas já despertavam reações cômicas pelo excesso visual e pela precariedade técnica.

Steven Kostanski disse que o riso funciona como mecanismo de defesa diante do choque visual. Já Wheeler Winston Dixon, docente emérito da Universidade de Nebraska–Lincoln, declarou que o riso provocado por carnificina explícita reflete frieza por parte do espectador moderno.

O horror cômico segue regras próprias.

Premiações e estúdios absorvem estética de choque corporal

Em 2024, o longa A Substância levou transformações corporais bizarras ao circuito internacional de premiações e chegou à disputa do Oscar ao retratar as pressões sociais impostas contra mulheres. Um ano depois, a Warner colocou nas telas a bruxa Gladys enfrentando crianças violentas no desfecho de A Hora do Mal, sequência que gerou paródias na cerimônia da academia de cinema americana.

O curador Marcelo Miranda, do festival Djanho, afirmou que obras consagradas atraíram um novo perfil de público para narrativas com sangue gráfico:

  • Hereditário abordou o luto com forte impacto dramático
  • Obsessão explorou temas de vingança em festivais
  • A Substância trabalhou a obsessão estética feminina

Miranda declarou que a proliferação de produções do tipo documentário criminal no streaming influencia a recepção do horror na atualidade. “A violência só é aceitável na ficção”, reforçou o curador ao avaliar a liberdade criativa dos realizadores independentes.

Produções independentes apostam em efeitos visuais grotescos

O diretor Rod Blackhurst lançou o terror Dolly no Brasil em maio, período em que observou plateias rindo de momentos perturbadores entre a protagonista e seu sequestrador. O realizador da produtora Witchcraft comparou as sessões de seu filme aos documentários criminais que também comanda para plataformas digitais.

Kostanski desenvolveu filmes inspirados na estética de programas infantojuvenis da década de 1980:

  • Manborg colocou combatentes em arenas de artes marciais
  • Goreman apresentou uma criança no comando de um monstro intergaláctico
  • Buddy exibiu um mascote televisivo atacando espectadores com armas brancas

“Não sinto prazer com a dor alheia”, garantiu Kostanski sobre os efeitos de corpos mutilados que aplica em suas realizações.

Tradição do horror físico remonta a espetáculos do século passado

O dramaturgo Paulo Biscaia, fundador da companhia teatral Vigor Mortis e diretor de Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos, afirmou que a ficção estabelece um acordo lúdico com o espectador diante de atrocidades artificiais. Ele lembrou que o histórico teatro Grand Guignol fechou as portas em Paris em 1962, após perder apelo frente aos horrores reais vividos durante a Segunda Guerra Mundial.

A representação do medo migrou com força para as telas de cinema na mesma década, impulsionada por diretores como Dario Argento na Europa e Roger Corman no circuito norte-americano. Em 1974, Tobe Hooper enfrentou críticas com O Massacre da Serra Elétrica ao criar uma sátira sobre o consumo, abordagem repetida doze anos depois na sequência cômica da franquia.

No Brasil, Kapel Furman exibiu em agosto o longa Remanente – Voltagem no Festival de Gramado, onde histórias de entidades sobrenaturais ainda formam uma fatia pequena da seleção oficial. Autoras como Carol J. Clover e a cineasta Xanthe Pajarillo apontam que as produções cinematográficas do gênero continuam direcionando a maior carga de agressões gráficas contra personagens femininas.

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