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Poeira de meteoros cria camada metálica que afeta o GPS

Nasa
Foto: Nasa - JHVEPhoto/ Shutterstock.com
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A NASA lançou um foguete de sondagem a 100 quilômetros de altitude para recolher informações diretas sobre as camadas E esporádicas presentes na atmosfera em 2 de setembro. O experimento atravessou faixas densas de poeira de meteoros vaporizada que bloqueiam frequências de rádio e provocam falhas nos equipamentos de localização orbital ao redor do mundo. Cientistas utilizaram pontos de medição simultâneos durante a subida do veículo.

Origem do vapor metálico na alta atmosfera terrestre

Detritos rochosos cruzam o espaço e encontram os gases da mesosfera em velocidades que variam entre 11 e 72 quilômetros por segundo. O atrito desintegra as rochas antes da superfície e dispersa ferro, silício e magnésio na borda da ionosfera terrestre. O calor gerado pela pressão atinge milhares de graus centígrados e transforma esses sólidos em vapor luminoso.

As partículas perdem elétrons ao colidir com o ar circundante. O processo gera íons positivos que permanecem carregados por vários dias seguidos.

Ventos de grande altitude empurram esse material contra o campo magnético do planeta, gerando faixas de confinamento com densidade dez vezes maior do que os níveis regulares. Essa concentração funciona como uma barreira que distorce sinais de aparelhos em solo.

  • Atrito térmico pulveriza a rocha em velocidades extremas.
  • Gases neutros arrastam ferro e magnésio para faixas estreitas.
  • Forças magnéticas comprimem o plasma contra as ondas de comunicação.

O plasma condutor se comprime rapidamente.

Reflexos da instabilidade eletromagnética em setores produtivos no Brasil

O território brasileiro sofre impactos severos dessas interferências devido à proximidade direta com o equador magnético global. Técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais monitoram a chamada Anomalia Equatorial Ionosférica por meio de bases instaladas em áreas de São Paulo, do Nordeste e da região Norte. O fenômeno local acentua a cintilação do sinal de posicionamento quando comparado aos registros de latitudes médias da Europa ou dos Estados Unidos.

Fundo de galáxia cósmica com nebulosa, poeira estelar e estrelas
Fundo de galáxia cósmica com nebulosa, poeira estelar e estrelas – NASA images/shutterstock.com

A distorção prejudica o tráfego aéreo e a agricultura tecnificada. Aviões comerciais em aproximação dependem de constelações que operam a 20.200 quilômetros de altitude para tocar o solo com segurança.

A instabilidade desvia as leituras de pista virtual em dezenas de metros nos consoles dos pilotos. Em fazendas de grãos instaladas em Mato Grosso, Goiás e Bahia, tratores equipados com sistemas autônomos de guiamento por satélite paralisam as atividades de plantio e pulverização no meio dos talhões cultivados. Engenheiros agrônomos desligam a automação para evitar danos diretos às lavouras.

Equipes de topografia interrompem medições cadastrais até a normalização dos índices eletromagnéticos na atmosfera.

O atraso no sinal acontece porque a onda de rádio de 19 ou 24 centímetros perde velocidade teórica ao cruzar o plasma carregado. Um microssegundo de desvio temporal empurra o cálculo matemático do receptor e gera erros de centenas de metros em terra firme. Redes de energia elétrica também enfrentam panes quando os sincronizadores de tempo atômico das subestações recebem pulsos corrompidos.

Estrutura técnica e lançamento de sensores desacopláveis

Os engenheiros montaram o corpo principal do foguete com ligas leves para resistir ao estresse da decolagem e incluíram subsondas desacopláveis em seu interior. A estrutura atingiu 80 quilômetros de altitude, momento em que pequenas cargas pirotécnicas ejetaram quatro cápsulas auxiliares em trajetórias divergentes. O movimento configurou uma rede geométrica capaz de varrer o plasma em três dimensões distintas entre 95 e 115 quilômetros de altura.

Cada componente levou magnetômetros e antenas de alta frequência. Relógios de quartzo ajustaram a telemetria com precisão de nanossegundos.

O rastreio confirmou que a nuvem de ferro e magnésio não apresenta forma homogênea, exibindo bolsões de turbulência separados por menos de quinhentos metros de distância. Os novos parâmetros serão inseridos em sistemas preditivos de clima espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e de outros órgãos científicos mundiais. O foguete caiu no Oceano Atlântico ao término da trajetória de propulsão.

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